Ao analisar a história da tradição da Antiga Índia, veremos que alguns elementos estão presentes desde os primórdios. Um deles é a prática de mantras: a vocalização de sons considerados sagrados visando algum objetivo. Ora, bem sabemos que os Vedas existiram muito antes de serem escritos e sua existência se perpetuou milênios através da repetição sistemática de seus hinos, todos compostos em sânscrito.

            Neste tempo, os mantras eram utilizados em rituais brâhmanes, geralmente com o intuito de clamar alguma divindade, de garantir proteção e muitos outros objetivos poderiam ser citados. O essencial, entretanto, é que naquela época os mantras eram utilizados como palavras de poder que concediam um propósito específico ao serem entoados corretamente. Algumas escolas tântricas na atualidade conservam esta mesma utilização.

            Entretanto, com o passar do tempo, o mantra passou a ser utilizado como uma via de libertação por aqueles que almejavam a liberação espiritual. Sua prática tornou-se, por assim dizer, um yoga, isto é, uma disciplina de união do homem com a divindade. O Mantra Yoga possui um conhecimento exato, pautado em 16 membros que constituem as condições para uma prática efetiva, caracterizada por uma forte tendência devocional. Por isso, o Mantra Yoga associa-se com o Yoga da Devoção (Bhakti) e tornou-se, também, uma técnica utilizada em muitos outros ramos ou tipos de yoga.

            Tradicionalmente um mantra só é um mantra quando é passado de mestre para discípulo na ocasião do ritual da iniciação. Assim sendo, o mantra Om, por exemplo, não seria um mantra ao ser entoado por um não – iniciado. É o rito de iniciação que confere o poder mântrico ao som. Entretanto, com o advento do Tantra e a concepção do sistema sutil dos chakras, reconheceu-se que os sons sânscritos, as 50 letras desta língua sagrada, compunham a vibração contida nos centros energéticos. Logo, os mantras passaram a ser utilizados como meios de expansão de consciência e como modelos para desintegrar condicionamentos, passando a ser utilizados nas escolas de Hatha Yoga e algumas escolas tântricas.

            Hoje em dia o Mantra Yoga é considerado o caminho mais fácil para alcançar a auto-realização, de acordo com vários Mestres, como Swami Sivananda e Sathya Sai Baba. Existem muitas maneiras de se entoar o mantra, entretanto, é necessário enfatizar a atitude correta, pois a vocalização automática de algumas palavras não vai levar o praticante a lugar algum. É preciso ter em mente o sentido e o poder do mantra a ser entoado. É necessário um profundo bhava, um profundo sentimento devocional, uma atitude de respeito e de perseverança na prática.

            O mantra pode ser entoado repetidamente através da prática denominada Japa Yoga, onde tradicionalmente se utiliza um colar de 108 contas (japamala). Esta é a prática tradicional do Bhakti Yoga e é também utilizada como técnica para concentração mental. O mantra, desta forma, pode ser repetido de forma verbal, por sussurro ou mentalmente. Em todas as formas, a postura é um importante aliado, uma vez que a coluna vertebral age como um fio condutor, que eleva a energia dos centros primários para os centros superiores.

            Outra forma de entoar os mantras é através de Kirtans ou Sankirtans, quando a prática é realizada com várias pessoas. Então, os mantras são cantados, possuem uma melodia, realizada com instrumentos musicais ou mesmo palmas. Desta maneira, a prática de mantras torna-se uma celebração, podendo haver dança. O principal objetivo aqui é aumentar o sentido da devoção, elevando as emoções ao patamar da divindade, o que também repercute num estado de consciência especifico. É dito que esta é a maneira mais fácil de saber o que é Ananda, o estado de Bem-Aventurança, tido como inerente à natureza do ser humano.

            Geralmente, o mantra a ser entoado pelo praticante é estipulado pelo Guru, baseado na personalidade de seu discípulo ou recebido diretamente da Divindade. Entretanto, há alguns “mestres” vendendo por aí as palavras de poder… Caso você ainda não tenha encontrado seu instrutor espiritual e queira praticar o mantra yoga, não é o caso de se desesperar e acabar comprando essa patifaria: ela tem menos poder do que suas intenções verdadeiras.

            Neste sentido, Swami Sivananda deixou-nos uma luz: para nossa época de escuridão, ele diz que nada possui tanto poder quanto o Maha Mantra, mesmo para os não-iniciados. Conta a historia que o Rishi Narada foi visitar o senhor Brahmá e disse: “Ó Senhor, as pessoas neste Kali Yuga não serão capazes das austeridades, nem de conduzir os Yajnas (sacrifícios e oferendas), nem de percorrer a via do Vedanta. Por favor tenha compaixão por eles e indique um modo fácil com o qual eles possam atingir Deus?”. O Senhor Brahmá, na sua infinita compaixão e piedade, concedeu o Maha Mantra com o qual as pessoas do Kali Yuga pudessem atingir a auto-realização.

 

 HARE RAMA HARE RAMA

RAMA RAMA HARE HARE

HARE KRISHNA HARE KRISHNA

KRISHNA KRISHNA HARE HARE

 

            Cante o Maha Mantra diariamente e seja feliz! 

A respiração é essencial, pois “levamos a vida do tamanho de nossa Respiração”. Corresponde ao primeiro ato vital do ser humano, o qual vai estar presente durante toda a sua vida. Ao ser cortado o cordão umbilical, o ser humano entra em contato com o mundo através da respiração. É a forma de sentir os outros e o ambiente. Sempre que quisermos sentir menos, respiramos menos, aumentando as tensões e as couraças musculares.

Alexander Lowen (1972), pai da bioenergética diz que “A respiração guarda o segredo da vida….Na respiração nós participamos inconscientemente da Vida Maior…a respiração é um processo de expansão e contracção que envolve todo o corpo e é, ao mesmo tempo, consciente e inconsciente.” (pg. 44). È esta fronteira entre o consciente e o inconsciente em que a respiração se situa que também nos permite dar esse mergulho para dentro de nós mesmos através da simples observação do seu constante fluir, uma importante técnica de meditação que faz parte de várias escolas espirituais.

Os adultos, em especial, apresentam padrões desorganizados de respiração devido às tensões musculares crônicas, que distorcem e limitam a respiração. O foco da Bioenergética é ajudar o indivíduo a perceber e liberar suas próprias tensões,  que o impedem de respirar normalmente. É através da respiração que conseguimos o oxigênio para manter aceso o fogo do nosso metabolismo. Mais oxigênio produz mais energia.

Aliando a respiração ao movimento, é possível reduzir ou eliminar as tensões musculares, melhorando o contato sensorial e emocional com o mundo externo.

