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Há muito tempo atrás, li o livro famoso de Peter Kelder, intitulado “A Fonte da Juventude”. Numa historinha bem bacana, ele conta que um tal Coronel Bradford teria vivido no Tibet no início do século XX e lá, junto aos monges, descobriu o poder de 5 exercícios simples que o fez perder a barriga e escurecer os cabelos: os exercícios eram a verdadeira  fonte da juventude.

É dito que os movimentos dos 5 ritos estimulam os chakras, ou vértices de energia distribuídos pelo corpo, e com isso, tonificam e equilibram todo o sistema glandular através da contração e alongamento. Melhoram, pois, o tônus muscular e desenvolvem, aos poucos, a elasticidade, lubrificam as articulações e aumentam a flexibilidade. Quando praticada diariamente, a sequência aumenta a força física e mental, criando um estado de consciência alerta e tranqüilo ao mesmo tempo. Ainda é dito que os ritos aliviam o estresse nervoso, melhora a respiração e a digestão, beneficia o sistema cardiovascular e conduz a um profundo relaxamento e bem-estar.

Que eu saiba, ainda não há comprovações científicas sobre a eficácia da técnica sobre o rejuvenescimento. Mas, analisando a cinesiologia dos exercícios é possível observar que eles atuam sobre as glândulas, o que deve promover  um equilíbrio energético e, consequentemente físico e emocional. Você pode facilmente perceber os benefícios destas práticas no seu dia-a-dia, pois é muito fácil incorporar os ritos na rotina, tomando-lhe apenas alguns minutos.

O livro sugere que comecemos com a repetição de 7 vezes para cada exercício. Aumentando semanalmente, de 7 em 7 até chegar a 21 repetições.

Lá pela segunda parte do livro (que é pequenininho e dá pra ler pelo computador mesmo), Kelder ensina um sexto rito, capaz de transformar um homem num super-homem e uma mulher numa super-mulher. Os termos não são meus!! São dele mesmo! De fato ele ensina um antigo exercício de Yoga para concentrar mais energia dentro do corpo, chamado uddhyana bandha. Trata de tirar todo o ar do corpo e puxar o ventre para dentro e para cima, mantendo-se sem ar o quanto pode. ATENÇÃO, pratique com moderação, lembre-se que, como diz os Upanishads:

“Assim como os leões, elefantes e tigres são domados gradualmente, de igual maneira domina-se a respiração. De outro modo (procedendo com pressa ou empregando força excessiva), mata-se o praticante” (Sandilya Upanishad, 1)

Vou passar abaixo os links dos Ebooks dos dois livros de Kelder, para quem quiser se aprofundar.

Peço paciência aos leitores em relação aos outros link do blog: aos poucos to arrumando tudo ok!!

 

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Obs.: Se você vai praticar sem ler as instruções do livro esteja atento com RITO 1 – gira-se em sentido horário; Em todos os demais ritos: há movimentação intensa da cabeça, pressionando e alongando a garganta. É conveniente, entretanto, ler ATENTAMENTE as instruções do livro 1.

 

Peter Kelder – A Fonte da Juventude I

Peter Kelder – A Fonte da Juventude II

Confiram e depois me digam se deu certo! 😉

shiva India

A palavra sânscrita “tantra” tem muitos significados e sentidos. Seu emprego é amplo e diversificado. Entre os tantos significados da palavra Tantra, encontramos: “parte principal’, “teia”, “urdidura”, “enroladura”, “corda”, “modelo”, “tipo”, “sistema”, “moldura”, “doutrina”, “regra”, “teoria”, “trabalho científico”, etc. etc. Mas no nosso presente entendimento Tantra é um dos três passos necessários para o desenvolvimento espiritual, tendo em vista Moksha ou liberação do Samsara (roda de nascimentos e mortes). Isso quer dizer que o Sadhaka ou praticante deverá seguir um conjunto de sistemas ou passos que o irá levar para a liberação do Samsara, ou liberação da roda de nascimentos e mortes.

Na atual era em que estamos vivendo o tempo de vida é muito curto, de tal modo que não há muito tempo para técnicas de meditação que possam liberar numa vida. Também, técnicas que somente praticam adoração externa ou Puja externo não são eficientes. Tampouco a ação sem ter em vista o resultado ou o fruto do resultado do Karma é totalmente possível. Por isso, foi dado para a humanidade o Tantra, que é uma atividade prática e perfeitamente possível, inteiramente plausível, aqui e agora, dependente unicamente do praticante.Há três passos que fundamentam qualquer Sadhana Bhakti, a saber: Mantra, Yantra e Tantra. Todos devem iniciar com Mantra, de modo a ter uma prática regular na vocalização de um Mantra fornecido pelo Guru. A primeira forma de se aproximar ou introduzir-se na fé do Sanatana Dharma é Mantra. Este Mantra é dado pelo Guru, e deve ser seguido conforme a orientação que for dada por ele. Em seguida, o Sadhaka terá que direcionar-se para uma forma ou Saguna de Brahman. Este processo é dado num Yantra, que é a simbologia que está contida nas diversar formas e nos atributos da Deidade, seja na forma de uma imagem de barro, madeira, pedra ou metal. Também é usual a representação no símbolo, numa forma de Mandala, ou desenho que tenho significado e reúna dos atributos da Deidade e Seus passatempos ou Lilas. Por fim, no complemento da realização e do Sadhana, como o processo final de alcançar Moksa, vem Tantra.

