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Capítulo 7 – Caminho do Absoluto

Este capítulo fornece o conhecimento a cerca do Absoluto, e a natureza do Supremo como sendo Brahman.

 
       
A natureza material, ou a matéria, é Minha natureza inferior. Minha outra elevada natureza é o espírito, pelo qual este universo inteiro é sustentado, Ó Arjuna (7.5). Saiba que todas as criaturas desenvolvem-se a partir desta dupla energia, e que Espírito Supremo é a origem, bem como a dissolução, do universo inteiro(7.6). Não há nada superior ao Ser Supremo, Ó Arjuna. Todo o universo está atado ao Ser Supremo, como diferentes jóias estão amarradas no cordão de um colar (7.7). Este Meu poder divino é chamado de Maya, que consiste nos três modos da matéria ou mente, é muito difícil de ser superado. Apenas aqueles que se rendem a Mim perfuram o véu de Maya, e conhecem a Realidade Absoluta (Veja, também, 14.26; 15.19 e 18.66) (7.14). Quatro tipo de pessoas virtuosas adoram-Me ou Me procuram, Ó Arjuna; são elas: o aflito; o que busca por autoconhecimento; o que procura riqueza, e o iluminado que experimentou o Ser Supremo (7.16). Após muitos nascimentos o devoto esclarecido recorre a Mim, entendendo que todas as coisas são, na realidade, Minha manifestação. Semelhante alma é muito rara (7.19). Quem quer que seja, desejando adorar alguma deidade – usando qualquer nome, forma e método – com fé, Eu torno a fé deles firme nesta verdadeira deidade. Favorecidos com fé firme, eles adoram aquela deidade, e obtém seus desejos através dela. Todos os seus desejos, são, realmente, concedidos por Mim (7.21-22). O ignorante – incapaz de entender Minha forma imutável, incomparável, incompreensível e transcendental – supõe que Eu, o Ser Supremo, Sou sem forma, e pego uma forma ou encarnação. Oculto pelo Meu poder divino (Maya), Eu não Me revelo para semelhante ignorante que não conhece e não entende Minha forma e personalidade não nascida, eterna e transcendental (7.24-25). O Brahman aparece na forma de grandes almas, como Rama, Krishna, Buddha, Mahavira, Jesus, Maomé, Nanak, e muitos outras grandes sábios, de tempos em tempos, conforme a necessidade. 

Capítulo 6 – Caminho da Meditação

Define a técnica de Yoga da meditação, e como controlar a mente; fornece os benefícios da meditação e diz qual é o destino daquele Yogi que fracassa.

 

Diz-se que uma pessoa alcançou a perfeição yóguica quando ela não deseja prazeres sexuais ou apegos pelos frutos do trabalho, e renunciou a todos os motivos pessoais egoístas (6.4). Alguém deve elevar-se – não degradar-se – através de sua própria mente. A mente é amiga ou inimiga de alguém. A mente é amiga para aqueles que possuem controle por sobre ela, e a mente atua como um inimigo para aqueles não a controlam (6.5-6). Considera-se uma pessoa superior quem é imparcial em relação aos companheiros, amigos, inimigos, pessoa neutra, árbitros, inimigos, parentes, santos e pecadores (6.09). Deve-se sentar firmemente por sobre um assento, que não seja nem muito alto e nem muito baixo; coberto com grama, e com uma pele de cervo, e um tecido, um sobre o outro, num local limpo. Deve-se sentar nele numa posição confortável, e concentrar a mente em Deus; controlando os pensamentos e as atividades dos sentidos; deve-se praticar a meditação para purificar a mente e os sentidos (6.11-12). Deve-se manter a cintura, a coluna, o peito, o pesco e a cabeça eretos, firmes e sem movimento; fixar os olhos e a mente firmemente na ponta do nariz, sem olhar ao redor; tornando a mente serena e sem medo; praticando o celibato; tendo a mente sob controle, pensando em Mim, e tendo a Mim como a meta Suprema (veja, também, 4.29; 5.27-28, 8.10 e 8.12-13) (6.13-14). Sempre que esta inquieta e instável mente desviar-se durante a meditação, deve-se, neste momento, mantê-la sob o olhar vigilante (ou controle e supervisão) do Ser (6.26). Um Yogi, que está em união com o Ser Supremo, vê a cada ser com uma visão de igualdade, por causa da percepção da permanente onipresença do Ser Supremo (ou o Ser) em todos os seres, e todos permanecendo no Ser Supremo (Veja, também, 4.35 e 5.18) (6.29). Aquele que Me vê em Tudo, e vê tudo em Mim, não se desliga de Mim, e Eu não me desligo dele (6.30). O melhor dos Yogis é aquele que observa cada ser como a si mesmo e que pode sentir a dor e o prazer dos outros como sendo seus, Ó Arjuna (6.32). O Senhor Krishna disse: sem dúvida, Ó Arjuna, a mente é impaciente e difícil de controlar, mas ela é subjugada pela constante e vigorosa prática espiritual de alguém – como a meditação – com perseverança e por desapego, Ó Arjuna (6.35). O Yogi fracassado é naturalmente levado em direção a Deus, pela virtude das impressões das práticas yóguicas das vidas anteriores. Mesmo o perguntar sobre yoga – união com Deus – sobrepuja aos que realizam rituais védicos (6.44). E Eu considero o Yogi-devoto – que de todo o coração Me contempla com fé suprema, e cuja a mente está sempre absorta em Mim – como sendo o melhor de todos os (6.47).

 

 

Capítulo 4 – Caminho da Renúncia pelo Conhecimento

Este capítulo define o que é um Sannyasi (renunciante), e um Karmayogi; descreve as marcas de uma pessoa auto-realizada no Ser, e um verdadeiro Yogi.