Lowen expõe em seu livro “Exercícios de Bioenergética”, que o padrão da respiração relaxada é como se fosse uma onda que flui de baixo para cima na inspiração e de cima para baixo na expiração (isso justifica alguns exercícios). Desse modo, a respiração é uma ação de todo o corpo, sendo que toda musculatura está envolvida em algum grau.

Por abafar fortes sensações de gritar e chorar, a garganta se torna comprometida na respiração. Durante a inspiração, as cavidades largas do corpo (abdômen, tórax, garganta e boca) se expandem para sugar o ar, e em um grande número de pessoas se percebe o fato da garganta estar contraída, limitando severamente a respiração. Desse modo, a respiração também se vincula a voz. Por isso, no trabalho bioenergético também utiliza-se exercícios de emitir sons.

Existem dois mandamentos no trabalho bioenergético da respiração:

1º à Nunca prender a respiração. O indivíduo deve estar consciente de quando o faz. 2ºà Emita sons sempre que achar os exercícios muito fortes. Emitir sons diminui tanto a pressão quanto a dor.

Os exercícios respiratórios Bioenergéticos são realizados com os seguintes propósitos: purificar o corpo de toxinas; remover o estresse e as emoções negativas que criam enfermidades psicossomáticas; revitalizar o sistema respiratório; melhorar a circulação e tensão arterial; potencializar o cérebro; fortalecer o sistema imunológico; liberar a tensão do corpo e da mente.

 

EXERCICIOS RESPIRATÓRIOS BIOENERGÉTICOS

 

1-      Respiração Purificadora

Serve, precisamente, para liberar o corpo das toxinas. Do ponto de vista fisiológico, 70% das toxinas no nosso corpo se eliminam através da respiração. Portanto, uma respiração superficial deixa uma enorme quantidade de resíduos no nosso organismo que, com o tempo, vão debilitando, envelhecendo e abrem portas a todo tipo de doenças.

Por outro lado, uma baixa quantidade de oxigênio em nosso sangue tende a desequilibrar nosso sistema nervoso. A maioria das pessoas utilizam cerca de !0% da capacidade total pulmonar, o que explica a saúde frágil e a tendência maior ao estresse.

Para este mal, a Bioenergética indica a Respiração Purificadora, também conhecida como Respiração de Poder nas escolas de yoga tibetano, tal é a efetividade de seus benefícios, e então o nome não deixa de ser sumamente descritivo.

A técnica consiste no pranayama de numero 6, Manasika Pranayama, explicado anteriormente.

 

2 – Respiração Removedora

Como diz o próprio nome, esta respiração tem o poder de remover resíduos energéticos e também se encaixa como uma técnica variante de Manasika Pranayama.

Ao inalar, visualize um fluxo de luz entrar através de seus pés. Este fluxo de energia limpa, elimina toda energia negativa, estresse, ansiedade, bem como qualquer emoção suprimido. Aproxime esta energia em qualquer área do corpo em particular, se necessário. Ao exalar, visualize que toda esta energia agora está definitivamente renovada, transmutada, reconfigurada.

 

 

1 – Respiração imperceptível (Tamas pránáyáma)

A técnica consiste em inspirar tão lentamente que não se consiga perceber o mínimo movimento respiratório; e então, se retem o ar por alguns segundos e expirar tão lentamente que seja imperceptível.

 

2 – Respiração dinâmica (Rajas pránáyáma)

Esta configura uma repiração bioenergética. Inspirar elevando os braços até a altura dos ombros e então retenha o ar fechando firmemente as mãos e movimentando vigorosamente os braços, flexionando-os e estendendo-os, trazendo as mãos até aos ombros e voltando a estendê-los várias vezes antes de expirar; expirar lentamente, baixando os braços simultaneamente.

 

3 – Respiração abdominal  (Adhama pránáyáma).

Inspirar projetando o abdômen para fora, procurando encher a parte baixa dos pulmões; pause a respiração por poucos segundos e então expire retraindo o abdômen, procurando esvaziar tanto quanto possível os pulmões, especialmente a parte baixa.

Muitos estudos indicam que, de fato a respiração abdominal produz um estado de relaxamento que, com o tempo pode, mesmo acabar por reduzir significativamente a tensão alta e os estados de ansiedade.

A respiração abdominal é usada muitas vezes em psicoterapia para combater estados de ansiedade e ataques de pânico. No ínicio de um ataque de pânico, por exemplo, se formos capazes de fazer algumas respirações abdominais o mais provável é que todos os outros sintomas acabem por não chegar a aparecer e que o ataque acabe mesmo por não ser desencadeado.

Este exercício promove um massageamento nos órgãos abdominais, melhorando o seu funcionamento. Elimina a ansiedade e aumenta a força de vontade, a concentração e a vivacidade mental. Feita sem esforço, revitaliza e predispõe a pessoa a uma atitude aberta e receptiva, tendendo a aceitar a realidade tal como é.

 

4 –Respiração do sopro rápido (Bhastriká)

Inspirar e expirar bem rápido e forte pelas duas narinas, produzindo um ruído alto como o de um fole. O ritmo ideal é o de inspirar e expirar em apenas um segundo (um segundo para os dois movimentos), trazendo uma movimentação abdominal igualmente forte, sendo que na inspiração deve-se projetar o abdômen a frente e na expiração, recolhe-se o abdômen, contraindo-o. Entretanto, para conseguir chegar neste ponto, deve-se praticar o exercício concentrando-se no movimento e na coordenação desta com a respiração,  executando-o mais lentamente para não perder o ritmo.

Este exercício deu origem à respiração holotrópica terapia que utiliza esta respiração rápida, provocando uma hiperventilação que, juntamente com outros estímulos e com a repetição deste padrão respiratório durante algum tempo, acaba por produzir uma alteração dos estados psicológicos que leva ao desbloquear de certas memórias e emoções reprimidas. A este assunto dedicaremos um capítulo especial.

 

5 –– Respiração completa (Rája pránáyáma)

Devido a uma série de fatores, a maioria das pessoas mantém um padrão respiratório superficial e inadequado. Como vimos em bioenergética isso pode acontecer devido a um bloqueio crônico na musculatura que rege a respiração. Ou acontece de, simplesmente, a pessoa não ter consciência que sua respiração é falha ou deficiente. A respiração, quando tem seu padrão muito curto, indica falta de contato com o mundo interior e seus acontecimentos. Ao passo que, ao sugerir ao paciente que mantenha um padrão respiratório satisfatório, pode favorecer seu contato com emoções reprimidas e com o mundo interior.

Inspirar projetando o abdômen para fora, em seguida, as costelas para os lados e finalmente, dilatando a parte mais alta do tórax e expirar, soltando o ar primeiramente da parte alta, depois da parte média e finalmente da parte baixa dos pulmões.