Todo e qualquer Sadhana que não contenha os três passos será, evidentemente, um Sadhana incompleto. Por conseguinte, na não realização e execução destes passos o Sadhaka ficará parado ou estagnado num determinado momento. Estes três passos, Mantra, Yantra e Tantra, são necessários, devendo ser realizados nesta ordem ou conjuntamente. Apesar de serem passos distintos, e conterem em si determinados elementos peculiares, a ajuda de um Guru ou mestre espiritual é fundamental. Eis porque os textos sempre salientam a importância do Guru, bem como as orientações que são dadas por Ele, tendo em vista alcançar o progresso espiritual necessário. O Guru é aquele com quem confidenciamos nossa mente, não tendo nenhuma restrição para com Ele. Tudo deve ser compartilhado com o Guru, segundo o humor, tempo, lugar e circunstâncias. É por isso que se diz que quando o discípulo está pronto o Guru aparece. Do mesmo modo, quando o Guru está pronto o discípulo aparece, porque há um humor em cada Guru, que atrai um determinado conjunto e humor ou Rasa de discípulos. Está é uma característica muito peculiar no Sanatana Dharma, razão pela qual não é possivel classificar ou reunir o conjunto de práticas religiosas dos milhares de Gurus e mestres, num compêndio canônico como ocorre na Igreja Católica, por exemplo. A diversidade, a característica pessoal e dinâmica do processo de devoção, dentro de uma escola, e de acordo com o Rasa de um Guru, é a principal diferença entre uma religião estruturada e uma fé fundamentada na Filosofia prática.Por tradição do Tantra há três humores, Rasas, ou tipo de pessoas predominantes no mundo. O enfoque é dado na forma como o homem, especificamente, se comporta em relação ao sexo, segundo os três modos da natureza material, a saber: Rajas, Sattva e Tamas. Ao primeiro grupo pertencem aqueles de natureza da paixão. Também, são chamados de heróis o Viras, que têm na prática do Maithuna a porta e ponte para o desenvolvimento espiritual. São chamados heróis porque atuam naquilo que é considerado o perigo, ou o fogo, para uns; junto com os cinco elementos considerados proibidos. Convivendo em meio e para com aquilo que leva a maioria à ruína, devido a natureza doentia e inferior dos que estão no modo da ignorância, o herói é tal qual um Deva, este que está no modo da bondade ou Sattva, e este não precisa da via direta de acesso. Por sua vez, aqueles que estão no modo da ignorância ou Tamas, são também chamados de Pashus, ou do rebanho. Estes seguem a via comum, inferior, agem como simples animais reprodutores, e têm no sexo apenas uma forma de prazer mundano. A mulher, no mais das vezes, na visão do Pashu Bhava, é um “mal necessário”; a origem de todo o pecado; desencaminhadora do bem. Para o Pashu Bhava, a função da mulher é unicamente de gerar filhos, e é tão inferior como um animal ou o mais baixo dos sem castas. O humor de Sattva é aquele que está com os Devas, pessoas no modo da bondade, que não precisam da via direta para ter a energia de Kundalini no alto da cabeça.

Os três tipos de pessoas no mundo, segundo os modos da natureza material, então são: Pashus, pessoas comuns, que vivem em Tamas ou na ignorância; Viras, pessoas no modo de Rajas com o devido controle da energia seminal, e os Devas, que são os retirados da via direta. Os primeiros são maioria; os do meio e os últimos são minoria. Também, convém salientar que os que estão no modo de Sattva tiveram que passar, necessariamente, pelo modo da paixão. Portanto, Lutar contra as forças inferiores de Tamas e Rajas é um processo constante do herói, porque tem em vista alcançar o elevado estado além das três qualidades. Isso quer dizer que, no devido tempo, o herói alcança o estado além dos três modos da natureza, conforme está dito no Bhagavad-gita, pelo Senhor Krishna, nos seguintes versos, dirigidos para Arjuna:

traigunya visaya veda

nistrai gunyo bhavarjuna

nirdvandvo nitya sattva stho

niryoga ksema atmavan2.45

“Os Vedas dizem respeito às três qualidades materiais ou Gunas, ó Arjuna; determina-te além delas, num equilíbrio sem dualidades, pois o teu Ser não precisa deste pensamento de proteção”

O fato de alguém estar no modo de Sattva ou bondade não significa que está realizado, ou que está acima dos outros modos. Ele deve ir além; deverá transcender os três modos na natureza material, também. Por isso, não podemos dizer que este ou aquele modo está acima de um ou de outro. Ninguém pode vangloriar-se ou achar-se que está acima dos outros, simplesmente porque está atado no mundo material ao ciclo de nascimentos e mortes. Há vários estágios, vários humores, várias formas de alguém buscar a transcendência, e isso deverá ser feito de acordo com o humor e posição espiritual de cada um. Eis, mais uma vez, a importância do Guru para poder orientar os passos do discípulo, e assim trilhar com mais facilidade o caminho.

Swami Krsnapriyananda Saraswati

Quero dar início a uma série de artigos sobre grandes mestres – em especial aqueles que eu adimiro e/ou que sigo seus ensinamentos. Sim, são os meus mestres, àqueles que eu me ligo espiritualmente seja ao planejar ou para ministrar minhas aulas.

Tenho uma grande amiga que tem verdadeiro pavor da palavra “mestre”. Creio que ela pense que um mestre vai guiar cada passo da sua vida, o que implica um certo “controle”. Claro que se seu objetivo nesta vida for sair da roda do Samsára, ou seja, não encarnar mais neste mundo, ter um mestre que controle cada respiração sua é imprenscindível. Mas não é deste tipo de mestre que estou falando. Outro dia, numa conversa informal, perguntei à esta minha amiga: se você segue os ensinamentos de alguém o que você é? – E ela mesma respondeu: Discípulo! Pois bem. Estes mestres são àqueles que proveram conhecimentos poderosos, os quais eu sigo fielmente, e por isso os considero “meus mestres”.

Decidi começar por Krishnamacharya por dois motivos bem especiais: primeiro, ele é “o cara”, o maior e mais conhecido mestre de hatha yoga dos tempos modernos. Todos os mestres que temos referência de um trabalho bacana aprendeu yoga com Krishnamacharya: Desikachar, Iyengar, Pattabhi Jois, Indra Devi. O outro motivo, bem óbvio, é que estou lendo (pela terceira vez) o livro “Coração do Yoga”, de T.K.V. Desikachar, seu filho.

krishnamacharyacolorProvindo de Mysore, sul da Índia, Krishnamacharya não foi apenas um grande mestre de Yoga, mas um verdadeiro erudito das ciências védicas. Perito em sânscrito, viajou a Mãe Índia de Norte ao Sul, buscando conhecimento dos Dárshanas Yoga, Sámkhya, Mimansa, Vedanta, Nyaya, Vaisheshika. Ao se deparar com o grande poder curativo do Yoga, Krishnamacharya estudou também Ayurveda, o sistema de medicina védico.

É importante dizer que a tradição de Krishnamacharyajá vem de mestres ancestrais, como o famoso Nathamuni pertecente à tradição dos Natha, a origem do Hatha Yoga. Os ancestrais de Krishnamacharya eram tradicionalmente os conselheiros dos governantes. Conta Desikachar que naquela época, os conselheiros eram verdadeiros eruditos das ciências védicas e eram responsáveis por dizer o que era certo ou errado aos governantes.