 

O ignorante – não o sábio – considera o caminho do autoconhecimento, e o caminho do serviço sem egoísmo, (Karmayoga) como sendo diferentes um do outro. A pessoa, de alguém verdadeiramente controlado, recebe o benefício de ambos (5.04). Qualquer que seja a meta que um renunciante alcance, um karmayogi também alcança. Portanto, quem vê o caminho da renúncia, e o caminho do trabalho altruísta como uma mesma coisa, vê realmente (Veja, também, 6.1; 6.2-3). (5.5). Mas a verdadeira renúncia (a renúncia da possessão e do fazer com vistas aos resultados), Ó Arjuna, é difícil de alcançar sem o Karmayoga. Um sábio equipado com o Karmayoga, rapidamente alcança o Nirvana (Veja, também, 4.31;4.38 e 5.8-9) (5.6). Aquele que faz todo o trabalho como uma oferenda para Deus – abandonando o apego egoísta aos resultados – fica intocado pelas reações kármicas, ou pecados, exatamente como uma flor de lótus jamais é molhada pela água (5.10). Um Karmayogi alcança a Bênção Suprema por abandonar o apego aos frutos do trabalho, enquanto os outros, que estão apegados aos frutos do trabalho, tornam-se amarrados pelo trabalho egoísta (5.12). Uma pessoa iluminada – por observar Deus em tudo – vê a um sábio, um sem casta, mesmo uma vaca, um elefante, ou um cão, com uma visão igual (Veja, também, 6.29). (5.18). Do mesmo modo, uma pessoa que está em união com o Ser Supremo torna-se desapegada dos prazeres sexuais externos, pela descoberta da alegria do ser, por intermédio da contemplação e da bem-aventurança transcendentais (5.21)

 

Capítulo 3 –  O Caminho do Karma Yoga

Define-se o que é Karmayoga, defendendo-se a necessidade e a importância dele na jornada espiritual; chama as pessoas para ensinarem as otras através do seu exemplo pessoal; todos os trabalhos são, de fato, feitos pela natureza ou Deus, usando-nos como Seu instrumento; Kama e o desejo egoísta são os grandes iminigos do buscador da Verdade; este capítulo ensina como controlar os desejos insaviáveis com a ajuda de um intelecto treinado e purificado.

 

O Senhor Krishna disse: neste mundo, através do tempo, Eu tenho declarado um duplo caminho de disciplina espiritual: 1) o caminho do autoconhecimento para os contemplativos, e 2) o caminho do trabalho não-egoísta (desapegado) (Seva, Karmayoga) para todos os outros (3.3). Aquele que controla os sentidos – pela educação e purificação da mente e intelecto – e que ocupa os órgão e ações ao serviço abnegado é considerado superior (3.7). Os seres humanos são limitados pelo trabalho (Karma) que não é realizado como serviço abnegado (Seva, Yajña). Portanto, torne-se livre do apego egoísta aos frutos do trabalho, fazendo suas obrigações eficientemente como um serviço para Deus, para o bem da humanidade (3.9). Aquele que não auxilia para manter o movimento circular da criação em movimento, pela obrigação sacrificial (Seva), e se regozija nos prazeres dos sentidos, tal pecaminosa pessoa, vive em vão (3.16). Execute sempre as suas obrigações eficientemente, e sem qualquer apego egoísta, tendo em vista os resultados, porque por fazer o trabalho sem apegos alcança-se a suprema meta da vida (3.19). O rei Janaka, e muitos outros, alcançaram a perfeição da auto-realização apenas pelos serviço sem egoísmo (Karmayoga). Você também deve executar suas obrigações com uma visão para guiar as pessoas, e para o bem-estar da sociedade (3.20). O sábio não se preocupa, mas, inspira os outros pela realização eficiente de todos os trabalhos, sem egoísmo e apego; a mente do ignorante está apegada aos frutos do trabalho (veja, também, 3.29) (3.26). As forças da natureza fazem todo o trabalho, mas devido a ilusão uma pessoa ignorante supõem-se a si mesma como executora (3.27). Faças as suas obrigações prescritas, dedicando todo o trabalho para Deus num estado espiritual da mente, livre do desejo, apego e tristeza mental (3.30). O apegos e aversões pelos objetos dos sentidos permanecem nos sentidos. Não se deve ficar sobre o controle destes dois, porque eles são os dois maiores obstáculos, sem dúvida, de alguém no caminho da auto-realização (3.34). O trabalho natural inferior é melhor que o trabalho superior não natural. Mesmo a morte na realização da obrigação (natural) é proveitosa. Trabalho não natural produz elevada tensão – veja também 18.47 – (3.35). Deve-se envolver no trabalho, do melhor modo possível, segundo a sua própria natureza, de acordo com a natureza inata. Caminhar no sentido contrário a sua própria natureza é árduo, assim como seguir o que os pais dizem (para satisfazer o prazer deles) é muito estressante ou destrutivo. Seguir uma carreira muito simples talvez não haja como sustentar a família. Portanto, deve-se cortar os luxos, e levar uma vida simples, e desenvolver o “hobby” por Seva, para balancear tanto as necessidades materiais como espirituais da vida. Uma vida equilibrada é uma vida feliz. Deepak Chopra chama isso de uma lei muito efetiva “Law of Least Effort” (lei do menor esforço). O Senhor Krishna disse: é a luxúria, nascida dentre a paixão, que se transforma em ira quando insatisfeita. A luxúria é insaciável, e é um grande demônio. Conheça-a como o inimigo (3.37). Como o fogo é encoberto pela fumaça, um espelho é encoberto pelo pó, e como um embrião está encoberto pelo ventre, de forma similar, o autoconhecimento é encoberto pelos diferentes degraus da luxúria insaciável, a inimiga eterna do sábio (3.38-39). A luxúria por desfrute material ou sensual é chamada de Kama ou Vasana em sânscrito. Os sentidos, a mente e a inteligência diz-se que são o lugares da luxúria. A luxúria ilude uma pessoa controlando-lhe os sentidos, a mente, a inteligência, e velando o autoconhecimento (3.40). A Atman ou Espírito é superior tanto a mente como ao intelecto. Não devemos manchar nosso Atman com os prazeres pecaminosos e temporários dos prazeres dos sentidos. Deve-se primeiramente fortalecer e purifica ro intelcto, e estabelecer um controle por sobre a luxúria (Kama), entre as coisas malignas materiais e os prazeres sensuais. Assim, conhecendo o Ser como o mais alto, e controlando a mente pela inteligência, que é purificada pela prática espiritual, deve-se matar este poderoso inimigo, a luxúria, Ó Arjuna, com a espada do conhecimento verdadeiro do Ser (3.43)

Capítulo 2 – Yoga do Discernimento

Este capítulo dá auto-conhecimento, Jñana ou metafísica, como marca da auto-realização de um Yogi, e assinala a necessidade e vantagem do controle dos seis sentidos: visão, olfato, paladar, tato, audição e mente.

