Hatha significa “forte” ou “força”, significado que alude à força interior da Kundaliní. Esse ramo de Yoga é associado com Matsyendra Nátha e Goraksha Nata, considerados dois mestres perfeitos ou siddhas, e constitui um desenvolvimento medieval do yoga tântrico. A realização do Si Mesmo é atingida por meio do veículo físico e de sua matriz energética (prânica). Na verdade, é através do corpo físico que se consegue manipular essa matriz prânica, e aqui se justifica a importância que este sistema dá ao modelo de anatomo-fisiologia sutil, que veio do Tantra. As disciplinas no Hatha Yoga foram elaboradas para provocar a manifestação da Realidade última no corpo e na mente dos seres humanos. Essas disciplinas dão muita ênfase nas práticas psico-físicas e de controle do alento, mas também consideram igualmente importantes o trabalho de retração dos sentidos, concentração, meditação e fusão ou êxtase (samádhi). Também são muito importantes os processos de purificações do corpo e, por conseguinte, dos canais sutis, local onde a força vital circula. Quando a força vital é dominada através do controle da respiração (coisa que só é possível se os canais estiverem purificados), a mente também é dominada, já que mente e a respiração estão estreitamente ligados. Então, com a mente subjugada, torna-se possível o cultivo de práticas superiores que levam à fusão extática com o objeto de contemplação. Algumas autoridades afirmam que o Hatha Yoga é um mero apêndice do Raja Yoga, mas Feuerstein (2005), defende que pela sua estrutura de prática (sádhana), o Hatha Yoga constitui um caminho autônomo para a Libertação.

Encontramos uma ótima descrição para Hatha Yoga em Blay (2004):

“A técnica de integração ou unificação natural do homem mediante: a progressiva purificação do corpo, o desenvolvimento de suas potencialidades, a perfeição de seu funcionamento, e a crescente integração da mente com ele, de tal modo que, mediante a regularização do ritmo e do tônus fisiológico, determinam-se automaticamente certos estados de consciência desejados, e vice-versa, dado um estado mental determinado, o corpo reage com uma adaptação perfeita e imediata, tanto em seu funcionamento interno como externo.” (BLAY, 2005, p.31)