Efeitos: Aumento considerável da capacidade pulmonar, da resistência e do tônus geral do organismo, desintoxicação e oxigenação celular, revitalização, rejuvenescimento e tonificação. No aspecto psíquico, outorga ao praticante receptividade, atitude aberta em relação ao mundo que o rodeia, expansão total de si, concentração, entrega, felicidade. Aumentando a elasticidade da estrutura ósseo-muscular, o prána kriyá dissolve tensões somatizadas na região abdominal, nos ombros e no pescoço.

 

6 – Respiração completa com mentalização (Manasika pránáyáma)

A técnica, em si, consiste em coordenar a respiração e manter um padrão de visualização.  Inspire lentamente e imagine com nitidez uma forte luz dourada penetrando por suas narinas; retenha o ar nos pulmões, visualizando esta energia sendo absorvida pelos alvéolos, penetrando na corrente sangüínea e sendo depositada em cada célula, revitalizando-as. Ao expirar, mentalize seu corpo irradiante como o sol.

A “cor” da luz pode ser modificada de acordo com os benefícios específicos que se deseja alcançar, aliando, assim, o poder da cromoterapia. Deu um modo geral, esta especificação pode mudar, mas a essência delas são:

Vermelho: aumenta a energia vital (fogo)

Rosa: amor

Laranja: também é estimulante, estando sua ação mais ligada à alegria e libido

Amarelo: desenvolve a criatividade, purifica o sistema

Verde: cura

Azul: acalma e equilibra

Violeta: tem relação com o karma

Dourado: exulta a energia do sol

Prateado: exulta a energia da lua

Um aspecto importante é que o grau de consciência que colocamos na nossa respiração, determina a natureza de nossas manifestações corporais e mentais. É através da respiração que a energia se acumula, circula e irradia para os muitos aspectos do nosso Ser. Aliando esta fato à mentalização ativa de absorção e acúmulo de energia, os resultados são ainda maiores, ainda que o paciente não acredite no poder da técnica. A mudança energética existe e é real.

 

7 – Respiração alternada sem ritmo (Nádí shôdhana pránáyáma)

a) Colocar as mãos em jñána mudrá;

b) obstruir a narina direita com o dedo médio da mão direita em jñána mudrá26;

c) inspirar pela narina esquerda (respiração completa);

d) reter o ar o maior tempo possível, sem exagero, confortavelmente;

e) trocar a narina em atividade, obstruindo agora a narina esquerda, sempre com as mãos em jñána mudrá e utilizando a mesma mão para obstruir a narina;

f) expirar pela narina direita;

g) continuar o pránáyáma, inspirando pela narina direita e assim sucessivamente.

Obs.: Note que a narina em atividade é alternada sempre que os pulmões estão cheios e jamais quando estão vazios. Há outros mudrás que podem ser utilizados para obstruir as narinas e cada escola tem preferência por um deles.

 

8 – Fisioterapia Respiratória

É um bom meio de ampliar, aos poucos, a capacidade respiratória do individuo, ao mesmo tempo que torna este consciente de seu processo respiratório, além de oferecer algum controle, o que no inicio pode ser muito favorável.

A técnica consiste em inspirar e reter a respiração várias vezes, até que os pulmões estejam completamente cheios. É, portanto, uma inspiração realizada pausadamente. No expirar observe este mesmo processo, soltando e retendo, repetidas vezes. Procure conhecer os limites de ambos, inspiração e expiração.

Este exercício trás uma consciência aprofundada da respiração e do quanto que se pode respirar, “reter”. Muito indicado para quem não consegue respirar de forma profunda, podendo ser um preparatório para este. Lembramos sempre que tomar contato com a respiração é o primeiro passo para ter contato com as emoções mais internas.

Este é também um bom exercício para se trabalhar a couraça muscular. À medida em que crescemos, nós invariavelmente desenvolvemos padrões de tensão e contração da energia, que impedem o livre fluxo e a irradiação da energia para todos os níveis do nosso ser. Ficamos carentes de energia e vitalidade ao nível do corpo e da mente, de nossas relações com o mundo externo e os outros. Nos sentimos infelizes ansiosos e, na pior das hipóteses, perdemos até mesmo a capacidade de sentir. Sentimentos e energia estão estreitamente relacionados. Cada vez que nos sentimos ameaçados, restringimos a nossa respiração, e consequentemente as correntes de energia que nos permeiam, bloqueando e congelando sentimentos, tanto de dor quanto de prazer.

 

9 – Respiração circular

Exercício muito parecido com o Bhástrika, porém com nítidas diferenças. A respiração circular, como o próprio nome diz, se propõe a fazer a respiração circular, sem pausa entre inspiração e expiração ou expiração e inspiração. Entretanto, a  respiração circular se faz num ritmo suave, em circulação, e a ênfase da técnica está na consciência e atenção plena focada na respiração.

Essa forma de respirar cria um circúito forte de energia em fluxo, que se move no corpo e na mente. À medida em que esse fluxo se move com mais intensidade, a pessoa que respira começa a se tornar consciente de padrões específicos de contração, de energia bloqueada. Pelo fato desses padrões de contração estarem enraizados em experiências dolorosas, a consciência no aqui e agora pode trazer dor física e ou sentimentos.

O poder da respiração circular está no seguinte princípio: se a pessoa que respira, mantém a respiração, apesar de experiências de contração que possam emergir, o fluxo continuo de energia libera o padrão da contração, trazendo luz e expansão para onde havia densidade, suavizando e relaxando os pontos enrijecidos e dolorosos da experiência da pessoa, transformando as feridas emocionais em alegria radiante e amorosa. Isso permite “insights” e uma nova compreensão da experiência vivida, integrando-a numa nova forma.

A Respiração em Terapia

                                                           “O ar tece o Universo”

(Brihadáranyaka Upanishad, III:7.2)

 

“A respiração tece o homem”

(Atharva Veda X:2.13)

 

Respiração… um pouco de história

Em todas as culturas e em toda a história, a respiração foi considerada a mais importante das funções corporais do homem – era a cessão da respiração que determinava o momento da sua morte. O tempo de vida de um homem era medido do primeiro ao último suspiro. Há milênios a respiração é reconhecida como uma ponte entre o corpo e espírito, entre o inconsciente e o consciente. O uso da respiração como método de equilíbrio e cura tem uma longa historia.

De fato, respirar é a função mais básica da vida. E a primeira função de relação com o mundo externo ao útero. Não só reflete nossa condição física e psíquica, como também é um instrumento de organização de nossas relações com a vida.

Diferentes escolas desenvolveram técnicas de respiração nas escolas da China da Índia, Pérsia, Arábia, Egito, Grécia e Roma antigos – ligadas ou não aos seus sistemas de medicina. Atualmente são as escolas de respiração consciente tibetanas, chinesas e indianas que exercem influência marcante no ocidente.