O Yoga de Krishnamacharya é bem diferente do que hoje encontramos por aí. Krishnamacharya, adepto do Advaita Vedanta e devoto de Sri Krishna, acreditava que as pessoas não deveriam se adaptar ao yoga, mas a prática de Yoga é que deveria ser adaptada para as necessidades de cada pessoa. Não que, com isso, deveria somente dar aulas personalizadas e particulares, mas que deveríamos, isso sim, criar uma atmosfera na aula de Yoga onde cada pessoa pudesse encontrar seu próprio caminho no Yoga.

Sobre a cura com Yoga, Krishnamacharya também considerava a singularidade da pessoa, de acordo com sua constituição, como denota o Ayurveda. Para cada caso, um “remédio” diferente: às vezes um ásana, às vezes um pranayama, às vezes apenas uma oração, e ainda havia os casos em que ele recomendava que a pessoa parasse com sua prática  e logo a cura acontecia.

Então essa é a origem do Yoga que conhecemos: um Yoga curativo, personalizado, que atende às necessidades particulares e individuais, exercendo, assim, seu poder com maestria.

Namastê!

Namastê!

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A palavra “Yoga” vem da raiz sânscrita “Yuj”, a qual significa “unir”. Este é um sentido espiritual; é um processo pelo qual a identidade da alma individual, e a Alma Suprema, é realizado pelo Yogi (praticante de Yoga); onde a alma humana introduz-se internamente em comunhão com a Realidade Divina. Assim como a cânfora se torna una com o fogo, assim como um gota d’água quando é jogada dentro do Oceano torna-se una com ele, a alma individual, quando purificada, quando está liberada da luxúria, avareza, ódio e egoísmo, quando ela se torna pura (Sattvica), torna-se una com a Alma Suprema. A ciência que ensina o caminho para conseguir o conhecimento oculto é chamada de “Yoga Sastra”.

Yoga, no seu sentido genérico, refere-se a Karma-Yoga, Bhakti-Yoga, Raja-Yoga, Jñana-Yoga, Hatha-Yoga, Mantra-Yoga, Laya-Yoga ou Kundalini-Yoga. No sentido restrito, significa Ashtanga-Yoga, ou Raja-Yoga, de Patañjali Maharishii, apenas.

A palavra Yoga é também aplicável no sentido secundário para todos os fatores e práticas que conduzem para a realização ou concretização do Yoga, e, como tal, indiretamente conduzem para a liberação ou perfeição final. Similarmente, aquele que tem alcançado o Asamprajñata Samadhi final, ou união com a Realidade, é chamado de Yogi, assim como aquele que está tentando adquirir a perfeição no Yoga é também chamado de Yogi.

A filosofia do Yoga é um entre os seis sistemas de filosofias Hindus. Diferente de muitas outras filosofias no mundo, ela é uma filosofia inteiramente prática. O Yoga é uma ciência exata, baseada em certas leis imutáveis da Natureza. Ele é bem conhecido pelas pessoas de todo o mundo, interessadas no estudo da civilização e cultura do Oriente, assegurando no respeito e na reverência nos seus conteúdos na chave mestra que abre as portas do reino da Paz, da Bem-aventurança, do Mistério e do Milagre. Até mesmo os filósofos do Ocidente encontram consolo e paz nesta Ciência Divina. Jesus Cristo, em si mesmo, foi um Yogi, de uma ordem superior, um verdadeiro Raja-Yogi. O considerado fundador do Yoga, Patañjali Maharishi, não foi unicamente um filósofo e um Yogi, mas um médico também. Ele viveu três mil anos antes de Jesus Cristo.

O Yoga é um estado de Paz Absoluta, de tal maneira que não há nenhuma fantasia nem pensamentos. O Yoga é o controle da mente e de suas modificações. O Yoga nos ensina como controlar as alterações da mente e obter a liberação. Ele nos ensina como transmutar a natureza pecadora e alcançar o estado de Divindade. Ele é a completa supressão da tendência da mente transformar em si mesma no interior dos objetos dos sentidos, pensamentos, etc. O Yoga extermina toda a espécie de dores, misérias e tribulações. Ele dá a você a liberação da roda de nascimentos e mortes (Samsara); e dos seus conseqüentes malefícios, doença e velhice, etc., e concede a você todos os poderes Divinos e a liberação final, por intermédio do conhecimento superintuicional.

Yoga é eqüanimidade. Yoga é serenidade. A destreza nas ações é Yoga. Qualquer coisa, de melhor e mais elevada pode ser realizada na vida é, também, Yoga. O Yoga é, desta forma, o que tudo abraça, o que tudo inclui, e a sua aplicação universal conduz ao desenvolvimento de todas as qualidades do corpo, da mente é da alma,

Primariamente, o Yoga é um estilo de vida, não é alguma coisa pela qual se separa da vida. Yoga não é o abandono da ação, mas a sua execução eficiente, de boa vontade. Yoga não o fugir de casa e da habitação humana, mas um processo de modelagem das atitudes de alguém na sua casa, na sociedade, com um novo entendimento. Yoga não é afastar-se da vida, é a espiritualização da vida.

Desde ontem, quando tive um contato espiritual muito importante com uma certa mulher, ainda misteriosa pra mim, tenho refletido sobre o verdadeiro significado do Hatha Yoga. Hatha Yoga é comumente traduzido como o yoga físico, o yoga do corpo e ainda o yoga do esforço violento. A meu ver, todas essas traduções são de péssimo gosto e contribuem ainda mais para denegrir a imagem do hatha yoga.

Tenho uma visão particular do Yoga em si. Só consigo ver o Yoga como um caminho espiritual, cujas técnicas configuram num mapa para a auto-realização ou iluminação – moksha. Neste sentido, Hatha Yoga é o caminho da união de Ha e Tha, Sol e Lua, em referência às nadis Ida e Pingala, dois canais sutis muito importantes, por onde circula a energia sutil ou prana. É dito nos textos sagrados que a energia primordial (kundalini) só ascende quando Ida e Pingala (ha e tha) estão em perfeito equilíbrio. Só que num ser humano “normal” elas nunca estão em equilíbrio e isso pode ser atestado por diversos fatores.

Ida e Pingala frequentemente estão associadas ao sistema nervoso simpático e parassimpático, mas também com os lados direito e esquerdo do corpo. Assim sendo, os famosos “desvios posturais” podem, por vezes, demonstrar o hiperfuncionamento de um dos canais e frequentemente o fazem. Tenho observado isso ao longo desses anos dando aulas de yoga. Sempre faço um exame físico no aluno, para ver os vícios posturais e, com o yoga, tentar consertá-los na prática do dia a dia. Conversando com o aluno, atesto seu funcionamento psico-emocional, sempre relacionado com o hiperfuncionamento de uma das nadis, e sempre bateu. Não é uma coisa do tipo” pode ser que”, eu vi com os meus própios olhos e atestei através da minha prática como instrutora. Talvez, mais para frente, eu faça um estudo científico sobre isso, pois na psicologia isso é de muita relevância.

