Desde ontem, quando tive um contato espiritual muito importante com uma certa mulher, ainda misteriosa pra mim, tenho refletido sobre o verdadeiro significado do Hatha Yoga. Hatha Yoga é comumente traduzido como o yoga físico, o yoga do corpo e ainda o yoga do esforço violento. A meu ver, todas essas traduções são de péssimo gosto e contribuem ainda mais para denegrir a imagem do hatha yoga.

Tenho uma visão particular do Yoga em si. Só consigo ver o Yoga como um caminho espiritual, cujas técnicas configuram num mapa para a auto-realização ou iluminação – moksha. Neste sentido, Hatha Yoga é o caminho da união de Ha e Tha, Sol e Lua, em referência às nadis Ida e Pingala, dois canais sutis muito importantes, por onde circula a energia sutil ou prana. É dito nos textos sagrados que a energia primordial (kundalini) só ascende quando Ida e Pingala (ha e tha) estão em perfeito equilíbrio. Só que num ser humano “normal” elas nunca estão em equilíbrio e isso pode ser atestado por diversos fatores.

Ida e Pingala frequentemente estão associadas ao sistema nervoso simpático e parassimpático, mas também com os lados direito e esquerdo do corpo. Assim sendo, os famosos “desvios posturais” podem, por vezes, demonstrar o hiperfuncionamento de um dos canais e frequentemente o fazem. Tenho observado isso ao longo desses anos dando aulas de yoga. Sempre faço um exame físico no aluno, para ver os vícios posturais e, com o yoga, tentar consertá-los na prática do dia a dia. Conversando com o aluno, atesto seu funcionamento psico-emocional, sempre relacionado com o hiperfuncionamento de uma das nadis, e sempre bateu. Não é uma coisa do tipo” pode ser que”, eu vi com os meus própios olhos e atestei através da minha prática como instrutora. Talvez, mais para frente, eu faça um estudo científico sobre isso, pois na psicologia isso é de muita relevância.

Pois bem. Os desvios posturais, como chamamos, têm relação com o funcionamento da psique e da emoção de uma pessoa, o que está estreitamente ligado ao funcionamento de uma ou outra nadi. Sendo assim, o trabalho do hatha yoga é equilibrar essa disfunção através de posturas psicofísicas e também através de determinados kriyas, pranayamas. As técnicas mais “sutis” servem mesmo para preparar o praticante para o despertar em si. Mas veja: o despertar não é possível enquanto não houver a união de Ha e Tha. Nada mais energético.

Ainda não falamos dos sistemas de chakras, os centros que captam, transformam e distribuem energia. Os desvios posturais também têm relação com o hiper ou hipo funcionamento de determinado chakra e isso é atestado após um estudo cuidadoso do praticante. Diversos problemas físicos (psicossomáticos) advém do funcionamento inadequado dos chakras, o que também harmonizamos através do hatha yoga (em seu sentido mais amplo, pois há abordagens que lidam diretamente com esta questão, como o Dakshina Tantra Yoga).

Então, da próxima vez que pensar em Hatha Yoga, esqueça o corpo, o esforço e concentre-se na energia e no seu fluxo desta energia dentro do seu corpo. Sinta primeiro no físico, e logo os resultados se farão presentes também na mente.

Om Shanti Shanti Shantihi

Hari OM