As referências mais antigas sobre sua aplicação terapêutica vem da antiga literatura yoga.  Yoga é um dos caminhos de desenvolvimento psico-espiritual mais antigos que a humanidade já produziu. Existem textos de yoga com instruções sobre respiração que datam de mais de 4.000 anos. Pranayama, o nome genérico dado a essa forma de trabalho respiratório, é uma das principais linhas de yoga.

Pranayama é uma palavra formada da unção de outras duas: yama significa controle, domínio. Prana é a energia vital. Em geral, as pessoas traduzem pranayama como controle da respiração, mas podemos observar que se trata de algo muito maior que isso, pois o prana está presente em tudo o que tem movimento. Segundo algumas pesquisas e teorias recentes, o prana poderia estar vinculado à existência dos íons negativos, importantíssimos para o metabolismo dos organismos vivos. O controle do prana é o controle da energia vital e do seu metabolismo, que inclui a respiração, os batimentos cardíacos, a digestão, a circulação sangüínea, etc. Os principais meios de se absorver o prana são pelas narinas, pelos pulmões, pela língua e pela pele.  Então se diz que pranayama é o controle ou domínio da energia vital, ou bioenergia.

A mudança intencional do padrão de respiração é um meio para purificar os sentidos, tanto física como espiritualmente afim de desenvolver potencialidades. Também pode ser aplicada com objetivos médicos, como a cura, ou para fins espirituais, como meio de chegar a experiências transcendentes, bem como para entrar em contato com outras dimensões da realidade.

 

 

Através da respiração, a energia de sustentação da vida se expande”.

(citado por Elzi & Elzita, Do Yoga à Psicologia)

De acordo com a sistematização do Yoga de Patañjali, os Yoga-Sutras, o pranayama é o quarto passo, ou caminho (anga) para se atingir o estado final do Yoga. Geralmente é realizado com propósitos de purificação dos canais sutis (nadis) e também para acalmar a mente e prepará-la para estágios mais avançados do controle mental.

Uma outra corrente de sabedoria oriental que enfatiza práticas de respiração consciente para obter saúde e longevidade é o Taoismo. Também para o Budismo, a consciência na respiração é uma das instruções mais simples para realizar sua rica variedade de práticas espirituais. O Lama Govinda disse: “o processo da respiração, se profundamente compreendido e experimentado, pode nos ensinar mais que todas as filosofias existentes no planeta”.

As concepções ocidentais modernas sobre o valor terapêutico da respiração consciente foram redimensionadas pela Psicologia Corporal, em especial, Reich e Lowen, que foram os principais psicólogos a utilizarem técnicas respiratórias com objetivos psicoterapeuticos.

Nos estudos psicológicos, é possível notar uma estreita ligação entre respiração e emoção.  Aliás, o olfato é o único sentido cujos receptores ligam-se diretamente ao cérebro, sem precisar da intermediação de um nervo, o que por si só já demonstra a estreita ligação entre mente e fossas nasais. Na nossa vida cotidiana, isso é muito simples de se observar: basta que você perceba seu ritmo respiratório quando está numa situação de tensão e compara-la quando você deita-se na cama, de noite, para dormir. A diferença que se pode ver na velocidade da respiração indica que a expiração tem uma relação mais estreita com o estado emocional do que a inspiração. Também foi observado uma correlação entre o movimento diafragmático e as alterações do estado emocional. O movimento do diafragma é muito sensível a mudanças em situações, sugeridas ou imaginadas, capazes de provocar fortes reações emocionais, e que as variações nesse movimento estão diretamente relacionadas à quantidade de oxidação obtida a cada inspiração. Pesquisas científicas indicam que se o movimento diafragmático aumentar em todas as direções, a capacidade do tórax pode aumentar também, o que vai levar a um conseqüente aumento da capacidade vital. O movimento regular do diafragma estimula todo o plexo solar e estabiliza as funções mentais. Dessa forma, o ciclo respiratório também fica estável, com conseqüente estabilização e aperfeiçoamento da condição física e mental.

Um dos pioneiros na investigação da misteriosa relação existente entre a respiração e as atividades mentais foi Wilhem Wundt (1832 – 1920), na Universidade de Leipzig, Alemanha, onde ele e seus pesquisadores puderam observar e constatar que quando o homem respira profundamente, aparece em sua corrente sangüínea uma substância chamada endorfina, e que esta substância afetava o córtex cerebral e ajuda o homem a esquecer e a eliminar da memória seus receios e pavores, atuando também consistente e eficazmente para controlar e regular vários órgãos. Em conseqüência disso, verificou-se que a endorfina era eficaz na manutenção do conforto físico e mental.

Com as práticas de pranayama, o indivíduo têm alivio em sua ansiedade, e a respiração, tornando-se conscientemente mais profunda, pode penetrar com maior eficiência no sistema celular do corpo. De um modo geral, esse programa de exercícios respiratórios desenvolvido no Oriente visa acelerar o fornecimento de oxigênio e eliminar do sistema o dióxido de carbono.

Seu modelo de respiração profunda destina-se a elevar ao máximo a capacidade vital mediante a expansão e contração dos pulmões. Este método estimula por inteiro o sistema nervoso, e tem por fim facilitar os reflexos do sistema nervoso aos estímulos produzidos pelo processo respiratório. Esses exercícios visam controlar o equilíbrio entre o sistema nervoso simpático e parassimpático, submeter as funções estimuladoras e inibidoras de vários hormônios ao controle estrito do sistema nervoso e sensibilizar os nervos periféricos. Desse modo, as funções fisiológicas das diversas partes do corpo são fortalecidas e os vários sistemas do corpo são restaurados à sua condição normal. Como são estimulados, os nervos periféricos produzem um grande número de neurônios, incentivando o funcionamento de vários órgãos internos e melhora seu poder de resistência às bactérias patológicas.

“Assim como os leões, elefantes e tigres são domados

lenta e cautelosamente, o Prana deve ser controlado

lentamente. De outro modo, isso matará o praticante.”

(Sandilya Upanishad, I)

 

As práticas de pranayama, assim como todas as técnicas de yoga, devem ser ministradas em gradação proporcional às capacidades e limitações de cada indivíduo. Os benefícios são imensos, como já citados, melhora na circulação sangüínea de todo o corpo, facilitando os processos digestivos e de eliminação, reduzindo o acúmulo de toxinas e aumentando a imunidade.

Aspectos energéticos ou prânicos da respiração

A respiração é a maneira mais utilizada para nutrirmos nossos corpos energéticamente. Controlando voluntariamente a respiração, ritmando-a, aprofundando-a, dirigindo-a, polarizando-a, o homem vai obtendo acessos a seus diferentes níveis: psíquico, fisiológico, prânico, podendo integra-los em seu proveito.