 

O Senhor Krishna disse: falando sábias palavras, “Seu lamento por aqueles não merece o seu pesar. O sábio nunca se lamenta nem pelos vivos e nem pelos mortos” (2.11). Da mesma forma que a alma adquire um corpo na infância, um corpo na juventude, e um corpo na velhice, durante a sua vida, similarmente, a alma adquire outro corpo após a morte. Isso não deveria iludir um sábio (2.13). Aquele que pensa que o Espírito é morto, e aquele que pensa que o Espírito mata, ambos são ignorantes, porque o Espírito nunca mata nem é morto (2.19). Assim como uma pessoa coloca uma nova roupa após desfazer-se das velhas, similarmente, a entidade viva, ou a alma individual, adquire um novo corpo após jogar fora o velho corpo (2.22). Todos os seres são imanifestos, ou invisíveis, para os seus olhos físicos antes de nascer e depois da morte. Eles são manifestos somente entre o nascimento e a morte. O quê tem para se lamentar? (2.28). Engaje-se da mesma forma, no manejo da luta, no prazer ou dor, ganho ou perda, vitória e derrota, no seu dever. Por fazer sua obrigação deste jeito você não irá incorrer em pecado (2.38). Para a pessoa iluminada, que está realizada na verdadeira natureza do Ser interior, os Vedas tornam-se proveitosos como um pequeno reservatório de água, tornando-se disponível como a água de um grande lago (2.46). Você tem o controle sobre os feitos apenas da sua responsabilidade, mas não controle ou reclamação sobre os resultados. Os frutos do trabalho não devem ser seu motivo, e você nunca deverá ser inativo (2.47). (Todos na Índia lembram-se deste verso em sânscrito). Faça as suas ações no melhor de suas habilidades, Ó Arjuna, com sua mente ligada ao Senhor, abandonando a preocupação e o apego egoísta para os resultados, permanecendo calmo tanto no sucesso como no fracasso. O serviço sem egoísmo traz paz e tranqüilidade da mente, que conduz a união com Deus (2.48). (O medo de falhar, devido ao apego aos frutos do resultado, rouba a eficiência no trabalho. O trabalho é feito mais eficientemente quando alguém não dá bola para as conseqüências, boas ou más, do resultado). Um Karmayogi, ou uma pessoa desapegada, torna-se livre tanto da virtude como do vício em sua vida. Portanto, esforce-se por serviço desapegado. Trabalhar o melhor das suas habilidades, sem apegar-se egoisticamente pelos frutos do trabalho, chama-se Karmayoga ou Seva (2.50). Uma pessoa é chamada de sábio iluminado, de firme intelecto, cuja mente está imperturbável pela adversidade, que não deseja prazer, e que está completamente livre de apegos, medo ou ira (2.56). Apego para com pessoas, locais e objetos retira o intelecto, e torna alguém míope. As pessoas estão sem saída, amarradas com a corda do apego. Deve-se estudar para cortar a corda com a espada do conhecimento do Absoluto, e tornar-se desapegado e livre. A mente e o intelecto de uma pessoa torna-se firme se não é apegada a qualquer coisa, que não se exalta pelo desejo de lucro de resultado, nem se perturba pelos resultados indesejados (2.57). Aquele que fixa a sua mente em Deus com amor contemplativo, após trazer os sentidos sob controle; e de quem o os objetos dos sentidos estão sobre completo controle, o intelecto torna-se firme (2.61). Desenvolve-se apego aos objetos dos sentidos pensando-se nos objetos dos sentidos. O desejo pelos objetos dos sentidos advém do apego aos objetos dos sentidos, e a ira advém dos desejos não realizados (2.62). A mente, quando controlada pelo vaguear dos sentidos, rouba o intelecto, do mesmo modo que uma tempestade desvia um barco no mar do seu destino – a praia espiritual da paz e da felicidade (2.67). Portanto, um aspirante espiritual deverá controlar os desejos da mente sem criar qualquer distúrbio, do mesmo modo como um rio entra no oceano sem perturbá-lo. A metáfora do oceano foi usada para a mente de um Yogi. Obtêm-se a paz quando todos os desejos dissipam-se dentro da mente sem criar qualquer distúrbio mental, como as águas de um rio entram no oceano pleno sem criar qualquer distúrbio. Aquele que deseja os objetos matérias jamais possui paz (2.70). O Senhor Buddha disse, “O egoísmo é a raiz de todas as coisas más e miséria

 

arjuna

Bhagavad Gita – A Canção do Divino Mestre

 

 

 

Não são todos que conhecem a história do Bhagavad Gita. Então começamos com uma introdução neste épico maravilhoso. O Bhagavad Gita é um livro que existe dentro de um outro, chamado Mahabharata, cuja tradução é “A Grande Índia”. Este é o maior épico do mundo, superior à Odisséia de Homero. Ele conta que antigamente, antes das divisões territoriais dos continentes, a Índia era um grande reino. Seu rei teve dois filhos, sendo que um deles, Dhritarashtra, seu primogênito, nasceu cego e teve 100 filhos que eram conhecidos como Kauravas. Pandu, o segundo irmão, teve cinco filhos, que eram conhecidos como os Pandavas. Com a morte do Rei de Mahabharata, Pandu assume o reinado por direito, já que Dhristarashtra era cego.

 

Com a morte do Rei Pandu, o primeiro filho de Dhristarashtra, Duryodhana, quis assumir o reinado. O reino foi dividido em duas metades entre os Pandavas e os Kauravas. Duryodhana não ficou satisfeito com a sua parte do reino. Ele queria o reino inteiro para si próprio. De modo mal sucedido, planejou vários crimes para matar os Pandavas e pegar o reino deles. Ilegalmente ele apoderou-se do reino inteiro dos Pandavas e recusou-se a devolver mesmo um acre da terra sem a guerra. Toda a mediação feita pelo Senhor Krishna, e pelos outros, falharam. A grande guerra do Mahabharata foi assim inevitável. Os Pandavas foram participantes que não queriam a guerra. Eles tiveram apenas duas escolhas: lutar pelos seus direitos conforme a matéria da responsabilidade, ou fugir da guerra e aceitar a derrota em nome da paz e da não violência. Arjuna, um dos cinco irmãos Pandavas, encarou o dilema no meio do campo de batalha para lutar ou fugir da guerra pela segurança da paz.

