Ao analisar a história da tradição da Antiga Índia, veremos que alguns elementos estão presentes desde os primórdios. Um deles é a prática de mantras: a vocalização de sons considerados sagrados visando algum objetivo. Ora, bem sabemos que os Vedas existiram muito antes de serem escritos e sua existência se perpetuou milênios através da repetição sistemática de seus hinos, todos compostos em sânscrito.

            Neste tempo, os mantras eram utilizados em rituais brâhmanes, geralmente com o intuito de clamar alguma divindade, de garantir proteção e muitos outros objetivos poderiam ser citados. O essencial, entretanto, é que naquela época os mantras eram utilizados como palavras de poder que concediam um propósito específico ao serem entoados corretamente. Algumas escolas tântricas na atualidade conservam esta mesma utilização.

            Entretanto, com o passar do tempo, o mantra passou a ser utilizado como uma via de libertação por aqueles que almejavam a liberação espiritual. Sua prática tornou-se, por assim dizer, um yoga, isto é, uma disciplina de união do homem com a divindade. O Mantra Yoga possui um conhecimento exato, pautado em 16 membros que constituem as condições para uma prática efetiva, caracterizada por uma forte tendência devocional. Por isso, o Mantra Yoga associa-se com o Yoga da Devoção (Bhakti) e tornou-se, também, uma técnica utilizada em muitos outros ramos ou tipos de yoga.

            Tradicionalmente um mantra só é um mantra quando é passado de mestre para discípulo na ocasião do ritual da iniciação. Assim sendo, o mantra Om, por exemplo, não seria um mantra ao ser entoado por um não – iniciado. É o rito de iniciação que confere o poder mântrico ao som. Entretanto, com o advento do Tantra e a concepção do sistema sutil dos chakras, reconheceu-se que os sons sânscritos, as 50 letras desta língua sagrada, compunham a vibração contida nos centros energéticos. Logo, os mantras passaram a ser utilizados como meios de expansão de consciência e como modelos para desintegrar condicionamentos, passando a ser utilizados nas escolas de Hatha Yoga e algumas escolas tântricas.

            Hoje em dia o Mantra Yoga é considerado o caminho mais fácil para alcançar a auto-realização, de acordo com vários Mestres, como Swami Sivananda e Sathya Sai Baba. Existem muitas maneiras de se entoar o mantra, entretanto, é necessário enfatizar a atitude correta, pois a vocalização automática de algumas palavras não vai levar o praticante a lugar algum. É preciso ter em mente o sentido e o poder do mantra a ser entoado. É necessário um profundo bhava, um profundo sentimento devocional, uma atitude de respeito e de perseverança na prática.

            O mantra pode ser entoado repetidamente através da prática denominada Japa Yoga, onde tradicionalmente se utiliza um colar de 108 contas (japamala). Esta é a prática tradicional do Bhakti Yoga e é também utilizada como técnica para concentração mental. O mantra, desta forma, pode ser repetido de forma verbal, por sussurro ou mentalmente. Em todas as formas, a postura é um importante aliado, uma vez que a coluna vertebral age como um fio condutor, que eleva a energia dos centros primários para os centros superiores.

            Outra forma de entoar os mantras é através de Kirtans ou Sankirtans, quando a prática é realizada com várias pessoas. Então, os mantras são cantados, possuem uma melodia, realizada com instrumentos musicais ou mesmo palmas. Desta maneira, a prática de mantras torna-se uma celebração, podendo haver dança. O principal objetivo aqui é aumentar o sentido da devoção, elevando as emoções ao patamar da divindade, o que também repercute num estado de consciência especifico. É dito que esta é a maneira mais fácil de saber o que é Ananda, o estado de Bem-Aventurança, tido como inerente à natureza do ser humano.

            Geralmente, o mantra a ser entoado pelo praticante é estipulado pelo Guru, baseado na personalidade de seu discípulo ou recebido diretamente da Divindade. Entretanto, há alguns “mestres” vendendo por aí as palavras de poder… Caso você ainda não tenha encontrado seu instrutor espiritual e queira praticar o mantra yoga, não é o caso de se desesperar e acabar comprando essa patifaria: ela tem menos poder do que suas intenções verdadeiras.

            Neste sentido, Swami Sivananda deixou-nos uma luz: para nossa época de escuridão, ele diz que nada possui tanto poder quanto o Maha Mantra, mesmo para os não-iniciados. Conta a historia que o Rishi Narada foi visitar o senhor Brahmá e disse: “Ó Senhor, as pessoas neste Kali Yuga não serão capazes das austeridades, nem de conduzir os Yajnas (sacrifícios e oferendas), nem de percorrer a via do Vedanta. Por favor tenha compaixão por eles e indique um modo fácil com o qual eles possam atingir Deus?”. O Senhor Brahmá, na sua infinita compaixão e piedade, concedeu o Maha Mantra com o qual as pessoas do Kali Yuga pudessem atingir a auto-realização.

 

 HARE RAMA HARE RAMA

RAMA RAMA HARE HARE

HARE KRISHNA HARE KRISHNA

KRISHNA KRISHNA HARE HARE

 

            Cante o Maha Mantra diariamente e seja feliz!