 

No processo de Pranayama existem três fases distintas: inspiração, retenção, expiração, sendo que a retenção pode ser feita de duas maneiras distintas, sendo com ou sem ar. Sri Shankara define belamente este processo:

  1. O esvaziamento da mente de toda a ilusão é a verdadeira expiração.
  2. A percepção “Eu sou Divino” é a verdadeira inspiração.
  3. A constante firmeza da mente nesta convicção é a retenção.

Para praticar Pranayama basta ter um par de pulmões, uma coluna ereta e a mente alerta e tranqüila.  Os recursos que necessita são todos seus, e suas potencialidades estão aí, adormecidas.

No contexto terapêutico, muitos exercícios de Pranayama podem e devem ser utilizados para potencializar as diversas técnicas da Transpessoal.

Peço desculpas aos leitores, tenho recebido muitos emails com reclamação que os lonks não estão mais funcionando! Estou tentando arrumar tudo, mas essas coisas levam tempo! Alguns arquivos eu não tenho mais e por algum motivo minha conta no 4 shared foi bloqueada! Estou fazendo a transição para o Espins. Logo logo tudo voltará a funcionar normalmente.

Maha abraço.

OM shanti

Há muito tempo atrás, li o livro famoso de Peter Kelder, intitulado “A Fonte da Juventude”. Numa historinha bem bacana, ele conta que um tal Coronel Bradford teria vivido no Tibet no início do século XX e lá, junto aos monges, descobriu o poder de 5 exercícios simples que o fez perder a barriga e escurecer os cabelos: os exercícios eram a verdadeira  fonte da juventude.

É dito que os movimentos dos 5 ritos estimulam os chakras, ou vértices de energia distribuídos pelo corpo, e com isso, tonificam e equilibram todo o sistema glandular através da contração e alongamento. Melhoram, pois, o tônus muscular e desenvolvem, aos poucos, a elasticidade, lubrificam as articulações e aumentam a flexibilidade. Quando praticada diariamente, a sequência aumenta a força física e mental, criando um estado de consciência alerta e tranqüilo ao mesmo tempo. Ainda é dito que os ritos aliviam o estresse nervoso, melhora a respiração e a digestão, beneficia o sistema cardiovascular e conduz a um profundo relaxamento e bem-estar.

Que eu saiba, ainda não há comprovações científicas sobre a eficácia da técnica sobre o rejuvenescimento. Mas, analisando a cinesiologia dos exercícios é possível observar que eles atuam sobre as glândulas, o que deve promover  um equilíbrio energético e, consequentemente físico e emocional. Você pode facilmente perceber os benefícios destas práticas no seu dia-a-dia, pois é muito fácil incorporar os ritos na rotina, tomando-lhe apenas alguns minutos.

O livro sugere que comecemos com a repetição de 7 vezes para cada exercício. Aumentando semanalmente, de 7 em 7 até chegar a 21 repetições.

Lá pela segunda parte do livro (que é pequenininho e dá pra ler pelo computador mesmo), Kelder ensina um sexto rito, capaz de transformar um homem num super-homem e uma mulher numa super-mulher. Os termos não são meus!! São dele mesmo! De fato ele ensina um antigo exercício de Yoga para concentrar mais energia dentro do corpo, chamado uddhyana bandha. Trata de tirar todo o ar do corpo e puxar o ventre para dentro e para cima, mantendo-se sem ar o quanto pode. ATENÇÃO, pratique com moderação, lembre-se que, como diz os Upanishads:

“Assim como os leões, elefantes e tigres são domados gradualmente, de igual maneira domina-se a respiração. De outro modo (procedendo com pressa ou empregando força excessiva), mata-se o praticante” (Sandilya Upanishad, 1)

Vou passar abaixo os links dos Ebooks dos dois livros de Kelder, para quem quiser se aprofundar.

Peço paciência aos leitores em relação aos outros link do blog: aos poucos to arrumando tudo ok!!

 

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Obs.: Se você vai praticar sem ler as instruções do livro esteja atento com RITO 1 – gira-se em sentido horário; Em todos os demais ritos: há movimentação intensa da cabeça, pressionando e alongando a garganta. É conveniente, entretanto, ler ATENTAMENTE as instruções do livro 1.

 

Peter Kelder – A Fonte da Juventude I

Peter Kelder – A Fonte da Juventude II

Confiram e depois me digam se deu certo! 😉

Depois de quase dois anos sem postar nadica de nada aqui, vejo que continuo tendo a mesma frequência de visitas. Então, resolvi voltar!! Passei por uns tempos bastante atribulados, trabalhando demais na área de psico. Eis que agora retorno, mas sob um novo enfoque: A Psicologia do Yoga ou o Yoga na Psicologia?

Sempre achei que Yoga tivesse tudo a ver com Psicologia – principalmente com a psicologia corporal. Ora é só dar uma olhada no livro de exercícios de Bioenergética de Lowen e logo verá um dos primeiros exercícios: “grounding”, o famoso aterramento! Também, na psicologia corporal, é preciso começar da base, fortalecendo o primeiro chakra, trabalhando a energia nele acumulada.

Posso dizer que não gosto muito dessas separações? Psicologia corporal parece algo tão distante dos consultórios!! Como se fosse possível trabalharmos apenas a psique das pessoas! Depois de ter estudado muito os Tantras, principalmente no que conscerne o funcionamento dos chakras, passei a aplicar em setting terapêutico alguns exercícios. E tive ótimos resultados. Então, neste primeiro post quero escrever um pouco sobre a Psicologia Corporal e como o Yoga, por si só, é um sistema ótimo e muitas vezes eficiente psicologicamente falando.

A Psicologia Corporal considera o ser humano uma unidade psicossomática. Isso implica na não-separatividade das “formas de ser”: corpo, mente, espírito. Está muito de acordo com o que o termo “psicólogo” quer dizer: “médico da alma”. Para a Análise Bioenergética, os processos energéticos estão profundamente arraigados no estado de vitalidade do organismo. Isso pode não fazer muito sentido para quem está na primeira metade da vida, praticando yoga com todo o louvor e leveza que Deus lhe deu. Mas para quem sente os aprisionamentos da segunda metade da vida, após os 30 anos, sabe o que eu estou falando. O processo jamais é somente biológico. Emma Jung, falando sobre a mulher e suas qualidades espirituais, afirma que é justamente na segunda metade da vida que surge as neuroses mais profundas. Na análise bioenergética, é na segunda fase da vida que os encouraçamentos passam a surtir efeito. Eu percebo que grande quantidade de libido, de energia psíquica, é empregada para fixar os conteúdos emocionais reprimidos na musculatura, e mais energia é necessário para lá mantê-los. A queda de energia psiquica causa a de-pressão – a falta de pressão, de vitalidade no corpo humano. Assim começamos a nos atrofiar.