 

O Bhagavad Gita, conhecida como a mais Auspiciosa Canção do Senhor, narra a conversa instrutiva de Sri Krishna, a Suprema Personalidade de Deus, e Arjuna, o valente guerreiro Pandava. Toda essa narrativa aconteceu minutos antes da guerra estourar. Todo Mahabharata foi escrito por Sri Ganesha, o Senhor das Escrituras e da Sabedoria. O Bhagavad Gita, entretanto, foi narrado pelo cocheiro Sañjaya ao Rei Dhristarashtra. O Sábio Vyasa, o autor do Mahabharata, procurou dar ao rei cego a bênção da visão, para que o rei, assim, pudesse ver os horrores da guerra pela qual ele tinha, antes de mais nada, responsabilidade. Mas o rei recusou esta oferta. Ele não quis ver os horrores da guerra; ele preferiu receber os relatos através do seus cocheiro, Sañjaya. O sábio Vyasa concedeu o poder da clarividência e clara visão para Sañjaya. Com este poder, Sañjaya pôde ver, ouvir e recordar os eventos do passado, presente e futuro. Ele foi hábil em fornecer uma rápida repetição do testemunho ocular da guerra, relatando-a para o rei cego, que estava sentado no seu palácio.

 

 

 

Capítulo 1 – O Dilema de Arjuna

 

            Todas as tentativas de mediação feitas pelo Senhor Krishna para que a guerra fosse evitada, foram em vão. Duryodhana e seu exército estavam dispostos a derramar sangue pela conquista de todo o reinado.

 

 

 

“Visto a guerra aproximando-se do início, seus filhos de pé, e com arremesso das armas; Arjuna pegou o seu arco-e-flecha e falou as seguintes palavras para Krishna: Ó Senhor, por favor pare a quadriga entre os dois exércitos até que eu observe os que estão de pé, ansiosos para a batalha e a quem eu devo ocupar-me neste ato de guerra (1.20-22)

 

 

Sañjaya disse: Ó rei, o Senhor Krishna, assim foi requerido por Arjuna, colocando a melhor de todas as quadrigas no meio dos dois exércitos, encarando seus avós, seu guru e todos os outros reis, e disse para Arjuna: Observe estes soldados reunidos! (1.24-25)

 

 

 

        Arjuna viu seus tios, avós, professores, tios paternos, irmãos, filhos, netos, e outros camaradas no exército (1.26).

 

 

 

Após ter visto seus sogros, companheiros, e todos os seus parentes situados no posto dos dois exércitos, Arjuna ficou com grande compaixão e pesar, dizendo as seguintes palavras: Ó Krishna, vendo meus parentes, fixos com o desejo de lutar, meus membros tremem, minha boca começa a secar. Meu corpo estremece e meus cabelos se arrepiam (1.27-29)

 

 

 

O arco escorrega de minhas mãos e minha pele queima. Minha cabeça tonteia, e eu estou incapaz de ficar de pé e, Ó Krishna, eu pressinto maus presságios. Não vejo nenhum proveito em matar meus parentes na batalha (1.30-31)

 

 

 

 

Mesmo sendo Arjuna um verdadeiro devoto do Senhor, repleto de qualidades santas, ao perceber toda destruição que estava por vir, ficou transtornado. Apesar de Ter sido criado e educado para ser um guerreiro, seu forte corpo estremeceu e Arjuna, então, manifestou todas as características típicas de uma pessoa absorta na concepção de vida material. Krishna permitiu que seu amigo Arjuna representasse, naquele momento, o papel de uma pessoa que estava ignorando seu verdadeiro eu. Todas as justificativas de Arjuna para abrir mãe da guerra eram bastante comoventes e verdadeiras. Ao extinguir seus parentes, daria fim a sua tradição familiar, as novas gerações agiriam em atos irreligiosos e o sistema de castas sucumbiria.

 

Arjuna, então, largou-se, desanimado com aquela situação. O dilema de Arjuna é, na realidade, um dilema universal. Cada ser humano encara dilemas, grandes ou pequenos, em suas vidas diárias, quando realiza a suas obrigações. O dilema de Arjuna foi o mais importante de todos. Ele tinha que fazer uma escolha entre lutar a guerra e matar seus mais reverenciados gurus, seus mais queridos amigos, parentes próximos, e muitos guerreiros inocentes, ou fugir do campo de batalhas com o objetivo de preservar a paz e a não-violência.

 

O ensinamento central do Gita é a obtenção da liberdade ou da alegria, pelo cativeiro da ação da vida de cada um. Sempre se lembrem da glória e da grandeza do criador e da ação eficiente de seus deveres, sem estar apegados ou afetados pelos seus resultados, mesmo que a obrigação demande, de vez em quando, na violência inevitável. Algumas pessoas negligenciam ou desistem de suas responsabilidades na vida pela segurança de uma vida espiritual enquanto outras desculpam-se a si mesmos de uma pratica espiritual porque elas crêem que ela não possuem tempo. A mensagem do Senhor é para purificar todo o processo da vida em si mesma. Não importa o que uma pessoa faz ou pensa deverá realizar pensando na glória e na satisfação do Criador. Nenhum esforço ou custo é necessário para este processo. Faça as suas obrigações como um serviço para o Senhor e humanidade, e veja um único Deus em tudo, num estado de espírito.

 

 

 

 

 

 

 

         Existem muitas formas de conceituar o Yoga. Em cada livro pode-se encontrar um significado diferente, muitas vezes até contraditório entre si. Conhecemos o Yoga pela sua prática externa, as posturas exóticas, ou mesmo posturas de meditação. No entanto, Yoga é muito mais do que uma prática disciplinar, se considerar seu objetivo último. Vindo da língua sânscrita, Yoga deriva da raiz ‘yuj’, que significa literalmente integrar, unir, totalizar. Percebemos que Yoga significa tanto o objetivo último de união entre o Ser e o conhecer, quanto os métodos, o caminho para que isso se torne possível.

            Como diz Anne Besant, “Yoga é a ciência de uma psicologia perfeita, que considera o homem sob todos os seus aspectos. É a aplicação no indivíduo das leis normais que regem a evolução da consciência e dos corpos.” Visto assim, percebe-se o yoga muito mais no campo de uma psicologia evolucionista que simplesmente uma prática de exercícios físicos. Na parte de ásanas, em que se trata exclusivamente da ciência dos exercícios físicos do Yoga, podemos observar um paralelo com a psicologia bastante interessante.