Pois bem. Os desvios posturais, como chamamos, têm relação com o funcionamento da psique e da emoção de uma pessoa, o que está estreitamente ligado ao funcionamento de uma ou outra nadi. Sendo assim, o trabalho do hatha yoga é equilibrar essa disfunção através de posturas psicofísicas e também através de determinados kriyas, pranayamas. As técnicas mais “sutis” servem mesmo para preparar o praticante para o despertar em si. Mas veja: o despertar não é possível enquanto não houver a união de Ha e Tha. Nada mais energético.

Ainda não falamos dos sistemas de chakras, os centros que captam, transformam e distribuem energia. Os desvios posturais também têm relação com o hiper ou hipo funcionamento de determinado chakra e isso é atestado após um estudo cuidadoso do praticante. Diversos problemas físicos (psicossomáticos) advém do funcionamento inadequado dos chakras, o que também harmonizamos através do hatha yoga (em seu sentido mais amplo, pois há abordagens que lidam diretamente com esta questão, como o Dakshina Tantra Yoga).

Então, da próxima vez que pensar em Hatha Yoga, esqueça o corpo, o esforço e concentre-se na energia e no seu fluxo desta energia dentro do seu corpo. Sinta primeiro no físico, e logo os resultados se farão presentes também na mente.

Om Shanti Shanti Shantihi

Hari OM

O Hatha Yoga surgiu de uma grande novidade advinda de uma corrente filosófica que influenciou e continua influenciando até os dias atuais, toda cultura indiana: o Tantra. O que caracterizou o estilo de Hatha Yoga é a nova concepção de corpo que o Tantra traz, de que o corpo é considerado basicamente como um objeto impuro que precisa passar por um processo alquímico para se transformar num templo divino e refletir a morada de Deus. O Hatha Yoga é, portanto, esse processo alquímico. Explica Feuerstein (2006), que o auge deste movimento ocorreu entre os séculos VIII e XII, e ficou conhecido como “o Movimento dos Siddhas“. Explica o autor:

O nome siddha significa ‘realizado’ ou ‘perfeito’ e refere-se ao adepto do Tantra que alcançou a iluminação, ou seja, a perfeição (siddhi) suprema, e possui também poderes paranormais (siddhi) de todo tipo. (…) O siddha é um alquimista espiritual que opera sobre a matéria impura, o corpo-mente do ser humano, e a transmuta em ouro puro, na essência espiritual imortal. Entretanto, diz-se que ele é capaz também de transmutar literalmente a matéria (…) (FEUERSTEIN, 2006, p. 463)

Do movimento Siddha, as escolas mais importantes foram a dos Náthas e dos Maheshvaras, que residiam ao norte e ao sul, respectivamente. De forma geral, a tradição hindu atribui a criação do Hatha Yoga à Goraksha-Nátha e seu mestre, Matsyendra-Nátha, ambos nascidos em Bengala. Feuerstein (2006), acredita que Matsyendra-Nátha tenha vivido antes da metade do século X d.C. Embora esses dois Náthas sejam considerados precursores do Hatha Yoga, o próprio Senhor Shiva é tido como criador da linhagem Nátha.

O Hatha Yoga Pradipiká (I:5-9) descreve a tradição discipular do Hatha Vidya com os seguintes mestres: Shiva, Matsyendra, Shábara, Anandabhairava, Chaurangi, Mina, Goraksha, Virupaksa, Bileshaya, Manthána, Bhairava, Siddhi, Buddha, Kanthadi, Korantaka, Suránanda, Siddhipáda, Charpati, Káneri, Pújyapáda, Nityanatha, Nirañjana, Kapáli, Vindunatha, Kakachandísvara, Alláma, Prabhudeva, Ghodácholi, Tintini, Bhánukin, Náradeva, Khanda, Kápálika e ainda afirma que há muitos outros mahasiddhas[1].

No ocidente, o Hatha Yoga surgiu na década de 1920 e é hoje o mais praticado de todos os ramos do Yoga, com dezenas de milhares de adeptos. Na viagem que o trouxe da Índia Medieval, o Hatha Yoga sofreu inúmeras transmutações. As adaptações mais significativas foram feitas na ultima década a fim de atender às necessidades dos praticantes ocidentais. A prática, tal como chegou até nós em seus primórdios, tiveram os seguintes mestres: Swami Kuvalayananda (1883-1966), Swami Sivananda (1887 – 1963), T.S. Krishnamacharya (1887-1998), Swami Shyam Sundar Goswami (1891-1978), Shri Yogendra (1897-1989), Selvajaran Yesudian (1916-1998), Swami Gitananda Giri (1907-1993), entre outros (FEUERSTEIN, 2005).

O mais influente deles foi Krishnamacharya, que ensinou seu filho T.K.V. Desikachar (Vinyoga), seus cunhados B.K.S. Iyengar (Iyengar Yoga) e Pattabhi Jois (Ashtanga Vinyasa Yoga), e Indra Devi. Todos eles vieram a apresentar diferentes estilos de Hatha Yoga e, por isso, Krishnamacharya é considerado o autor do renascimento do Hatha Yoga nos tempos modernos.

O segundo de maior influência foi Swami Sivananda, médico que renunciou ao mundo e formou numerosos discípulos, entre eles Swami Satyananda (Yoga Bihar), Swami Sivananda Radha (Hatha Yoga da linguagem Oculta), Swami Vishnudevananda (Sivananda Yoga) e Swami Satchidananda.

Enfim o Hatha Yoga se desenvolveu de determinada maneira que hoje podemos encontrar um número cada vez mais crescente de estilos de prática. As mais importantes delas foram citadas por Feuerstein (2005), que tabelamos a seguir, com a visualização de suas principais características.