Por que o Yoga é perfeito como sistema psicológico? Ora porque vem a ensinar como desmanchar as couraças, fazendo o corpo vibrar novamente, trazendo profundidade nos sentimentos, espontaneidade nas ações. Acontece que muitas vezes o corpo está tão debilitado, que é impossível ter força de vontade para praticar sozinho. É nessas horas que o trabalho de um psicólogo é essencial.

Assim, como gosto muito de abrir categorias para meus posts, está aberta a categoria da Psicologia do Yoga!

Namastê!! Com desejo de que vocês estejam vibrando muito!!

Considerada a “Bíblia” hindu, a Bhagavad Gita é o shastra principal que rege as nossas vidas, o modelo arquetípico perfeito para a condução de um ideal de vida elevado.

A versão que eu sigo é de Ramananda Prasad, meu Guru Siksha, que é não sectária, puro deleite para nosso intelecto. Logo em breve vou disponibilizar um curso introdutório dos primeiros capítulos, conforme me guiou Swami Krishnapriyananda. Por hoje, ficamos com a introdução da Gita de Ramananda Prasad.

INTRODUÇÃO

O Gita é uma doutrina sobre a verdade universal. Sua mensagem é universal, sublime e não-sectária, embora ele seja uma parte da trindade escritural do Sanathana Dharma, normalmente conhecido como Hinduísmo. O Gita é muito fácil de ser entendido em qualquer linguagem para uma mente madura. Uma leitura repetida com fé irá revelar todas as idéias sublimes que ele contém. Poucos são os aspectos abstrusos, intercalados aqui e ali, mas estes não possuem influência no problema prático do tema central do Gira. O Gita trata da mais sagrada ciência metafísica. Ele transmite o conhecimento do Ser e responde a duas questões universais: Quem sou eu, e como eu posso conduzir uma vida pacífica e feliz neste mundo de dualidades. Ele é um livro de Yoga, de crescimento moral e espiritual, para a humanidade baseado nos princípios cardeais da religião Hindu.

A mensagem do Gita chegou até a humanidade por causa da má vontade de Arjuna, para cumprir para com o seu dever de guerreiro, uma vez que luta envolve destruição e morte. Não violência ou Ahimsa é o mais fundamental dos princípios do Hinduísmo. Toda a vida, humana ou não humana, são sagradas. Este imortal discurso entre o Senhor Supremo, Krishna, e Seu devoto, Arjuna, ocorreu não num templo, numa floresta reclusa, ou no alto de uma montanha, mas num campo de batalha, nas vésperas da guerra, e está escrito no grande épico Mahaabharata. No Gita, o Senhor Krishna avisa Arjuna para erguer-se e lutar. Isto, provavelmente, gera um mal-entendido do princípio do Ahimsa, se o fundo da guerra do Mahabharata não estiver na mente. Portanto, uma breve descrição histórica está em ordem.

Nos tempos antigos houve um rei com dois filhos, Dhritarashtra e Pandu. O mais velho nasceu cego, portanto, Pandu herdou o reino. Pandu teve cinco filhos. Eles foram chamados de Pandavas. Dhritarashtra teve cem filhos. Eles eram chamados de Kauravas. Duryodhana foi o primogênito dos Kauravas.

Após a morte do rei Pandu, os Pandavas tornaram-se os reis de direito. Duryodhana foi uma pessoa muito ciumenta. Ele também queria o reino. O reino foi dividido em duas metades entre os Pandavas e os Kauravas. Duryodhana não ficou satisfeito com a sua parte do reino. Ele queria o reino inteiro para si próprio. Ele, de modo mal sucedido, planejou vários crimes para matar os Pandavas e pegar o reino deles. Ilegalmente ele apoderou-se do reino inteiro dos Pandavas e recusou-se a devolver mesmo um acre da terra sem a guerra. Toda a mediação feita pelo Senhor Krishna, e pelos outros, falharam. A grande guerra do Mahaabharata foi assim inevitável. Os Pandavas foram participantes que não queriam a guerra. Eles tiveram apenas duas escolhas: lutar pelo seus direitos conforme a matéria da responsabilidade, ou fugir da guerra e aceitar a derrota em nome da paz e da não violência. Arjuna, um dos cinco irmãos Pandavas, encarou o dilema no meio do campo de batalha para lutar ou fugir da guerra pela segurança da paz.

O dilema de Arjuna é, na realidade, um dilema universal. Cada ser humano encara dilemas, grandes ou pequenos, em suas vidas diárias, quando realiza a suas obrigações. O dilema de Arjuna foi o mais importante de todos. Ele tinha que fazer uma escolha entre lutar a guerra e matar seus mais reverenciados gurus, seus mais queridos amigos, parentes próximos, e muitos guerreiros inocentes, ou fugir do campo de batalhas com o objetivo de preservar a paz e a não-violência. Os setecentos versos, inteiros, do Gita tratam de um discurso entre o Senhor Krishna e o confuso Arjuna, no campo de batalhas de Kurukshetra, local próximo a Nova Delhi, na Índia, cerca de 3.100 anos a.n.e. Este discurso foi narrado para o sábio rei Dhritarashtra pelo seu cocheiro Sanjaya, como uma testemunha ocular da guerra.
O objetivo principal do Gita é ajudar as pessoas  lutando na escuridão da ignorância  a cruzarem o oceano da reencarnação (nascimentos e mortes repetidas), para atingirem a costa espiritual da liberação enquanto viventes e atuantes na sociedade.

O ensinamento central do Gita é a obtenção da liberdade ou da alegria, pelo cativeiro da ação da vida de cada um. Sempre se lembrem da glória e da grandeza do criador e da ação eficiente de seus deveres, sem estar apegados ou afetados pelos seus resultados, mesmo que a obrigação demande, de vez em quando, na violência inevitável. Algumas pessoas negligenciam ou desistem de suas responsabilidades na vida pela segurança de uma vida espiritual enquanto outras desculpam-se a si mesmos de uma pratica espiritual porque elas crêem que ela não possuem tempo. A mensagem do Senhor é para purificar todo o processo da vida em si mesma. Não importa o que uma pessoa faz ou pensa deverá realizar pensando na glória e na satisfação do Criador. Nenhum esforço ou custo é necessário para este processo. Faça as suas obrigações como um serviço para o Senhor e humanidade, e veja um único Deus em tudo, num estado de espírito. É  necessário purificar o corpo, a mente e o intelecto, para conquistar um estado de espírito, disciplina pessoal, austeridade, penitência, boa conduta, serviço desapegado, práticas yóguicas, meditação, adoração, oração, rituais, e estudo das escrituras, assim como a companhia de pessoa santas, peregrinação, canto dos santos nomes do Senhor, e  auto-inquirição. Através do intelecto purificado deve-se estudar para abandonar a luxúria, a ira, a avareza, e estabelecer o controle sobre os seis sentidos (audição, tato, visão, gustação, olfato e mente). Deve-se sempre lembrar de que todos os trabalhos são feitos pela energia da natureza, e que ele o ela não são os agentes mas apenas um instrumento. Deve-se aspirar o máximo de excelência em todas as tarefas, mas mantendo-se a equanimidade no sucesso ou no fracasso, no ganho ou na perda, na dor ou no prazer.