            O mestre Sivananda atesta ao Yoga um sentido completamente espiritual: “(…)é um processo pelo qual a identidade da alma individual, e a Alma Suprema, é realizado pelo Yogi (praticante de Yoga); onde a alma humana introduz-se internamente em comunhão com a Realidade Divina.” E, para isso temos um caminho a seguir. Um não. Vários.

            Existem várias modalidades, escolas e estilos de Yoga, que conferem caminhos diferentes para chegarmos a este fim último. Em seu sentido genérico, Yoga refere-se às escolas de Bhakti-Yoga (Yoga devocional), Karma-Yoga (Yoga aplicado nas ações do dia a dia), Jñana-Yoga (Yoga do conhecimento), Mantra-Yoga (Yoga da prática da repetição das palavras sagradas), Kundalini Yoga (Yoga específico para despertar da energia espiritual), Hatha Yoga (Yoga da força física) e Ashtanga Yoga ou Raja Yoga (conhecido como o Yoga Clássico, base para todos os outros tipos de Yoga).

            Além dessas escolas de Yoga, temos estilos diferentes para a maioria delas. O Hatha Yoga pode ser aplicado ou ensinado de diversas formas e em diferentes graus de dificuldade ou esforço físico.

            Diante de tantas opções, tantas alternativas, por onde ir? O Yoga é uma chave que cabe em qualquer fechadura: você pode escolher qualquer um dos ramos ou modalidade em que sua personalidade se adapte melhor e ir mudando conforme sua consciência for evoluindo. O Yoga não somente te dá essa chance como oferece o caminho certo para cada um de seus praticantes. 

            E apesar da tentativa de elucidar o que é Yoga, por mais que se diga ou se tenha dito em tantos livros, parece que o Yoga não se encaixa completamente em nenhum desses conceitos. Isso acontece porque o Yoga transcende o que as palavras podem dizer, e seu significado último é pessoal e advém com a sua experiência, com a sua prática pessoal de Yoga.   

 

             E então…? Vamos praticar??

Ao analisar a história da tradição da Antiga Índia, veremos que alguns elementos estão presentes desde os primórdios. Um deles é a prática de mantras: a vocalização de sons considerados sagrados visando algum objetivo. Ora, bem sabemos que os Vedas existiram muito antes de serem escritos e sua existência se perpetuou milênios através da repetição sistemática de seus hinos, todos compostos em sânscrito.

            Neste tempo, os mantras eram utilizados em rituais brâhmanes, geralmente com o intuito de clamar alguma divindade, de garantir proteção e muitos outros objetivos poderiam ser citados. O essencial, entretanto, é que naquela época os mantras eram utilizados como palavras de poder que concediam um propósito específico ao serem entoados corretamente. Algumas escolas tântricas na atualidade conservam esta mesma utilização.

            Entretanto, com o passar do tempo, o mantra passou a ser utilizado como uma via de libertação por aqueles que almejavam a liberação espiritual. Sua prática tornou-se, por assim dizer, um yoga, isto é, uma disciplina de união do homem com a divindade. O Mantra Yoga possui um conhecimento exato, pautado em 16 membros que constituem as condições para uma prática efetiva, caracterizada por uma forte tendência devocional. Por isso, o Mantra Yoga associa-se com o Yoga da Devoção (Bhakti) e tornou-se, também, uma técnica utilizada em muitos outros ramos ou tipos de yoga.

            Tradicionalmente um mantra só é um mantra quando é passado de mestre para discípulo na ocasião do ritual da iniciação. Assim sendo, o mantra Om, por exemplo, não seria um mantra ao ser entoado por um não – iniciado. É o rito de iniciação que confere o poder mântrico ao som. Entretanto, com o advento do Tantra e a concepção do sistema sutil dos chakras, reconheceu-se que os sons sânscritos, as 50 letras desta língua sagrada, compunham a vibração contida nos centros energéticos. Logo, os mantras passaram a ser utilizados como meios de expansão de consciência e como modelos para desintegrar condicionamentos, passando a ser utilizados nas escolas de Hatha Yoga e algumas escolas tântricas.

            Hoje em dia o Mantra Yoga é considerado o caminho mais fácil para alcançar a auto-realização, de acordo com vários Mestres, como Swami Sivananda e Sathya Sai Baba. Existem muitas maneiras de se entoar o mantra, entretanto, é necessário enfatizar a atitude correta, pois a vocalização automática de algumas palavras não vai levar o praticante a lugar algum. É preciso ter em mente o sentido e o poder do mantra a ser entoado. É necessário um profundo bhava, um profundo sentimento devocional, uma atitude de respeito e de perseverança na prática.

            O mantra pode ser entoado repetidamente através da prática denominada Japa Yoga, onde tradicionalmente se utiliza um colar de 108 contas (japamala). Esta é a prática tradicional do Bhakti Yoga e é também utilizada como técnica para concentração mental. O mantra, desta forma, pode ser repetido de forma verbal, por sussurro ou mentalmente. Em todas as formas, a postura é um importante aliado, uma vez que a coluna vertebral age como um fio condutor, que eleva a energia dos centros primários para os centros superiores.

            Outra forma de entoar os mantras é através de Kirtans ou Sankirtans, quando a prática é realizada com várias pessoas. Então, os mantras são cantados, possuem uma melodia, realizada com instrumentos musicais ou mesmo palmas. Desta maneira, a prática de mantras torna-se uma celebração, podendo haver dança. O principal objetivo aqui é aumentar o sentido da devoção, elevando as emoções ao patamar da divindade, o que também repercute num estado de consciência especifico. É dito que esta é a maneira mais fácil de saber o que é Ananda, o estado de Bem-Aventurança, tido como inerente à natureza do ser humano.

            Geralmente, o mantra a ser entoado pelo praticante é estipulado pelo Guru, baseado na personalidade de seu discípulo ou recebido diretamente da Divindade. Entretanto, há alguns “mestres” vendendo por aí as palavras de poder… Caso você ainda não tenha encontrado seu instrutor espiritual e queira praticar o mantra yoga, não é o caso de se desesperar e acabar comprando essa patifaria: ela tem menos poder do que suas intenções verdadeiras.