QUADRO 9 – Estilos de Hatha Yoga

ESTILO DE HATHA YOGA CARACTERISTICAS PRINCIPAIS
Iyengar Yoga

(B.K.S. Iyengar)

É caracterizado pela precisão na execução de posturas psico-físicas e pelo uso de vários instrumentos auxiliadores, como faixas, blocos, etc.
Ashtanga Vinyasa Yoga

(Pattabhi Jois)

A principal característica é o vinyasa, uma série de movimentos que funciona como um pente energético que limpa o corpo entre uma postura e outra.
Bikram Yoga

(Bikram Choudhury)

Sistema composto por 26 posturas que são executadas numa seqüência padronizada numa sala aquecida a 38 a 43° centígrados.
Yoga Integral

(Swami Satchidananda)

Integra diversos aspectos do corpo-mente por meio de uma combinação de posturas, técnicas de respiração, relaxamento profundo e meditação.
Kripalu Yoga

(Swami Kripalvananda)

É um Yoga de três estágios especialmente adaptado às necessidades dos praticantes ocidentais.
Vinyoga

(T. K. V. Desikachar)

Trabalha com um “processo seqüencial”, em que a respiração é deliberadamente coordenada com as posturas.
Sivananda Yoga

(Swami Vishnudevananda)

Sua prática inclui a seqüência de Saudação ao Sol e mais uma série de 12 posturas; contém exercícios respiratórios, relaxamento e recitação de mantras.
Ananda Yoga

(Swami Kriyananda)

Sua principal característica são as afirmações ligadas às posturas e também os singulares exercícios de energização.
Kundalini Yoga

(Yogi Bhajan)

O objetivo desse estilo é o despertar da força kundalini através de posturas, controle da respiração, recitação de cânticos e meditação.
Yoga da Linguagem Oculta

(Swami Sivananda Radha)

Busca o autoconhecimento através da exploração do simbolismo intrínseco das posturas.
Yoga Somático

(Eleanor Criswell-Hanna)

Busca o desenvolvimento corpo-mente através de uma abordagem que integra os princípios yogues tradicionais e as modernas pesquisas psicofisiológicas.
Anusara Yoga

(John Friend)

É descrita como o Yoga orientado pelo coração, inspiração espiritual, fundamentada num profundo conhecimento externo e interno do alinhamento do corpo.
Tri Yoga

(Kali Ray)

Combinam o ato de fluir e sustentar posturas enfatizando movimentos de ondulação da coluna, economia de movimento e sincronização de respiração e mudrá.
Jivamukti Yoga (Power Yoga)

(Sharon Gannon e David Life)

Utiliza uma prática física vigorosa combinada com os fundamentos filosóficos igualmente fortes das tradições antigas do Yoga, Vedanta e metafísica.
Ishta Yoga

(Mani Finger)

Mescla a filosofia de outras vertentes, como o hatha, o tantra e a ayurveda.

Fonte: FEUERSTEIN, G. 2005, p. 53-55


[1] KUPFER, P., obra disponível na internet em: http://www.yoga.pro.br/artigos.php?cod=76&secao=3035, 25 de agosto de 2007, 16:20.

Traçar uma história do Yoga é uma tarefa difícil. Como afirma Campbell (1987), uma reconstrução histórica a partir dos elementos que temos disponíveis (achados arqueológicos e uns poucos textos antigos, sendo que a maioria encontra-se perdido) é em vão, pois constituem apenas hipóteses e deduções de um tempo passado. Prova disso é que ainda hoje surgem tanto novas descobertas acerca da civilização arcaica da Índia, quanto novas teorias sobre do que teria ocorrido naquele tempo. Entretanto, para podermos visualizar o contexto no qual surgiu o Yoga, aderimos à visão cronológica de Feuerstein (2006) que conta na obra “A Tradição do Yoga“, onde conferiu fases ao desenvolvimento da história do Yoga, partindo desde o tempo arcaico até a época moderna. Na obra intitulada “Uma Visão Profunda do Yoga“, este autor apresenta uma classificação histórica do Yoga a partir de seu legado literário, onde distingue quatro categorias que vai do Yoga Arcaico ao Pós-Clássico.  Pode-se aqui contemplar os diversos sentidos que o Yoga foi tomando e absorvendo ao longo do tempo a partir de sua obra sagrada.

O Yoga Arcaico, ou Proto-Yoga, corresponde ao período inicial, cuja tentativa de reconstrução histórica baseou-se nos achados arqueológicos das cidades da antiga civilização do Indo e em elementos encontrados nos hinos dos Vedas. Os objetos encontrados, por si só, não são suficientes para deduzir o tipo de Yoga praticado naquele tempo, mas, se interpretados de acordo com os hinos védicos, nos deparamos com uma civilização de cultura rica em rituais. Feuerstein (2004) diz que “(…) parece provável que o Yoga nasceu do xamanismo do tempo das cavernas. Não sabemos, no entanto, nada sobre os estágios que levaram do xamanismo ao Yoga.” (p.10). A primeira vez que a palavra Yoga aparece é no hino do Rig Veda, onde possuía o sentido de ‘aplicação’ e era um dos recursos utilizados nesses rituais. De acordo com Tinoco (obra disponível na internet[1]), o Proto-Yoga era constituído de técnicas como a meditação em sons mântricos, a concentração da mente e o controle da respiração, em virtude do cantar dos hinos sob regras rigorosas; a invocação dos deuses, posturas físicas (geralmente posições sentadas para que a iluminação fosse possível) e apreensão de uma realidade transcendental (samádhi). As escrituras desta época compreendem os quatro Vedas, bem como os textos Brahmanas e Aranyakas que foram baseados nos quatro hinos. É fato aceitável hoje que o mais antigo dos Vedas, o Rig Veda, foi composto no terceiro ou quarto milênio a.C.

O Yoga Pré-Clássico teve sua fase iniciada pela produção das primeiras Upanishads (por volta de 1.500 a.C.). Em geral, ensinam diversas versões do Sámkhya Yoga, idéia central que já era presente no Rig Veda, mas que foi desenvolvida plenamente nas Upanishads. As Upanishads são textos filosóficos cujo tema central é a natureza mais intima do ser humano, a natureza do Absoluto (Brahman) e o processo de evolução espiritual. Existem Upanishads tardias, datadas entre os séculos X e VII a.C., e Upanishads mais recentes. As que falam diretamente sobre o Yoga foram produzidas d.C. Há uma importante mudança que se destaca aqui em relação ao Yoga Arcaico: a internalização dos rituais que deu procedência a uma espécie de “tecnologia contemplativa” ou meditação. Este é um marco importante do desenvolvimento da concepção de Yoga, pois aqui temos a origem da prática com sentido controle da mente e dos sentidos ou de caminho espiritual. Das Upanishads tardias que citam o termo Yoga temos a Brihad-Aranyaka-, Chandogya- e Taittiriya Upanishads, onde se nota uma certa familiaridade com este sentido de disciplina espiritual, embora não tenha esse mesmo sentido técnico. A obra mais antiga que empregou tal acepção foi a Katha Upanishad, que delineia as principais práticas e técnicas do Yoga.  As Upanishads Svestasvatara e Maitri, mais novas em sua composição, evidenciam o estágio subseqüente na evolução do Yoga.

