Os Vedas são a literatura sagrada do Hinduísmo, chamado também de shastras. Os Vedas são em número de 4: Rig Veda, Sama Veda, Atharva Veda e Yajur Veda, frequentemente separado em “Branco” e “Negro”, mas a única diferença entre ambos é que o Yajur Veda Negro contém, no decorrer de seu texto, diversos comentários explicativos, o que dificulta sua leitura.

rigveda
De forma geral, os Vedas transmitem o conhecimento para a auto-realização e versam sobre como libertar-se do sofrimento. A meta de todo o pensamento indiano é atingir a Verdade, que somente é possível através da auto-realização. O reconhecimento desta verdade é que traz a liberdade do ciclo de renascimentos (samsára), que prega que a alma, iludida pela magia (maya) do mundo fenomênico, fica presa a este mundo pelo resultado de suas ações (karma), ficando, então, subordinada à repetidas misérias de nascimento, velhice, doença e morte (samsára). Encarnada, está sujeita ainda há mais três tipos de sofrimentos: os causados pelo próprio corpo; os causados por outras entidades vivas; e aqueles causados pelas forças da natureza (terremotos, tempestades, etc.). O propósito dos Vedas, portanto, é livrar o ser de todo este sofrimento, bem como do ciclo eterno de samsára.

Dos quatro Vedas principais, surgem uma série de textos subsequentes, relacionados com os quatro hinos primários. Assim, para cada ramo védico, existem os Samhitas, Aranyakas, Brahmanas, Upanishads, Sutras e Tantras.

Os Samhitas (‘coleções’) são os textos mais remotos, que constituem hinos dedicados aos deuses védicos, contendo fórmulas e invocações diversas. Remontam de 4.500 a.C. e 2.500 a.C.

Os Brahmanas são textos explicativos sobre rituais e outras práticas, contendo instruções detalhadas, tal como um manual para serem utilizados por sacerdotes. Remontam de 2.500 a.C. e 1.500 a.

Os Aranyakas (tratados da floresta) foram elaborados pelos meditadores das florestas ou foram feitos para serem utilizados por estes. Suas doutrinas enfatizam o Eu, sujeito do sacrifício, e não a execução de rituais como nas obras anteriores. De acordo com os Aranyakas, os deuses estão escondidos na consciência do indivíduo, onde também se oculta a Verdade. Os rituais são interiorizados em forma de sacrifício. Remontam de 2.500 a.C. e 1.500 a.C.

As Upanishads são tratados filosóficos acerca da natureza do Absoluto (Brahman), e sobre a origem, destino e essência do homem. Algumas são chamadas de Vedanta, ‘o fim dos Vedas’, aludindo o aspecto conclusivo dos mesmos. Remontam de 1.500 a.C. e 1.000 a.C.

Os Sutras são textos quase sempre muito pequenos e muito resumidos e que podem versar sobre assuntos diversos como gramática, literatura, astronomia, leis éticas e sociais, dentre outros.  Remontam de 100 a.C. e 500 d.C.

O Mahábhárata é o maior poema épico do mundo, sendo oito vezes maior que a Ilíada e Odisséia juntas. Em seu interior, há o Bhagavad Gita, o conhecido texto sobre Yoga, que narra os momentos anteriores à guerra de Kurukshetra. Igualmente, o Ramayana é um importante poema épico que narra o drama do rei Rama contra o demônio Ravana. O Mahábhárata e o Ramayana são denominados Itihasas. Ambos remontam 1.000 a.C. e 100 a.C.

Os Puranas contém lendas, genealogia dos deuses, ensinamentos mitológicos, práticas espirituais, entre outros. O mais conhecido entre nós é o Bhagavata Purana também conhecido como Srimad Bhagavatam. Data provável de elaboração: 500 d.C. e 1.300 d.C.

Os Tantras são textos recentes, que possuem rituais diversos, abarcam a concepção de uma fisiologia sutil para uma espécie de cartografia da consciência e ensinam como desenvolve-la integralmente, além de possuir elementos éticos e doutrinários. Remontam de 500 d.C. e 1.300 d.C.

Há ainda outra classificação conhecida como Srutis, ‘aquilo que foi revelado’, que compreendem os Samhitas, os Brahmanas, os Aranyakas e as primeiras Upanishads; e o Smritis, ‘aquilo que foi lembrado’, compreendendo os demais textos.

Saber sobre essa classificação védica é importante por dois fatores: o primeiro porque é beber água direto da fonte, todo o conhecimento que chegou até nós veio desses textos; segundo porque o conhecimento desvelado nestes shastras abrem nossos olhos sobre o que é verdadeiro ou não – essencial para um mundo cheio de charlatões.

Lembre-se, se houver alguma dúvida, me escreva.

Namastê.