            Neste sentido, Swami Sivananda deixou-nos uma luz: para nossa época de escuridão, ele diz que nada possui tanto poder quanto o Maha Mantra, mesmo para os não-iniciados. Conta a historia que o Rishi Narada foi visitar o senhor Brahmá e disse: “Ó Senhor, as pessoas neste Kali Yuga não serão capazes das austeridades, nem de conduzir os Yajnas (sacrifícios e oferendas), nem de percorrer a via do Vedanta. Por favor tenha compaixão por eles e indique um modo fácil com o qual eles possam atingir Deus?”. O Senhor Brahmá, na sua infinita compaixão e piedade, concedeu o Maha Mantra com o qual as pessoas do Kali Yuga pudessem atingir a auto-realização.

 

 HARE RAMA HARE RAMA

RAMA RAMA HARE HARE

HARE KRISHNA HARE KRISHNA

KRISHNA KRISHNA HARE HARE

 

            Cante o Maha Mantra diariamente e seja feliz! 

A respiração é essencial, pois “levamos a vida do tamanho de nossa Respiração”. Corresponde ao primeiro ato vital do ser humano, o qual vai estar presente durante toda a sua vida. Ao ser cortado o cordão umbilical, o ser humano entra em contato com o mundo através da respiração. É a forma de sentir os outros e o ambiente. Sempre que quisermos sentir menos, respiramos menos, aumentando as tensões e as couraças musculares.

Alexander Lowen (1972), pai da bioenergética diz que “A respiração guarda o segredo da vida….Na respiração nós participamos inconscientemente da Vida Maior…a respiração é um processo de expansão e contracção que envolve todo o corpo e é, ao mesmo tempo, consciente e inconsciente.” (pg. 44). È esta fronteira entre o consciente e o inconsciente em que a respiração se situa que também nos permite dar esse mergulho para dentro de nós mesmos através da simples observação do seu constante fluir, uma importante técnica de meditação que faz parte de várias escolas espirituais.

Os adultos, em especial, apresentam padrões desorganizados de respiração devido às tensões musculares crônicas, que distorcem e limitam a respiração. O foco da Bioenergética é ajudar o indivíduo a perceber e liberar suas próprias tensões,  que o impedem de respirar normalmente. É através da respiração que conseguimos o oxigênio para manter aceso o fogo do nosso metabolismo. Mais oxigênio produz mais energia.

Aliando a respiração ao movimento, é possível reduzir ou eliminar as tensões musculares, melhorando o contato sensorial e emocional com o mundo externo.

Lowen expõe em seu livro “Exercícios de Bioenergética”, que o padrão da respiração relaxada é como se fosse uma onda que flui de baixo para cima na inspiração e de cima para baixo na expiração (isso justifica alguns exercícios). Desse modo, a respiração é uma ação de todo o corpo, sendo que toda musculatura está envolvida em algum grau.

Por abafar fortes sensações de gritar e chorar, a garganta se torna comprometida na respiração. Durante a inspiração, as cavidades largas do corpo (abdômen, tórax, garganta e boca) se expandem para sugar o ar, e em um grande número de pessoas se percebe o fato da garganta estar contraída, limitando severamente a respiração. Desse modo, a respiração também se vincula a voz. Por isso, no trabalho bioenergético também utiliza-se exercícios de emitir sons.

Existem dois mandamentos no trabalho bioenergético da respiração:

1º à Nunca prender a respiração. O indivíduo deve estar consciente de quando o faz. 2ºà Emita sons sempre que achar os exercícios muito fortes. Emitir sons diminui tanto a pressão quanto a dor.

Os exercícios respiratórios Bioenergéticos são realizados com os seguintes propósitos: purificar o corpo de toxinas; remover o estresse e as emoções negativas que criam enfermidades psicossomáticas; revitalizar o sistema respiratório; melhorar a circulação e tensão arterial; potencializar o cérebro; fortalecer o sistema imunológico; liberar a tensão do corpo e da mente.

 

EXERCICIOS RESPIRATÓRIOS BIOENERGÉTICOS

 

1-      Respiração Purificadora

Serve, precisamente, para liberar o corpo das toxinas. Do ponto de vista fisiológico, 70% das toxinas no nosso corpo se eliminam através da respiração. Portanto, uma respiração superficial deixa uma enorme quantidade de resíduos no nosso organismo que, com o tempo, vão debilitando, envelhecendo e abrem portas a todo tipo de doenças.

Por outro lado, uma baixa quantidade de oxigênio em nosso sangue tende a desequilibrar nosso sistema nervoso. A maioria das pessoas utilizam cerca de !0% da capacidade total pulmonar, o que explica a saúde frágil e a tendência maior ao estresse.

Para este mal, a Bioenergética indica a Respiração Purificadora, também conhecida como Respiração de Poder nas escolas de yoga tibetano, tal é a efetividade de seus benefícios, e então o nome não deixa de ser sumamente descritivo.

A técnica consiste no pranayama de numero 6, Manasika Pranayama, explicado anteriormente.

 

2 – Respiração Removedora

Como diz o próprio nome, esta respiração tem o poder de remover resíduos energéticos e também se encaixa como uma técnica variante de Manasika Pranayama.

Ao inalar, visualize um fluxo de luz entrar através de seus pés. Este fluxo de energia limpa, elimina toda energia negativa, estresse, ansiedade, bem como qualquer emoção suprimido. Aproxime esta energia em qualquer área do corpo em particular, se necessário. Ao exalar, visualize que toda esta energia agora está definitivamente renovada, transmutada, reconfigurada.

 

 

1 – Respiração imperceptível (Tamas pránáyáma)

A técnica consiste em inspirar tão lentamente que não se consiga perceber o mínimo movimento respiratório; e então, se retem o ar por alguns segundos e expirar tão lentamente que seja imperceptível.

 

2 – Respiração dinâmica (Rajas pránáyáma)

Esta configura uma repiração bioenergética. Inspirar elevando os braços até a altura dos ombros e então retenha o ar fechando firmemente as mãos e movimentando vigorosamente os braços, flexionando-os e estendendo-os, trazendo as mãos até aos ombros e voltando a estendê-los várias vezes antes de expirar; expirar lentamente, baixando os braços simultaneamente.

 

3 – Respiração abdominal  (Adhama pránáyáma).