A Katha Upanishad (1.000 a.C.[2]) narra um diálogo entre Yama, o Deus da Morte, e Nachiketas, um menino brâhmane, onde é exposto o segredo da imortalidade cujo caminho é o Yoga. Vemos nos versos do terceiro capítulo:

Quando os cinco sentidos concentram-se junto com a mente, e quando o intelecto não se movimenta, produzindo divagações, então a pessoa alcança o Supremo Estado, uma condição de concentração serena e penetrante. (III:10)

Esse estado, caracterizado por firme controle dos sentidos é obtido pela prática do Yoga. Quem assim procede torna-se vigilante. (III:11)

(Trad. TINOCO, 1996, p. 165)

Já na Svestasvatara Upanishad (II:8-10) podem ser encontradas instruções diretas sobre a prática do Yoga:

O homem sábio mantém seu corpo firme, com as três partes eretas (cabeça, pescoço e tronco) e com a ajuda da mente, volta seus sentidos para o coração e com a ajuda da balsa de Brahman, atravessa a torrente assustadora do mundo.

O yogin que possui esforço espiritual bem controlado, consegue regular os Pránas; quando eles estão sob controle, o yogin respira pelas narinas. Então, ele, concentrado, mantém fixa sua mente como o controlador da carruagem controla os cavalos rebeldes.

O Yoga deve ser praticado dentro de uma caverna, protegendo-se dos ventos fortes, ou em local puro, plano, sem seixos e fogo, sem perturbações de barulho, seco, não agressivo e prazeroso aos olhos.

(Trad. TINOCO, 1996, p.305-306)

Na Maitri Upanishad (VI:25) vemos claramente a definição de Yoga com os propósitos acima mencionados: “A unificação (estabilização) da respiração, da mente, e dos (órgãos dos) sentidos e o abandono de todas as formas de existência, isto é chamado de Yoga“. (Trad. TINOCO, 2005, p.40)

O principal texto do Yoga Pré-Clássico é o Bhagavad Gita, que está contido no Mahábhárata, o grande épico hindu. Considerado o maior livro de Yoga, a Gita narra o diálogo entre Krishna, o Senhor Supremo, e Arjuna, um guerreiro que enfrenta um dilema diante da batalha de Kurukshetra, onde teve que lutar contra seus próprios parentes e amigos. A Gita expõe quatro “tipos” de Yoga: Sánkhya, o Yoga do discernimento; Karma, o Yoga da ação; Jñana, o Yoga do conhecimento; e Bhakti, o Yoga da devoção. Nesta época também se pode notar uma nova mudança no conceito de Yoga, que já era amplamente utilizado para designar uma disciplina espiritual que incluía diferentes caminhos para a auto-realização. Outros textos importantes contidos no Mahábhárata são o Moksha-Dharma e Anú-Gita, ambos exemplos de textos pré-clássicos.

Também faz parte desta época o épico Ramayana, que trata, sobretudo, os ensinamentos que giram em torno do valor fundamental do dharma, ou seja, da moral e da conduta virtuosa. Apresenta ensinamentos yogues sob o nome de tapas, ou “ascese”.

O Yoga Clássico inicia por volta de II d.C. e fica marcado pela compilação do conhecimento do Yoga por Patañjali em seu Yoga Sutra, marco este que vinculou o Yoga no sistema ortodoxo hindu, passando agora a ser uma escola filosófica (dárshana), cuja prática confere uma ‘visão de mundo’.  Os Sutras de Patañjali falam de um Yoga composto de oito membros, ressaltando as regras morais de conduta e enfatizando as práticas contemplativas. O Yoga é concebido como controle mental, conceito que pode ser claramente visto no sutra I:2 onde diz que “Yoga é a contenção das flutuações da consciência” (Trad. FEUERSTEIN, 2006, p. 276). A obra é um grande tratado sobre a consciência e suas modificações, fala sobre os obstáculos do caminho espiritual e o modo como podemos transpassá-los.

O Yoga Pós-Clássico é considerado uma extensão do Yoga clássico, abrange o período que vai do século II ao XIX d.C., porém caracterizado por uma visão monista. Foram produzidos os textos tântricos, que influenciaram as Upanishads que tratam diretamente sobre o Yoga, sendo que as datas de composição se situam entre os séculos VII e XVI d.C., aproximadamente, e também com a mesma influência, surge o Hatha Yoga e suas escrituras entre os séculos X e XI d.C. Além disso, foram produzidos os Puranas, os escritos vedânticos como o Yoga-Vasishtha e a literatura do bhakti marga, ou caminho devocional.

O Yoga Moderno tem sua fase iniciada por volta de 1.900 d.C. Seus mestres ou Gurus são Sri Aurobindo, do Yoga Integral, Sri Yukteswar Giri, mestre espiritual de Paramahansa Yogananda, fundador da Self Realization Fellowship em Los Angeles e difusor do Laya Yoga; Sri Ramana Mahashi (1879-1950), o mestre da montanha de Arunachala que recomendava meditar na idéia “Quem sou Eu?”; B.K.S Iyengar, mestre do Hatha Yoga; Swami Muktananda (1908-1983), siddha yogin discípulo de Swami Nytiananda e adepto do Kundalini Yoga e vários outros.


[1] Tinoco, C. A. História do Yoga, http://www.tinoco.cjb.net, 25 de outubro de 2007, 15:33

[2] Segundo a cronologia de Feuerstein, 2006.

É por isso que dizem que o Yoga é uma chave que cabe em qualquer fechadura!!!