A ignorância do conhecimento metafísico é para a humanidade um grande predicamento. Uma escritura, sendo a voz da transcendência, não pode ser traduzida. A linguagem é incapaz e as traduções são defeituosas para claramente transmitir o conhecimento do Absoluto. E nesta tradução, uma tentativa foi feita para manter o estilo mais próximo possível para a poesia original do Sânscrito, e com isso tornar fácil a leitura e o entendimento. Uma tentativa há sido feita para aprimorar a claridade pela adição de palavras ou frases, entre parênteses, na tradução dos versos. Um glossário e índice há sido incluído. Cento e trinta e três (133) versos chaves estão impressos em negrito para a comodidade dos iniciantes.  Nós sugerimos a todos os nossos leitores para refletirem, contemplarem, e agirem de acordo com estes versos. Os principiantes e os ocupados executivos poderão primeiro ler e entender o significado destes versos chaves antes de se aprofundarem no profundo oceano do conhecimento transcendental do Gita.

De acordo com as escrituras, não tem pecado, horrível que seja, que possa comover aquele que lê, pondera e pratica os ensinamentos do Gita; por mais que a água atinja a pétala do lótus (isso porque o lótus está por sobre o lodo; mesmo assim é belo e gracioso). O Senhor em Si mesmo, reside onde o Gita está, é lido, cantado ou ensinado. O Gita é conhecimento Supremo, e o som personificado do Eterno e Absoluto. Aquele que o lê, pondera, e pratica os ensinamentos do Gita com fé e devoção irá obter Moksha (ou Nirvana), pela graça de Deus.

Este livro é dedicado para todos os gurus de quem as bênçãos, graça e ensinamentos são inestimáveis. Ele é oferecido ao grande guru, Senhor Krishna, com amor e devoção. Que o Senhor aceite-o, e abençoe aqueles que repetidamente lerem-no com paz, felicidade, e o verdadeiro conhecimento do Ser.

OM TAT SAT


Existe muitos tipos de Astrologia, se é que podemos falar em “tipos”; esta ciência ancestral, cuja origem se perde na história de tantas antigas civilizações, se ramificou e se adaptou às culturas e hábitos de seus povos de forma bastante peculiar. Quando estudamos um tipo de Astrologia, estudamos também a visão de uma civilização antiga, arcaica, cheia de mistérios envolventes, que embriaga e hipnotiza nossa mente mística.

Mesmo na Índia, berço da civilização humana, onde a Astrologia encontra sua origem ainda mais antiga (cerca de 5 ou 6 mil anos antes de Cristo, época em que foi surgiu o Rig Veda, o texto mais antigo da humanidade, que já oferecia muitas informações astrológicas), esta ciência encontrou suas diferenças entre um sistema e outro, entre um mestre e outro, já que nesta civilização todo conhecimento é passado sistematicamente de Guru  (Mestre) para discípulo, e essa sucessão, chamada em sânscrito Parampara, segue assim até os dias de hoje.

 

Conta uma lenda antiga que em alguma biblioteca nos confins da Índia Antiga encontram-se papiros feitos de folha de bananeira com a descrição da vida de todas as pessoas que existiram e que ainda irão existir. Nestes papiros estão dados como o nome de sua mãe, seu pai, sua profissão e até sua digital. Você pode imaginar o tamanho que seria esta biblioteca?

Você pode pensar que isso é somente uma lenda, mas não é. De fato existe um tipo de Astrologia, cujo sistema é chamado Nadí, em que o astrólogo recolhe, juntamente com seus dados, sua impressão digital, para assim achar seu papiro. É claro que o número de charlatões nesta área é ainda maior, e é bem provável que você ache um desses do que um mestre verdadeiro. Mas enfim, informações como esta alimenta em nós o desejo profundo de sabermos mais sobre nós mesmos, e ainda, de saber o que nos é destinado nessa vida. A Astrologia Védica, entretanto, nos proporciona este conhecimento. Sua Carta ou Mapa Natal nada mais é que o mapa da sua alma, aquilo que você veio colher nesta vida. Não estou afirmando, com isso, que toda nossa vida é fatídica e que tudo já “está escrito nas estrelas”, mas sim que temos uma grande probabilidade de experimentar o que está descrito no nosso mapa natal.

Na Índia Antiga, os brahmanes que liam as estrelas eram considerados conselheiros do governo, pois sabiam ao certo que decisão tomar para que dessem bons frutos – ou seja, para que alguém não se desviasse do seu Dharma ou missão de vida. Também, tão logo uma criança nascia, os mesmos brahmanes eram então chamados para falar do futuro dessa criança, e isso fazia-se não somente para preparar os pais para o futuro sofrimento, mas bem como para remediar caso houvesse alguma previsão de infelicidade. Unindo nossa vontade com a vontade do Criador, surgem os “remédios astrológicos”, que vão desde o uso de pedras, sementes de Rudrakshas, canto de mantras até sacrifícios planetários, conhecidos pelo nome sânscrito Agni Hotra. Mais recentemente, podemos observar o uso de florais da nossa rica mata sendo utilizados para sanar deficiências causadas pelos maus posicionamentos de planetas e seus aspectos nefastos.

Dessa forma, ainda que você não receba apenas boas notícias em relação ao seu Karma, sempre existirá um meio pelo qual você poderá se adequar à vontade do Criador amenizando seu sofrimento.

Talvez esta carta mereça aqui um parêntese para que eu possa lhe explicar que a vontade do Criador não é trazer sofrimento, mas pelo contrário; A astrologia baseia-se na crença da reencarnação, assim sendo, colhemos nesta vida os frutos de outras existências e é por isso que devemos passar por determinadas situações nesta vida. Vendo o sofrimento do ser humano, o Senhor Shiva, que é um deus muito empático e caridoso conosco, chorou, e suas lágrimas se transformaram em Rudrakshas (Rudra: Shiva; Akshas: lágrimas), cada uma com um número de linhas exato e de consonância com os planetas. Já foi provado cientificamente a atuação das Rudrakshas sobre os batimentos cardíacos e as ondas cerebrais, mas mesmo antes disso, já se acreditava que as Rudrakshas detinham o poder de amenizar os raios maléficos dos planetas mau colocados, e com estes objetivos é que são utilizadas.

