1 – Respiração imperceptível (Tamas pránáyáma)

A técnica consiste em inspirar tão lentamente que não se consiga perceber o mínimo movimento respiratório; e então, se retem o ar por alguns segundos e expirar tão lentamente que seja imperceptível.

 

2 – Respiração dinâmica (Rajas pránáyáma)

Esta configura uma repiração bioenergética. Inspirar elevando os braços até a altura dos ombros e então retenha o ar fechando firmemente as mãos e movimentando vigorosamente os braços, flexionando-os e estendendo-os, trazendo as mãos até aos ombros e voltando a estendê-los várias vezes antes de expirar; expirar lentamente, baixando os braços simultaneamente.

 

3 – Respiração abdominal  (Adhama pránáyáma).

Inspirar projetando o abdômen para fora, procurando encher a parte baixa dos pulmões; pause a respiração por poucos segundos e então expire retraindo o abdômen, procurando esvaziar tanto quanto possível os pulmões, especialmente a parte baixa.

Muitos estudos indicam que, de fato a respiração abdominal produz um estado de relaxamento que, com o tempo pode, mesmo acabar por reduzir significativamente a tensão alta e os estados de ansiedade.

A respiração abdominal é usada muitas vezes em psicoterapia para combater estados de ansiedade e ataques de pânico. No ínicio de um ataque de pânico, por exemplo, se formos capazes de fazer algumas respirações abdominais o mais provável é que todos os outros sintomas acabem por não chegar a aparecer e que o ataque acabe mesmo por não ser desencadeado.

Este exercício promove um massageamento nos órgãos abdominais, melhorando o seu funcionamento. Elimina a ansiedade e aumenta a força de vontade, a concentração e a vivacidade mental. Feita sem esforço, revitaliza e predispõe a pessoa a uma atitude aberta e receptiva, tendendo a aceitar a realidade tal como é.

 

4 –Respiração do sopro rápido (Bhastriká)

Inspirar e expirar bem rápido e forte pelas duas narinas, produzindo um ruído alto como o de um fole. O ritmo ideal é o de inspirar e expirar em apenas um segundo (um segundo para os dois movimentos), trazendo uma movimentação abdominal igualmente forte, sendo que na inspiração deve-se projetar o abdômen a frente e na expiração, recolhe-se o abdômen, contraindo-o. Entretanto, para conseguir chegar neste ponto, deve-se praticar o exercício concentrando-se no movimento e na coordenação desta com a respiração,  executando-o mais lentamente para não perder o ritmo.

Este exercício deu origem à respiração holotrópica terapia que utiliza esta respiração rápida, provocando uma hiperventilação que, juntamente com outros estímulos e com a repetição deste padrão respiratório durante algum tempo, acaba por produzir uma alteração dos estados psicológicos que leva ao desbloquear de certas memórias e emoções reprimidas. A este assunto dedicaremos um capítulo especial.

 

5 –– Respiração completa (Rája pránáyáma)

Devido a uma série de fatores, a maioria das pessoas mantém um padrão respiratório superficial e inadequado. Como vimos em bioenergética isso pode acontecer devido a um bloqueio crônico na musculatura que rege a respiração. Ou acontece de, simplesmente, a pessoa não ter consciência que sua respiração é falha ou deficiente. A respiração, quando tem seu padrão muito curto, indica falta de contato com o mundo interior e seus acontecimentos. Ao passo que, ao sugerir ao paciente que mantenha um padrão respiratório satisfatório, pode favorecer seu contato com emoções reprimidas e com o mundo interior.

Inspirar projetando o abdômen para fora, em seguida, as costelas para os lados e finalmente, dilatando a parte mais alta do tórax e expirar, soltando o ar primeiramente da parte alta, depois da parte média e finalmente da parte baixa dos pulmões.

Efeitos: Aumento considerável da capacidade pulmonar, da resistência e do tônus geral do organismo, desintoxicação e oxigenação celular, revitalização, rejuvenescimento e tonificação. No aspecto psíquico, outorga ao praticante receptividade, atitude aberta em relação ao mundo que o rodeia, expansão total de si, concentração, entrega, felicidade. Aumentando a elasticidade da estrutura ósseo-muscular, o prána kriyá dissolve tensões somatizadas na região abdominal, nos ombros e no pescoço.

 

6 – Respiração completa com mentalização (Manasika pránáyáma)

A técnica, em si, consiste em coordenar a respiração e manter um padrão de visualização.  Inspire lentamente e imagine com nitidez uma forte luz dourada penetrando por suas narinas; retenha o ar nos pulmões, visualizando esta energia sendo absorvida pelos alvéolos, penetrando na corrente sangüínea e sendo depositada em cada célula, revitalizando-as. Ao expirar, mentalize seu corpo irradiante como o sol.