QUADRO 5 – Os 40 tipos de Yoga

TIPOS DE YOGA

APRESENTAÇÃO

Abháva Yoga Conceito encontrado nos Puranas; é o yoga do não-ser, ou a prática yogue superior de imersão no Si Mesmo sem nenhum apoio,como um mantra.
Adhyátma Yoga É o Yoga do ser íntimo; muitos dizem ser este o Yoga característico das Upanishads.
Agni Yoga O Yoga do fogo, que provoca o despertar do poder da kundaliní por meio da ação conjunta da mente e da força vital (prána).
Ashtanga Yoga O Yoga dos oito membros codificado por Patañjali. Também é chamado de Raja Yoga, Patañjala Yoga ou Yoga Clássico.
Asparsha Yoga Yoga da intangibilidade ou do “não-contato”, o Yoga não dualista exposto por Gaupada no Mandukya Karika.
Bhakti Yoga Yoga do amor e da devoção, exposto na Bhagavad Gita, no Bhagavata Purana, no Shvetasshvatara Upanishad e em muitos textos sagrados do Vaishnavismo e Shaivismo.
Buddhi Yoga O yoga da mente superior,mencionado pela primeira vez no Bhagavad Gita.
Dhyána Yoga Yoga da meditação.
Ghatastha Yoga Yoga do “jarro” (ghata), que significa corpo; sinônimo do Hatha Yoga, como mencionado no Gheranda Samhita.
Guru Yoga Yoga relativo ao mestre, fundamental em quase todas as formas de yoga.
Hatha Yoga Yoga da força ou do vigor (relativo ao poder de kundaliní shakti).
Hiranyagarbha Yoga O yoga de Hiranyagarbha, considerado o fundador da tradição yogue.
Japa Yoga O yoga da recitação de mantras.
Jñana Yoga O yoga da sabedoria discriminativa, que é o ponto de vista das Upanishads.
Karma Yoga Yoga da ação auto-transcendente, ensinada pela primeira vez de modo explícito na Bhagavad Gita.
Kaula Yoga O yoga da escola Kaula, um tipo de Yoga tântrico.
Kriya Yoga Yoga do ritual e também a prática conjunta da ascese, do estudo e da adoração do Senhor mencionada no Yoga Sutra de Patañjali.
Kundaliní Yoga O Yoga do poder da kundaliní, que é fundamental para toda a tradição tântrica, inclusive o Hatha Yoga.
Lambika Yoga O Yoga da úvula que é deliberadamente estimulada nesta técnica yogue para aumentar o fluxo do ‘néctar’ (amrita), cujo aspecto externo é a saliva.
Laya Yoga O yoga da reabsorção ou dissolução dos elementos sutis antes da dissolução natural que vem com a morte.
Maha Yoga O grande yoga, conceito encontrado no Yoga Shikha Upanishad, onde se refere à prática conjunta de Mantra Yoga, Laya Yoga, Raja Yoga e Hatha Yoga.
Mantra Yoga Yoga dos sons sagrados que ajudam a proteger a mente; faz parte da tradição yogue desde os tempos védicos.
Náda Yoga Yoga do som interior, prática estreitamente ligada ao Hatha Yoga tradicional.
Pancadashanga Yoga Yoga dos quinze membros;
Pashupata Yoga Yoga da seita de Pashupata, exposta em alguns Puranas.
Patañjala Yoga Yoga de Patañjali, conhecida como Raja Yoga ou Yoga darshana.
Purna Yoga Yoga da totalidade ou integração, é o nome do Yoga Integral de Sri Aurobindo.
Raja Yoga O Yoga de Patañjali.
Samádhi Yoga Yoga do êxtase.
Sámkhya Yoga Yoga da intuição, que dá nome a certas doutrinas e escolas de libertação mencionadas no Mahábhárata.
Samnyása Yoga Yoga da renuncia ao mundo, contraposta ao Karma Yoga.
Samputa Yoga Yoga da união sexual (maithuna) no Tantra Yoga.
Samrambha Yoga Yoga do ódio mencionada no Vishnu Purana, que ilustra o profundo princípio yogue de que a pessoa se torna aquilo que ela contempla constantemente.
Saptanga Yoga O Yoga dos sete membros descrito no Gheranda Samhita.
Shadanga Yoga Yoga de seis membros exposto no Maitrayaniya Upanishad.
Siddha Yoga Yoga dos adeptos, conceito encontrado em alguns Tantras.
Sparsha Yoga Yoga do contato. De origem védica é mencionado no Shiva Purana, que associa a recitação de mantras ao controle da respiração.
Tantra Yoga O Yoga dos Tantras está baseado no despertar do poder da Kundaliní.
Taraka Yoga Yoga do “Libertador”, um yoga medieval baseado em certos fenômenos luminosos.
Yantra Yoga Yoga da concentração da mente em formas geométricas (yantra) do cosmos.

Fonte: Uma Visão Profunda do Yoga. FEUERSTEIN, G. 2005, p. 42-43

Abaixo segue a listagem dos textos de Hatha Yoga, conforme propôs Prof. Tinoco.

QUADRO – Textos Védicos sobre Hatha Yoga

TEXTO AUTOR DATA PROVÁVEL
Yoga Sutra Patañjali Séc. II a.C.
Upanishads do Yoga Diversos Séc. (?) d.C.
Yoga Bhasya Vyasa Séc. VII d.C.
Tattva-Vaisharadi Vacaspati Mishra Séc. IX d.C.
Goraksha-Shataka Gorakshanatha Séc. X d.C.
Yoga Varttika Vijnana Bhiksu Séc. XVI d.C.
Hatha Yoga Pradipiká Svatmarana Séc. SVI d.C.
Maniprabha Ramananda Saraswati Séc. XVIII d.C.
Shiva Samhita (?) (?)
Gheranda Samhita (?) (?)

Fonte: TINOCO, C.A. 1996, p. 113

QUADRO  – As Upanishads do Yoga

NOME

RAMO DO VEDA

TRADUÇÃO

1

YOGA CHUDAMANI

Sama Veda

Suprema Jóia do Yoga

2

MAHAVAKYA

Atharva Veda

Grande Provérbio

3

DHYANABINDU

Yajur Veda Negro

Ponto de Meditação

4

NÁDABINDU

Rig Veda

Ponto Sonoro

5

ADVAYATARAKA

Yajur Veda Branco

Libertador não Dual

6

MANDALA BRAHMANA

Yajur Veda Branco

Mandala Brahmânica

7

BRAHMAVIDYA

Yajur Veda Negro

Conhecimento de Brahman

8

TRISHIKHABRAHMANA

Yajur Veda Negro

Três Trufos

9

AMRITABINDU

Yajur Veda Negro

Gota de Ambrósia

10

AMRITA-NÁDA-BINDU

Yajur Veda Negro

Som Imortal

11

KSHURIKA

Yajur Veda Negro

Navalha

12

DARSHANA

Sama Veda

Pontos de Vista

13

PASUPATABRAHMANA

Atharva Veda

Shiva, o Senhor dos animais

14

YOGAKUNDALINI

Yajur Veda Negro

Kundaliní Yoga

15

YOGASHIKA

Yajur Veda Negro

Cume do Yoga

16

YOGATATTVA

Yajur Veda Negro

Princípios do Yoga

17

TEJOBINDU

Yajur Veda Negro

Ponto Radiante

18

VARAHA

Yajur Veda Negro

Javali

19

HAMSA

Yajur Veda Branco

Cisne

20

SHANDILYA

Atharva Veda

Nome de um Mestre

Fonte: TINOCO, C.A. História do Yoga, obra disponível pela internet[1]