Inspirar projetando o abdômen para fora, procurando encher a parte baixa dos pulmões; pause a respiração por poucos segundos e então expire retraindo o abdômen, procurando esvaziar tanto quanto possível os pulmões, especialmente a parte baixa.

Muitos estudos indicam que, de fato a respiração abdominal produz um estado de relaxamento que, com o tempo pode, mesmo acabar por reduzir significativamente a tensão alta e os estados de ansiedade.

A respiração abdominal é usada muitas vezes em psicoterapia para combater estados de ansiedade e ataques de pânico. No ínicio de um ataque de pânico, por exemplo, se formos capazes de fazer algumas respirações abdominais o mais provável é que todos os outros sintomas acabem por não chegar a aparecer e que o ataque acabe mesmo por não ser desencadeado.

Este exercício promove um massageamento nos órgãos abdominais, melhorando o seu funcionamento. Elimina a ansiedade e aumenta a força de vontade, a concentração e a vivacidade mental. Feita sem esforço, revitaliza e predispõe a pessoa a uma atitude aberta e receptiva, tendendo a aceitar a realidade tal como é.

 

4 –Respiração do sopro rápido (Bhastriká)

Inspirar e expirar bem rápido e forte pelas duas narinas, produzindo um ruído alto como o de um fole. O ritmo ideal é o de inspirar e expirar em apenas um segundo (um segundo para os dois movimentos), trazendo uma movimentação abdominal igualmente forte, sendo que na inspiração deve-se projetar o abdômen a frente e na expiração, recolhe-se o abdômen, contraindo-o. Entretanto, para conseguir chegar neste ponto, deve-se praticar o exercício concentrando-se no movimento e na coordenação desta com a respiração,  executando-o mais lentamente para não perder o ritmo.

Este exercício deu origem à respiração holotrópica terapia que utiliza esta respiração rápida, provocando uma hiperventilação que, juntamente com outros estímulos e com a repetição deste padrão respiratório durante algum tempo, acaba por produzir uma alteração dos estados psicológicos que leva ao desbloquear de certas memórias e emoções reprimidas. A este assunto dedicaremos um capítulo especial.

 

5 –– Respiração completa (Rája pránáyáma)

Devido a uma série de fatores, a maioria das pessoas mantém um padrão respiratório superficial e inadequado. Como vimos em bioenergética isso pode acontecer devido a um bloqueio crônico na musculatura que rege a respiração. Ou acontece de, simplesmente, a pessoa não ter consciência que sua respiração é falha ou deficiente. A respiração, quando tem seu padrão muito curto, indica falta de contato com o mundo interior e seus acontecimentos. Ao passo que, ao sugerir ao paciente que mantenha um padrão respiratório satisfatório, pode favorecer seu contato com emoções reprimidas e com o mundo interior.

Inspirar projetando o abdômen para fora, em seguida, as costelas para os lados e finalmente, dilatando a parte mais alta do tórax e expirar, soltando o ar primeiramente da parte alta, depois da parte média e finalmente da parte baixa dos pulmões.

Efeitos: Aumento considerável da capacidade pulmonar, da resistência e do tônus geral do organismo, desintoxicação e oxigenação celular, revitalização, rejuvenescimento e tonificação. No aspecto psíquico, outorga ao praticante receptividade, atitude aberta em relação ao mundo que o rodeia, expansão total de si, concentração, entrega, felicidade. Aumentando a elasticidade da estrutura ósseo-muscular, o prána kriyá dissolve tensões somatizadas na região abdominal, nos ombros e no pescoço.

 

6 – Respiração completa com mentalização (Manasika pránáyáma)

A técnica, em si, consiste em coordenar a respiração e manter um padrão de visualização.  Inspire lentamente e imagine com nitidez uma forte luz dourada penetrando por suas narinas; retenha o ar nos pulmões, visualizando esta energia sendo absorvida pelos alvéolos, penetrando na corrente sangüínea e sendo depositada em cada célula, revitalizando-as. Ao expirar, mentalize seu corpo irradiante como o sol.

A “cor” da luz pode ser modificada de acordo com os benefícios específicos que se deseja alcançar, aliando, assim, o poder da cromoterapia. Deu um modo geral, esta especificação pode mudar, mas a essência delas são:

Vermelho: aumenta a energia vital (fogo)

Rosa: amor

Laranja: também é estimulante, estando sua ação mais ligada à alegria e libido

Amarelo: desenvolve a criatividade, purifica o sistema

Verde: cura

Azul: acalma e equilibra

Violeta: tem relação com o karma

Dourado: exulta a energia do sol

Prateado: exulta a energia da lua

Um aspecto importante é que o grau de consciência que colocamos na nossa respiração, determina a natureza de nossas manifestações corporais e mentais. É através da respiração que a energia se acumula, circula e irradia para os muitos aspectos do nosso Ser. Aliando esta fato à mentalização ativa de absorção e acúmulo de energia, os resultados são ainda maiores, ainda que o paciente não acredite no poder da técnica. A mudança energética existe e é real.

 

7 – Respiração alternada sem ritmo (Nádí shôdhana pránáyáma)

a) Colocar as mãos em jñána mudrá;

b) obstruir a narina direita com o dedo médio da mão direita em jñána mudrá26;

c) inspirar pela narina esquerda (respiração completa);

d) reter o ar o maior tempo possível, sem exagero, confortavelmente;

e) trocar a narina em atividade, obstruindo agora a narina esquerda, sempre com as mãos em jñána mudrá e utilizando a mesma mão para obstruir a narina;

f) expirar pela narina direita;

g) continuar o pránáyáma, inspirando pela narina direita e assim sucessivamente.

Obs.: Note que a narina em atividade é alternada sempre que os pulmões estão cheios e jamais quando estão vazios. Há outros mudrás que podem ser utilizados para obstruir as narinas e cada escola tem preferência por um deles.

 

8 – Fisioterapia Respiratória

É um bom meio de ampliar, aos poucos, a capacidade respiratória do individuo, ao mesmo tempo que torna este consciente de seu processo respiratório, além de oferecer algum controle, o que no inicio pode ser muito favorável.

A técnica consiste em inspirar e reter a respiração várias vezes, até que os pulmões estejam completamente cheios. É, portanto, uma inspiração realizada pausadamente. No expirar observe este mesmo processo, soltando e retendo, repetidas vezes. Procure conhecer os limites de ambos, inspiração e expiração.

