O Yoga desenvolveu-se no subcontinente indiano, onde assumiu três grandes formas principais: o Yoga hindu, o Yoga budista e o Yoga jaina. Consideramos aqui o Yoga hindu somente, que adquiriu várias formas, sendo que as principais são: Raja Yoga (também chamado de Patañjala Yoga ou Yoga Clássico), o Hatha Yoga, o Karma Yoga, o Jñana Yoga, o Bhakti Yoga, o Mantra Yoga, o Tantra Yoga (que inclui o Laya Yoga e o Kundaliní Yoga). Isso aconteceu porque, ao se deparar com as diferenças entre os seres humanos, os mestres de Yoga elaboraram diversas metodologias para que o Yoga fosse útil a todos. Esses vários ramos correspondem a certas capacidades ou preferências emocionais e mentais especificas que serão elucidadas mais adiante (FEUERSTEIN, 2005).

A Yogatattva Upanishad v.18-25 (Trad. TINOCO, 2005), menciona apenas quatro tipos de Yoga, que, de acordo com o shastra, são diferentes apenas à maneira de praticar. São eles: Mantra Yoga, Laya Yoga, Hatha Yoga e Raja-Yoga. Nos versos seguintes explica cada um deles:

O Mantra Yoga consiste em repetir incessantemente [prática do japa] durante doze anos as fórmulas e as letras matrizes.

Adquirem-se, assim, progressivamente o conhecimento e os poderes como o de se fazer tão tênue quanto um átomo.

Um tal Yoga, portanto, não interessa senão ao yogin pouco dotado intelectualmente.

O Laya Yoga, embora descritos de outros modos, consiste unicamente em destruir a atividade mental. Esteja andando ou imóvel, dormindo ou comendo, o yogin medita sem descanso sobre o Senhor sem limites: assim consegue ele destruir sua atividade mental. Isso é Laya Yoga.

E agora o Hatha Yoga: as oito etapas que ele comporta são os refreamentos (yama) e disciplinas (niyama), as posturas (ásana) e o controle do alento (Pránayama), a retenção dos poderes sensoriais (Pratyahára) e a fixação do pensamento (dhárana) e por fim a meditação profunda (Dhyána) e o êntase final (samádhi).

Deve-se juntar a isso os três grupos de sinais e as diversas contrações musculares (bandhas) (Trad. TINOCO, 2005, p. 183-184)

As muitas formas do Yoga que foram se desenvolvendo ao longo dos anos têm, portanto, a mesma finalidade de união, o que os diferencia são os meios, as técnicas, os instrumentos e mecanismos que adotam para chegar a este fim último. O Raja Yoga tem por objetivo a libertação através da meditação e se dirige aos praticantes capazes de uma concentração intensa acompanhada pela renúncia ao mundo. O Hatha Yoga é o “Yoga da força”, que tem por objetivo a libertação por meio da transformação física. O Jñana Yoga tem por objetivo a libertação por meio do exercício perseverante do discernimento superior. O Karma Yoga tem por objetivo a libertação por meio do serviço auto-transcendente – é frequentemente destinado àqueles que não possuem as qualidades necessárias para a concentração e a meditação, mas, na verdade, é um caminho necessário para todos que praticam Yoga, independente da modalidade. O Bhakti Yoga é o Yoga da devoção, que atinge a libertação por meio da entrega confiante de si mesmo ao Ser divino; é destinado àqueles dotados de uma profunda capacidade de sentir e que vêem a realidade transcendente de forma pessoal. O Mantra Yoga tem por objetivo a libertação por meio da recitação (vocal ou mental) de sons dotados de um poder especifico. O Tantra Yoga tem por objetivo a libertação por meio de rituais, da visualização, do trabalho energético sutil e da percepção da identidade ou continuidade entre o mundo comum e a Realidade transcendente.

Em uma obra bem mais antiga, Blay (2004) define esses sistemas ou ramos de Yoga de forma mais simples, destacando também seus textos principais, o que pode ser contemplada no quadro abaixo.

QUADRO 6 – Os Sistemas de Yoga

SISTEMA DE YOGA

CARACTERISTICAS

TEXTOS PRINCIPAIS

Hatha Yoga

Usa o domínio externo e interno do corpo como um ponto de partida e como meio para chegar à integração.

Goraksha, Shiva e Gheranda Samhita, Hatha Yoga Pradipiká e Yoga Kundaliní Upanishad.

Karma Yoga

Emprega a atividade externa, a vida ativa, com renuncia progressiva ao objeto da ação.

Bhagavad Gita, Bhagavata Purana e Nara da Purana.

Bhakti Yoga

Do amor e devoção a Deus a serviço do próximo.

Bhagavad Gita, Bhagavata Purana e Narada Purana.

Raja Yoga

Utiliza o domínio interno dos mecanismos da atividade mental.

Yoga-Darshana, Roga Sara e Jivan MuktiViveka.

Jñana Yoga

Emprega o discernimento e o conhecimento abstrato.

Mandukya Upanishad e todas as obras de Shakara

Mantra Yoga

Usa o domínio do som, externo e interno, e a aplicação do ritmo a determinadas combinações de sons.

Hamsa Upanishad, Brahma VidyaUpanishad, Maha Vakya Upanishad e Agni Purana.

Tantra Yoga

Emprega a prática das energias psíquicas e fisiológicas.

Shat chakra Nirupana, Paduka Panchaka, Linga Purana e Devi Bhagavata Purana.

Fonte: BLAY, A. 2004, p. 29-30

Apesar de tantos tipos e estilos diferentes de Yoga, como afirma Feuerstein (2005):

No coração de todas as formas de yoga repousa o pressuposto de que não realizamos ainda o pleno potencial do ser humano. Em especifico, o Yoga busca nos pôr em contato com nosso núcleo espiritual – nossa natureza mais intima – aquele ou aquilo que somos na verdade. Essa natureza é descrita de diferentes maneiras pelas diversas escolas de Yoga. Não se espera que acreditemos em nenhuma das explicações tradicionais; temos liberdade para deixar que nossas experiências pessoais e nossa realização nos moldem o entendimento. (FEUERSTEIN, 2005, p.33)