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Bhagavad Gita – A Canção do Divino Mestre

 

 

 

Não são todos que conhecem a história do Bhagavad Gita. Então começamos com uma introdução neste épico maravilhoso. O Bhagavad Gita é um livro que existe dentro de um outro, chamado Mahabharata, cuja tradução é “A Grande Índia”. Este é o maior épico do mundo, superior à Odisséia de Homero. Ele conta que antigamente, antes das divisões territoriais dos continentes, a Índia era um grande reino. Seu rei teve dois filhos, sendo que um deles, Dhritarashtra, seu primogênito, nasceu cego e teve 100 filhos que eram conhecidos como Kauravas. Pandu, o segundo irmão, teve cinco filhos, que eram conhecidos como os Pandavas. Com a morte do Rei de Mahabharata, Pandu assume o reinado por direito, já que Dhristarashtra era cego.

 

Com a morte do Rei Pandu, o primeiro filho de Dhristarashtra, Duryodhana, quis assumir o reinado. O reino foi dividido em duas metades entre os Pandavas e os Kauravas. Duryodhana não ficou satisfeito com a sua parte do reino. Ele queria o reino inteiro para si próprio. De modo mal sucedido, planejou vários crimes para matar os Pandavas e pegar o reino deles. Ilegalmente ele apoderou-se do reino inteiro dos Pandavas e recusou-se a devolver mesmo um acre da terra sem a guerra. Toda a mediação feita pelo Senhor Krishna, e pelos outros, falharam. A grande guerra do Mahabharata foi assim inevitável. Os Pandavas foram participantes que não queriam a guerra. Eles tiveram apenas duas escolhas: lutar pelos seus direitos conforme a matéria da responsabilidade, ou fugir da guerra e aceitar a derrota em nome da paz e da não violência. Arjuna, um dos cinco irmãos Pandavas, encarou o dilema no meio do campo de batalha para lutar ou fugir da guerra pela segurança da paz.

 

O Bhagavad Gita, conhecida como a mais Auspiciosa Canção do Senhor, narra a conversa instrutiva de Sri Krishna, a Suprema Personalidade de Deus, e Arjuna, o valente guerreiro Pandava. Toda essa narrativa aconteceu minutos antes da guerra estourar. Todo Mahabharata foi escrito por Sri Ganesha, o Senhor das Escrituras e da Sabedoria. O Bhagavad Gita, entretanto, foi narrado pelo cocheiro Sañjaya ao Rei Dhristarashtra. O Sábio Vyasa, o autor do Mahabharata, procurou dar ao rei cego a bênção da visão, para que o rei, assim, pudesse ver os horrores da guerra pela qual ele tinha, antes de mais nada, responsabilidade. Mas o rei recusou esta oferta. Ele não quis ver os horrores da guerra; ele preferiu receber os relatos através do seus cocheiro, Sañjaya. O sábio Vyasa concedeu o poder da clarividência e clara visão para Sañjaya. Com este poder, Sañjaya pôde ver, ouvir e recordar os eventos do passado, presente e futuro. Ele foi hábil em fornecer uma rápida repetição do testemunho ocular da guerra, relatando-a para o rei cego, que estava sentado no seu palácio.

 

 

 

Capítulo 1 – O Dilema de Arjuna

 

            Todas as tentativas de mediação feitas pelo Senhor Krishna para que a guerra fosse evitada, foram em vão. Duryodhana e seu exército estavam dispostos a derramar sangue pela conquista de todo o reinado.

 

 

 

“Visto a guerra aproximando-se do início, seus filhos de pé, e com arremesso das armas; Arjuna pegou o seu arco-e-flecha e falou as seguintes palavras para Krishna: Ó Senhor, por favor pare a quadriga entre os dois exércitos até que eu observe os que estão de pé, ansiosos para a batalha e a quem eu devo ocupar-me neste ato de guerra (1.20-22)

 

 

Sañjaya disse: Ó rei, o Senhor Krishna, assim foi requerido por Arjuna, colocando a melhor de todas as quadrigas no meio dos dois exércitos, encarando seus avós, seu guru e todos os outros reis, e disse para Arjuna: Observe estes soldados reunidos! (1.24-25)

 

 

 

        Arjuna viu seus tios, avós, professores, tios paternos, irmãos, filhos, netos, e outros camaradas no exército (1.26).

 

 

 

Após ter visto seus sogros, companheiros, e todos os seus parentes situados no posto dos dois exércitos, Arjuna ficou com grande compaixão e pesar, dizendo as seguintes palavras: Ó Krishna, vendo meus parentes, fixos com o desejo de lutar, meus membros tremem, minha boca começa a secar. Meu corpo estremece e meus cabelos se arrepiam (1.27-29)

 

 

 

O arco escorrega de minhas mãos e minha pele queima. Minha cabeça tonteia, e eu estou incapaz de ficar de pé e, Ó Krishna, eu pressinto maus presságios. Não vejo nenhum proveito em matar meus parentes na batalha (1.30-31)

 

 

 

 

Mesmo sendo Arjuna um verdadeiro devoto do Senhor, repleto de qualidades santas, ao perceber toda destruição que estava por vir, ficou transtornado. Apesar de Ter sido criado e educado para ser um guerreiro, seu forte corpo estremeceu e Arjuna, então, manifestou todas as características típicas de uma pessoa absorta na concepção de vida material. Krishna permitiu que seu amigo Arjuna representasse, naquele momento, o papel de uma pessoa que estava ignorando seu verdadeiro eu. Todas as justificativas de Arjuna para abrir mãe da guerra eram bastante comoventes e verdadeiras. Ao extinguir seus parentes, daria fim a sua tradição familiar, as novas gerações agiriam em atos irreligiosos e o sistema de castas sucumbiria.

 

Arjuna, então, largou-se, desanimado com aquela situação. O dilema de Arjuna é, na realidade, um dilema universal. Cada ser humano encara dilemas, grandes ou pequenos, em suas vidas diárias, quando realiza a suas obrigações. O dilema de Arjuna foi o mais importante de todos. Ele tinha que fazer uma escolha entre lutar a guerra e matar seus mais reverenciados gurus, seus mais queridos amigos, parentes próximos, e muitos guerreiros inocentes, ou fugir do campo de batalhas com o objetivo de preservar a paz e a não-violência.

 

O ensinamento central do Gita é a obtenção da liberdade ou da alegria, pelo cativeiro da ação da vida de cada um. Sempre se lembrem da glória e da grandeza do criador e da ação eficiente de seus deveres, sem estar apegados ou afetados pelos seus resultados, mesmo que a obrigação demande, de vez em quando, na violência inevitável. Algumas pessoas negligenciam ou desistem de suas responsabilidades na vida pela segurança de uma vida espiritual enquanto outras desculpam-se a si mesmos de uma pratica espiritual porque elas crêem que ela não possuem tempo. A mensagem do Senhor é para purificar todo o processo da vida em si mesma. Não importa o que uma pessoa faz ou pensa deverá realizar pensando na glória e na satisfação do Criador. Nenhum esforço ou custo é necessário para este processo. Faça as suas obrigações como um serviço para o Senhor e humanidade, e veja um único Deus em tudo, num estado de espírito.