Quando você faz a leitura do seu mapa védico, possivelmente seria os mesmos escritos que você encontraria nos papiros daquela imensa biblioteca “da vida de todos os seres humanos”.

Por fim, tenho que ao menos mencionar sobre as muitas diferenças entre a astrologia ocidental e a astrologia védica. Não há espaço aqui para mencionar todas as diferenças, mas porquanto basta saber que há uma diferença técnica de 23  graus em relação à astrologia ocidental ou tropical, pelo motivo da precessão de equinócios, o que não é levado em consideração pela astrologia ocidental. Por isso, possivelmente você se verá em outros signos na astrologia védica. Nesta astrologia o planeta Sol não é o mais importante, como na astrologia tropical. Por isso, na Índia é muito mais comum perguntar em que constelação (nakshatra) você nasceu ao invés de perguntar qual é seu signo. Na astrologia védica o Sol somente lhe falará sobre seu ego, ou o tipo de sua alma (forma). O Ascendente e a Lua são muito mais importantes, bem como as suas constelações, como já dito. Ainda assim, uma astrologia não anula a outra, pois falam de coisas diferentes, uma mais relacionada com aspectos psicológicos e outra mais sobre considerações kármicas.

 

Desejos sinceros de profunda paz em seu coração. Espero que as informações aqui desveladas lhe sejam úteis em diversos sentidos. Em qualquer caso de dúvida, não hesite em me procurar.

santipriyagopi@yahoo.com.br

 

Hari Om

 

Shantipriya Gopi Devi (Sheila Drumond)

 

Obs.: Carta ao Consulente do Mapa Astral Védico (contém outras informações que foram suprimidas)

 

IGS Internacional comemora 25 anos de fundação! Milhares de Bhagavad-gitas – em 10 línguas – são distribuidos ao redor do mundo. Em linguagem não sectária, a IGS promove o Bhagavad-gita há 25 anos!

O fundador e nosso Acharya Sua Santidade Sri Ramananda Prasad, aos 90 anos de idade, pretente, com muito esforço, juntar devotos e simpatizantes para comemorar o jubileu da International Gita Society no próximo festival de Kubhamela na Índia. Eu queroooo!!!

Visite o site da IGS no ano de seu jubleu:

http://www.gita-society.com

http://www.gita.ddns.com.br (IGS Brasil)

“Mas grandes almas, Ó Arjuna, que possuem as qualidades divinas, conhecem-Me como o imutável – como sendo a causa material e eficiente da criação – e, simplesmente, Me adoram com amor e devoção.”

Bhagavad Gita 9:13

Om namo bhagavate Vasudevaya!

Omm

Pratique Yoga!

O Tridente de Shiva, chamado em sânscrito como Trishula, é a arma de Shiva com a qual Ele destrói a ignorância dos seres humanos. As três pontas representam as três qualidades (Gunas) da matéria: Inércia (Tamas), Movimento (Rajas) e Equilíbrio (Sattva). A busca do praticante começa em buscar Sattva e termina quando transcende todas as qualidades da matéria, quando, então, se atinge Moksha, a Libertação, que é objetivo final de toda prática verdadeiramente hindu.

dezembro 2017
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Hare Rama Krishna

Hari Om. Após o final da Dvápara Yuga, Sri Nárada Muní dirigiu-se pessoalmente ao Senhor Brahma, na ocasião do início da Kali Yuga -era das trevas - e perguntou-lhe: "óh! Bhagavan (mestre) como poderei na terra ser capaz de atravessar a Kali yuga?"
No que o Senhor Brahma lhe respondeu: "óh Sadhu, as Escrituras Sagradas mantém isso em segredo e oculto, e através do qual você vencerá o Samsára na Kali-Yuga; trata-se simplesmente do ato de reverenciar o nome do Senhor Primordial, Sri Narayana (Sri Krishna) através dos Santos Nomes.

O sábio Nárada mais uma vez perguntou: "Quais são esses nomes?, "no que Sri Brahma (Hyranyagarbha) respondeu-lhe: "Os Santos Nomes do Senhor, conforme dito nos Vedas, são:

Hare Rama Hare Rama Rama Rama Hare Hare
Hare Krishna Hare Krishna Krishna Krishna Hare Hare

Estes dezesseis nomes aniquilam os maus efeitos na Kali-Yuga, e não há meio melhores do que Eles, que possam ser vistos nos Srutis. Estes dezesseis nomes destróem a imobilidade do Jíva, rodeando-o com dezesseis raios (kalas). E tal qual a branca luz do sol dissipa as nuvens escuras, atuando como um círculo mágico protetor de todas as entidades vivas existentes, e assim desvelando o Parabrahman (o Absoluto).

Kalishantarana Upanishad

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Ganesha Shatakam Strotam – Mantra Védico para Ganesha

Narada disse:

Inclinando a cabeça, eu saúdo o Senhor removedor dos obstáculos, filho da divina Gauri; seu coração é a morada de todos seus devotos; medito, neste momento, em você, para que possam ser removidos todos os obstáculos ora no meu caminho.

Nomes de Ganesha através dos quais ele deve ser lembrado:

1 – Aquele que tem a tromba curva;

2 – Aquele que tem um dente;

3 – Aquele cujo veículo é um rato escuro;

4 – Aquele que tem a face de elefante;

5 – Aquele que tem um grande abdome;

6 – O grande;

7 – O rei dos obstáculos;

8 – Aquele que tem a cor escura;

9 – Aquele que tem a lua na testa;

10 – O removedor dos obstáculos;

11- O Senhor dos ganas, forças de Shiva;

12 – Aquele cuja forma é de elefante.

Ó Senhor, para aquelas pessoas que recitam os doze nomes três vezes ao dia (ao nascer do sol, ao meio dia e ao pôr-do-sol) que não haja medo de obstáculos e que tudo seja realizado.

Para aquele que deseja conhecimento, o conhecimento é adquirido. Para aquele que deseja riqueza, a riqueza é conquistada. Para aquele que deseja filhos, filhos serão alcançados. Para aquele que deseja libertação, os meios para ela serão encontrados.

Os versos de Ganesha devem se recitados durante seis meses, e o fruto será alcançado. Haverá sucesso no espaço de um ano, não há dúvida quanto a isso.

E tendo sido escrito, aquele que copiar os versos e distribuir a oito brahmanas conseguirá todos os conhecimentos, com as bençãos do Senhor Ganesha.

Assim, completam-se os versos encontrados no Shri Narada Purana ao Senhor Ganesha, para a destruição dos obstáculos.