A “cor” da luz pode ser modificada de acordo com os benefícios específicos que se deseja alcançar, aliando, assim, o poder da cromoterapia. Deu um modo geral, esta especificação pode mudar, mas a essência delas são:

Vermelho: aumenta a energia vital (fogo)

Rosa: amor

Laranja: também é estimulante, estando sua ação mais ligada à alegria e libido

Amarelo: desenvolve a criatividade, purifica o sistema

Verde: cura

Azul: acalma e equilibra

Violeta: tem relação com o karma

Dourado: exulta a energia do sol

Prateado: exulta a energia da lua

Um aspecto importante é que o grau de consciência que colocamos na nossa respiração, determina a natureza de nossas manifestações corporais e mentais. É através da respiração que a energia se acumula, circula e irradia para os muitos aspectos do nosso Ser. Aliando esta fato à mentalização ativa de absorção e acúmulo de energia, os resultados são ainda maiores, ainda que o paciente não acredite no poder da técnica. A mudança energética existe e é real.

 

7 – Respiração alternada sem ritmo (Nádí shôdhana pránáyáma)

a) Colocar as mãos em jñána mudrá;

b) obstruir a narina direita com o dedo médio da mão direita em jñána mudrá26;

c) inspirar pela narina esquerda (respiração completa);

d) reter o ar o maior tempo possível, sem exagero, confortavelmente;

e) trocar a narina em atividade, obstruindo agora a narina esquerda, sempre com as mãos em jñána mudrá e utilizando a mesma mão para obstruir a narina;

f) expirar pela narina direita;

g) continuar o pránáyáma, inspirando pela narina direita e assim sucessivamente.

Obs.: Note que a narina em atividade é alternada sempre que os pulmões estão cheios e jamais quando estão vazios. Há outros mudrás que podem ser utilizados para obstruir as narinas e cada escola tem preferência por um deles.

 

8 – Fisioterapia Respiratória

É um bom meio de ampliar, aos poucos, a capacidade respiratória do individuo, ao mesmo tempo que torna este consciente de seu processo respiratório, além de oferecer algum controle, o que no inicio pode ser muito favorável.

A técnica consiste em inspirar e reter a respiração várias vezes, até que os pulmões estejam completamente cheios. É, portanto, uma inspiração realizada pausadamente. No expirar observe este mesmo processo, soltando e retendo, repetidas vezes. Procure conhecer os limites de ambos, inspiração e expiração.

Este exercício trás uma consciência aprofundada da respiração e do quanto que se pode respirar, “reter”. Muito indicado para quem não consegue respirar de forma profunda, podendo ser um preparatório para este. Lembramos sempre que tomar contato com a respiração é o primeiro passo para ter contato com as emoções mais internas.

Este é também um bom exercício para se trabalhar a couraça muscular. À medida em que crescemos, nós invariavelmente desenvolvemos padrões de tensão e contração da energia, que impedem o livre fluxo e a irradiação da energia para todos os níveis do nosso ser. Ficamos carentes de energia e vitalidade ao nível do corpo e da mente, de nossas relações com o mundo externo e os outros. Nos sentimos infelizes ansiosos e, na pior das hipóteses, perdemos até mesmo a capacidade de sentir. Sentimentos e energia estão estreitamente relacionados. Cada vez que nos sentimos ameaçados, restringimos a nossa respiração, e consequentemente as correntes de energia que nos permeiam, bloqueando e congelando sentimentos, tanto de dor quanto de prazer.

 

9 – Respiração circular

Exercício muito parecido com o Bhástrika, porém com nítidas diferenças. A respiração circular, como o próprio nome diz, se propõe a fazer a respiração circular, sem pausa entre inspiração e expiração ou expiração e inspiração. Entretanto, a  respiração circular se faz num ritmo suave, em circulação, e a ênfase da técnica está na consciência e atenção plena focada na respiração.

Essa forma de respirar cria um circúito forte de energia em fluxo, que se move no corpo e na mente. À medida em que esse fluxo se move com mais intensidade, a pessoa que respira começa a se tornar consciente de padrões específicos de contração, de energia bloqueada. Pelo fato desses padrões de contração estarem enraizados em experiências dolorosas, a consciência no aqui e agora pode trazer dor física e ou sentimentos.

O poder da respiração circular está no seguinte princípio: se a pessoa que respira, mantém a respiração, apesar de experiências de contração que possam emergir, o fluxo continuo de energia libera o padrão da contração, trazendo luz e expansão para onde havia densidade, suavizando e relaxando os pontos enrijecidos e dolorosos da experiência da pessoa, transformando as feridas emocionais em alegria radiante e amorosa. Isso permite “insights” e uma nova compreensão da experiência vivida, integrando-a numa nova forma.