[1] Tinoco, C. A. História do Yoga, http://www.tinoco.cjb.net, 25 de outubro de 2007, 15:33

Hatha significa “forte” ou “força”, significado que alude à força interior da Kundaliní. Esse ramo de Yoga é associado com Matsyendra Nátha e Goraksha Nata, considerados dois mestres perfeitos ou siddhas, e constitui um desenvolvimento medieval do yoga tântrico. A realização do Si Mesmo é atingida por meio do veículo físico e de sua matriz energética (prânica). Na verdade, é através do corpo físico que se consegue manipular essa matriz prânica, e aqui se justifica a importância que este sistema dá ao modelo de anatomo-fisiologia sutil, que veio do Tantra. As disciplinas no Hatha Yoga foram elaboradas para provocar a manifestação da Realidade última no corpo e na mente dos seres humanos. Essas disciplinas dão muita ênfase nas práticas psico-físicas e de controle do alento, mas também consideram igualmente importantes o trabalho de retração dos sentidos, concentração, meditação e fusão ou êxtase (samádhi). Também são muito importantes os processos de purificações do corpo e, por conseguinte, dos canais sutis, local onde a força vital circula. Quando a força vital é dominada através do controle da respiração (coisa que só é possível se os canais estiverem purificados), a mente também é dominada, já que mente e a respiração estão estreitamente ligados. Então, com a mente subjugada, torna-se possível o cultivo de práticas superiores que levam à fusão extática com o objeto de contemplação. Algumas autoridades afirmam que o Hatha Yoga é um mero apêndice do Raja Yoga, mas Feuerstein (2005), defende que pela sua estrutura de prática (sádhana), o Hatha Yoga constitui um caminho autônomo para a Libertação.

Encontramos uma ótima descrição para Hatha Yoga em Blay (2004):

“A técnica de integração ou unificação natural do homem mediante: a progressiva purificação do corpo, o desenvolvimento de suas potencialidades, a perfeição de seu funcionamento, e a crescente integração da mente com ele, de tal modo que, mediante a regularização do ritmo e do tônus fisiológico, determinam-se automaticamente certos estados de consciência desejados, e vice-versa, dado um estado mental determinado, o corpo reage com uma adaptação perfeita e imediata, tanto em seu funcionamento interno como externo.” (BLAY, 2005, p.31)

Pratique Yoga!

O Tridente de Shiva, chamado em sânscrito como Trishula, é a arma de Shiva com a qual Ele destrói a ignorância dos seres humanos. As três pontas representam as três qualidades (Gunas) da matéria: Inércia (Tamas), Movimento (Rajas) e Equilíbrio (Sattva). A busca do praticante começa em buscar Sattva e termina quando transcende todas as qualidades da matéria, quando, então, se atinge Moksha, a Libertação, que é objetivo final de toda prática verdadeiramente hindu.

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Hare Rama Krishna

Hari Om. Após o final da Dvápara Yuga, Sri Nárada Muní dirigiu-se pessoalmente ao Senhor Brahma, na ocasião do início da Kali Yuga -era das trevas - e perguntou-lhe: "óh! Bhagavan (mestre) como poderei na terra ser capaz de atravessar a Kali yuga?"
No que o Senhor Brahma lhe respondeu: "óh Sadhu, as Escrituras Sagradas mantém isso em segredo e oculto, e através do qual você vencerá o Samsára na Kali-Yuga; trata-se simplesmente do ato de reverenciar o nome do Senhor Primordial, Sri Narayana (Sri Krishna) através dos Santos Nomes.

O sábio Nárada mais uma vez perguntou: "Quais são esses nomes?, "no que Sri Brahma (Hyranyagarbha) respondeu-lhe: "Os Santos Nomes do Senhor, conforme dito nos Vedas, são:

Hare Rama Hare Rama Rama Rama Hare Hare
Hare Krishna Hare Krishna Krishna Krishna Hare Hare

Estes dezesseis nomes aniquilam os maus efeitos na Kali-Yuga, e não há meio melhores do que Eles, que possam ser vistos nos Srutis. Estes dezesseis nomes destróem a imobilidade do Jíva, rodeando-o com dezesseis raios (kalas). E tal qual a branca luz do sol dissipa as nuvens escuras, atuando como um círculo mágico protetor de todas as entidades vivas existentes, e assim desvelando o Parabrahman (o Absoluto).

Kalishantarana Upanishad

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Ganesha Shatakam Strotam – Mantra Védico para Ganesha

Narada disse:

Inclinando a cabeça, eu saúdo o Senhor removedor dos obstáculos, filho da divina Gauri; seu coração é a morada de todos seus devotos; medito, neste momento, em você, para que possam ser removidos todos os obstáculos ora no meu caminho.

Nomes de Ganesha através dos quais ele deve ser lembrado:

1 – Aquele que tem a tromba curva;

2 – Aquele que tem um dente;

3 – Aquele cujo veículo é um rato escuro;

4 – Aquele que tem a face de elefante;

5 – Aquele que tem um grande abdome;

6 – O grande;

7 – O rei dos obstáculos;

8 – Aquele que tem a cor escura;

9 – Aquele que tem a lua na testa;

10 – O removedor dos obstáculos;

11- O Senhor dos ganas, forças de Shiva;

12 – Aquele cuja forma é de elefante.

Ó Senhor, para aquelas pessoas que recitam os doze nomes três vezes ao dia (ao nascer do sol, ao meio dia e ao pôr-do-sol) que não haja medo de obstáculos e que tudo seja realizado.

Para aquele que deseja conhecimento, o conhecimento é adquirido. Para aquele que deseja riqueza, a riqueza é conquistada. Para aquele que deseja filhos, filhos serão alcançados. Para aquele que deseja libertação, os meios para ela serão encontrados.

Os versos de Ganesha devem se recitados durante seis meses, e o fruto será alcançado. Haverá sucesso no espaço de um ano, não há dúvida quanto a isso.

E tendo sido escrito, aquele que copiar os versos e distribuir a oito brahmanas conseguirá todos os conhecimentos, com as bençãos do Senhor Ganesha.

Assim, completam-se os versos encontrados no Shri Narada Purana ao Senhor Ganesha, para a destruição dos obstáculos.