Este exercício trás uma consciência aprofundada da respiração e do quanto que se pode respirar, “reter”. Muito indicado para quem não consegue respirar de forma profunda, podendo ser um preparatório para este. Lembramos sempre que tomar contato com a respiração é o primeiro passo para ter contato com as emoções mais internas.

Este é também um bom exercício para se trabalhar a couraça muscular. À medida em que crescemos, nós invariavelmente desenvolvemos padrões de tensão e contração da energia, que impedem o livre fluxo e a irradiação da energia para todos os níveis do nosso ser. Ficamos carentes de energia e vitalidade ao nível do corpo e da mente, de nossas relações com o mundo externo e os outros. Nos sentimos infelizes ansiosos e, na pior das hipóteses, perdemos até mesmo a capacidade de sentir. Sentimentos e energia estão estreitamente relacionados. Cada vez que nos sentimos ameaçados, restringimos a nossa respiração, e consequentemente as correntes de energia que nos permeiam, bloqueando e congelando sentimentos, tanto de dor quanto de prazer.

 

9 – Respiração circular

Exercício muito parecido com o Bhástrika, porém com nítidas diferenças. A respiração circular, como o próprio nome diz, se propõe a fazer a respiração circular, sem pausa entre inspiração e expiração ou expiração e inspiração. Entretanto, a  respiração circular se faz num ritmo suave, em circulação, e a ênfase da técnica está na consciência e atenção plena focada na respiração.

Essa forma de respirar cria um circúito forte de energia em fluxo, que se move no corpo e na mente. À medida em que esse fluxo se move com mais intensidade, a pessoa que respira começa a se tornar consciente de padrões específicos de contração, de energia bloqueada. Pelo fato desses padrões de contração estarem enraizados em experiências dolorosas, a consciência no aqui e agora pode trazer dor física e ou sentimentos.

O poder da respiração circular está no seguinte princípio: se a pessoa que respira, mantém a respiração, apesar de experiências de contração que possam emergir, o fluxo continuo de energia libera o padrão da contração, trazendo luz e expansão para onde havia densidade, suavizando e relaxando os pontos enrijecidos e dolorosos da experiência da pessoa, transformando as feridas emocionais em alegria radiante e amorosa. Isso permite “insights” e uma nova compreensão da experiência vivida, integrando-a numa nova forma.

Pratique Yoga!

O Tridente de Shiva, chamado em sânscrito como Trishula, é a arma de Shiva com a qual Ele destrói a ignorância dos seres humanos. As três pontas representam as três qualidades (Gunas) da matéria: Inércia (Tamas), Movimento (Rajas) e Equilíbrio (Sattva). A busca do praticante começa em buscar Sattva e termina quando transcende todas as qualidades da matéria, quando, então, se atinge Moksha, a Libertação, que é objetivo final de toda prática verdadeiramente hindu.

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Hare Rama Krishna

Hari Om. Após o final da Dvápara Yuga, Sri Nárada Muní dirigiu-se pessoalmente ao Senhor Brahma, na ocasião do início da Kali Yuga -era das trevas - e perguntou-lhe: "óh! Bhagavan (mestre) como poderei na terra ser capaz de atravessar a Kali yuga?"
No que o Senhor Brahma lhe respondeu: "óh Sadhu, as Escrituras Sagradas mantém isso em segredo e oculto, e através do qual você vencerá o Samsára na Kali-Yuga; trata-se simplesmente do ato de reverenciar o nome do Senhor Primordial, Sri Narayana (Sri Krishna) através dos Santos Nomes.

O sábio Nárada mais uma vez perguntou: "Quais são esses nomes?, "no que Sri Brahma (Hyranyagarbha) respondeu-lhe: "Os Santos Nomes do Senhor, conforme dito nos Vedas, são:

Hare Rama Hare Rama Rama Rama Hare Hare
Hare Krishna Hare Krishna Krishna Krishna Hare Hare

Estes dezesseis nomes aniquilam os maus efeitos na Kali-Yuga, e não há meio melhores do que Eles, que possam ser vistos nos Srutis. Estes dezesseis nomes destróem a imobilidade do Jíva, rodeando-o com dezesseis raios (kalas). E tal qual a branca luz do sol dissipa as nuvens escuras, atuando como um círculo mágico protetor de todas as entidades vivas existentes, e assim desvelando o Parabrahman (o Absoluto).

Kalishantarana Upanishad

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Ganesha Shatakam Strotam – Mantra Védico para Ganesha

Narada disse:

Inclinando a cabeça, eu saúdo o Senhor removedor dos obstáculos, filho da divina Gauri; seu coração é a morada de todos seus devotos; medito, neste momento, em você, para que possam ser removidos todos os obstáculos ora no meu caminho.

Nomes de Ganesha através dos quais ele deve ser lembrado:

1 – Aquele que tem a tromba curva;

2 – Aquele que tem um dente;

3 – Aquele cujo veículo é um rato escuro;

4 – Aquele que tem a face de elefante;

5 – Aquele que tem um grande abdome;

6 – O grande;

7 – O rei dos obstáculos;

8 – Aquele que tem a cor escura;

9 – Aquele que tem a lua na testa;

10 – O removedor dos obstáculos;

11- O Senhor dos ganas, forças de Shiva;

12 – Aquele cuja forma é de elefante.

Ó Senhor, para aquelas pessoas que recitam os doze nomes três vezes ao dia (ao nascer do sol, ao meio dia e ao pôr-do-sol) que não haja medo de obstáculos e que tudo seja realizado.

Para aquele que deseja conhecimento, o conhecimento é adquirido. Para aquele que deseja riqueza, a riqueza é conquistada. Para aquele que deseja filhos, filhos serão alcançados. Para aquele que deseja libertação, os meios para ela serão encontrados.

Os versos de Ganesha devem se recitados durante seis meses, e o fruto será alcançado. Haverá sucesso no espaço de um ano, não há dúvida quanto a isso.

E tendo sido escrito, aquele que copiar os versos e distribuir a oito brahmanas conseguirá todos os conhecimentos, com as bençãos do Senhor Ganesha.

Assim, completam-se os versos encontrados no Shri Narada Purana ao Senhor Ganesha, para a destruição dos obstáculos.