Capítulo 3 –  O Caminho do Karma Yoga

Define-se o que é Karmayoga, defendendo-se a necessidade e a importância dele na jornada espiritual; chama as pessoas para ensinarem as otras através do seu exemplo pessoal; todos os trabalhos são, de fato, feitos pela natureza ou Deus, usando-nos como Seu instrumento; Kama e o desejo egoísta são os grandes iminigos do buscador da Verdade; este capítulo ensina como controlar os desejos insaviáveis com a ajuda de um intelecto treinado e purificado.

 

O Senhor Krishna disse: neste mundo, através do tempo, Eu tenho declarado um duplo caminho de disciplina espiritual: 1) o caminho do autoconhecimento para os contemplativos, e 2) o caminho do trabalho não-egoísta (desapegado) (Seva, Karmayoga) para todos os outros (3.3). Aquele que controla os sentidos – pela educação e purificação da mente e intelecto – e que ocupa os órgão e ações ao serviço abnegado é considerado superior (3.7). Os seres humanos são limitados pelo trabalho (Karma) que não é realizado como serviço abnegado (Seva, Yajña). Portanto, torne-se livre do apego egoísta aos frutos do trabalho, fazendo suas obrigações eficientemente como um serviço para Deus, para o bem da humanidade (3.9). Aquele que não auxilia para manter o movimento circular da criação em movimento, pela obrigação sacrificial (Seva), e se regozija nos prazeres dos sentidos, tal pecaminosa pessoa, vive em vão (3.16). Execute sempre as suas obrigações eficientemente, e sem qualquer apego egoísta, tendo em vista os resultados, porque por fazer o trabalho sem apegos alcança-se a suprema meta da vida (3.19). O rei Janaka, e muitos outros, alcançaram a perfeição da auto-realização apenas pelos serviço sem egoísmo (Karmayoga). Você também deve executar suas obrigações com uma visão para guiar as pessoas, e para o bem-estar da sociedade (3.20). O sábio não se preocupa, mas, inspira os outros pela realização eficiente de todos os trabalhos, sem egoísmo e apego; a mente do ignorante está apegada aos frutos do trabalho (veja, também, 3.29) (3.26). As forças da natureza fazem todo o trabalho, mas devido a ilusão uma pessoa ignorante supõem-se a si mesma como executora (3.27). Faças as suas obrigações prescritas, dedicando todo o trabalho para Deus num estado espiritual da mente, livre do desejo, apego e tristeza mental (3.30). O apegos e aversões pelos objetos dos sentidos permanecem nos sentidos. Não se deve ficar sobre o controle destes dois, porque eles são os dois maiores obstáculos, sem dúvida, de alguém no caminho da auto-realização (3.34). O trabalho natural inferior é melhor que o trabalho superior não natural. Mesmo a morte na realização da obrigação (natural) é proveitosa. Trabalho não natural produz elevada tensão – veja também 18.47 – (3.35). Deve-se envolver no trabalho, do melhor modo possível, segundo a sua própria natureza, de acordo com a natureza inata. Caminhar no sentido contrário a sua própria natureza é árduo, assim como seguir o que os pais dizem (para satisfazer o prazer deles) é muito estressante ou destrutivo. Seguir uma carreira muito simples talvez não haja como sustentar a família. Portanto, deve-se cortar os luxos, e levar uma vida simples, e desenvolver o “hobby” por Seva, para balancear tanto as necessidades materiais como espirituais da vida. Uma vida equilibrada é uma vida feliz. Deepak Chopra chama isso de uma lei muito efetiva “Law of Least Effort” (lei do menor esforço). O Senhor Krishna disse: é a luxúria, nascida dentre a paixão, que se transforma em ira quando insatisfeita. A luxúria é insaciável, e é um grande demônio. Conheça-a como o inimigo (3.37). Como o fogo é encoberto pela fumaça, um espelho é encoberto pelo pó, e como um embrião está encoberto pelo ventre, de forma similar, o autoconhecimento é encoberto pelos diferentes degraus da luxúria insaciável, a inimiga eterna do sábio (3.38-39). A luxúria por desfrute material ou sensual é chamada de Kama ou Vasana em sânscrito. Os sentidos, a mente e a inteligência diz-se que são o lugares da luxúria. A luxúria ilude uma pessoa controlando-lhe os sentidos, a mente, a inteligência, e velando o autoconhecimento (3.40). A Atman ou Espírito é superior tanto a mente como ao intelecto. Não devemos manchar nosso Atman com os prazeres pecaminosos e temporários dos prazeres dos sentidos. Deve-se primeiramente fortalecer e purifica ro intelcto, e estabelecer um controle por sobre a luxúria (Kama), entre as coisas malignas materiais e os prazeres sensuais. Assim, conhecendo o Ser como o mais alto, e controlando a mente pela inteligência, que é purificada pela prática espiritual, deve-se matar este poderoso inimigo, a luxúria, Ó Arjuna, com a espada do conhecimento verdadeiro do Ser (3.43)