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A palavra “Yoga” vem da raiz sânscrita “Yuj”, a qual significa “unir”. Este é um sentido espiritual; é um processo pelo qual a identidade da alma individual, e a Alma Suprema, é realizado pelo Yogi (praticante de Yoga); onde a alma humana introduz-se internamente em comunhão com a Realidade Divina. Assim como a cânfora se torna una com o fogo, assim como um gota d’água quando é jogada dentro do Oceano torna-se una com ele, a alma individual, quando purificada, quando está liberada da luxúria, avareza, ódio e egoísmo, quando ela se torna pura (Sattvica), torna-se una com a Alma Suprema. A ciência que ensina o caminho para conseguir o conhecimento oculto é chamada de “Yoga Sastra”.

Yoga, no seu sentido genérico, refere-se a Karma-Yoga, Bhakti-Yoga, Raja-Yoga, Jñana-Yoga, Hatha-Yoga, Mantra-Yoga, Laya-Yoga ou Kundalini-Yoga. No sentido restrito, significa Ashtanga-Yoga, ou Raja-Yoga, de Patañjali Maharishii, apenas.

A palavra Yoga é também aplicável no sentido secundário para todos os fatores e práticas que conduzem para a realização ou concretização do Yoga, e, como tal, indiretamente conduzem para a liberação ou perfeição final. Similarmente, aquele que tem alcançado o Asamprajñata Samadhi final, ou união com a Realidade, é chamado de Yogi, assim como aquele que está tentando adquirir a perfeição no Yoga é também chamado de Yogi.

A filosofia do Yoga é um entre os seis sistemas de filosofias Hindus. Diferente de muitas outras filosofias no mundo, ela é uma filosofia inteiramente prática. O Yoga é uma ciência exata, baseada em certas leis imutáveis da Natureza. Ele é bem conhecido pelas pessoas de todo o mundo, interessadas no estudo da civilização e cultura do Oriente, assegurando no respeito e na reverência nos seus conteúdos na chave mestra que abre as portas do reino da Paz, da Bem-aventurança, do Mistério e do Milagre. Até mesmo os filósofos do Ocidente encontram consolo e paz nesta Ciência Divina. Jesus Cristo, em si mesmo, foi um Yogi, de uma ordem superior, um verdadeiro Raja-Yogi. O considerado fundador do Yoga, Patañjali Maharishi, não foi unicamente um filósofo e um Yogi, mas um médico também. Ele viveu três mil anos antes de Jesus Cristo.

O Yoga é um estado de Paz Absoluta, de tal maneira que não há nenhuma fantasia nem pensamentos. O Yoga é o controle da mente e de suas modificações. O Yoga nos ensina como controlar as alterações da mente e obter a liberação. Ele nos ensina como transmutar a natureza pecadora e alcançar o estado de Divindade. Ele é a completa supressão da tendência da mente transformar em si mesma no interior dos objetos dos sentidos, pensamentos, etc. O Yoga extermina toda a espécie de dores, misérias e tribulações. Ele dá a você a liberação da roda de nascimentos e mortes (Samsara); e dos seus conseqüentes malefícios, doença e velhice, etc., e concede a você todos os poderes Divinos e a liberação final, por intermédio do conhecimento superintuicional.

Yoga é eqüanimidade. Yoga é serenidade. A destreza nas ações é Yoga. Qualquer coisa, de melhor e mais elevada pode ser realizada na vida é, também, Yoga. O Yoga é, desta forma, o que tudo abraça, o que tudo inclui, e a sua aplicação universal conduz ao desenvolvimento de todas as qualidades do corpo, da mente é da alma,

Primariamente, o Yoga é um estilo de vida, não é alguma coisa pela qual se separa da vida. Yoga não é o abandono da ação, mas a sua execução eficiente, de boa vontade. Yoga não o fugir de casa e da habitação humana, mas um processo de modelagem das atitudes de alguém na sua casa, na sociedade, com um novo entendimento. Yoga não é afastar-se da vida, é a espiritualização da vida.

o Tantra, tal como outros caminhos, é uma doutrina de libertação que carrega em si o objetivo explicito de levar o adepto à Iluminação. Em sua origem, o Tantra foi concebido como um ensinamento para a nova era, especialmente necessária na Kali Yuga, a Era das Trevas, marcada pela decadência moral e espiritual.

A tradição hindu fala de quatro eras ou yugas que compõem a existência do Universo.  Elas diferem quanto ao grau de obediência dos homens ao Sanáthana Dharma (“Lei Eterna”), a lei que determina justiça, retidão, moralidade e inspira e fundamenta todas as religiões, pois é tida como a essência eterna e única de todas elas. Cada uma das eras possui uma determinada escritura (ou shastra) apropriada ao nível ético de sua Humanidade. Dessa forma, a primeira das eras, a Krita Yuga (“Era de Ouro”), foi a época em que viveram santas criaturas, o Sanáthana Dharma era cumprido em sua plenitude e os Vedas era a sua escritura adequada. No Treta Yuga, a retidão já perdera 1/4, e sua escritura foi Smriti, isto é, a sabedoria que fora guardada na memória. O Yuga seguinte chamou-se Dwápara. Nele, do dharma (retidão, dever, justiça) sobrara apenas a metade. A escritura que os seres humanos deveriam então estudar, compreender e aplicar é chamada Purána. E finalmente, o presente Yuga é chamado Kali (treva, escuridão), onde apenas 1/4 da ética ainda resta e o Tantra é eleito como o shastra adequado.  O Mahanirvana Tantra (1:36-42) expõe detalhadamente a Kali Yuga:

Com o progresso pecaminoso da Kali [Yuga], que destrói toda a lei, que é repleta de leis e fenômenos do mal e que faz surgir atividades malignas,

Os Vedas se tornam ineficazes, para não falar que relembram o Smritis. E os muitos Puránas contendo varias histórias e exibindo os muitos meios [para a libertação]

Serão destruídos, ó Senhor. Então o povo se desviará da ação virtuosa

E se tornará habitualmente desenfreado, louco de orgulho, versado em más ações, lascivo, confuso, cruel, rude, vulgar, fraudulento,

Efêmero, maçante, perturbado por doença e pesar, feio, fraco, vil, ligado a comportamento torpe,

Chegado à más companhias, a ladrões do dinheiro alheio. Eles se tornam trapaceiros empenhados em culpar, caluniar e injuriar os outros

E não sentem relutância , pecado ou medo em seduzir a esposa do outro. Eles se tornam destituídos, asquerosos, mendigos destroçados que adoecem da sua vadiagem.

(Trad. FEUERSTEIN, 2001, p. 65)

Uma das influências do Tantra diz respeito à concepção do corpo humano que em muito difere do que até então era tradicional na Índia. Muitas das tradições ascéticas consideravam o corpo como um mero acúmulo de vísceras cuja natureza é corrompida e cujo destino final é morrer e apodrecer. Talvez o exemplo mais claro disso é o que aparece no Agni Purana (LI:15):

O asceta (yati) concebe seu corpo, na melhor das hipóteses, como uma bolha de pele, rodeado de músculos, de tendões e de carne, cheio de urina, fezes e impurezas malcheirosas, habitáculo da doença e do sofrimento, vítima certa da velhice, da tristeza e da morte, mais transitório que uma gota de orvalho numa folha de erva.

(trad. FEUERSTEIN, 2001, p. 461)

No Maitráyaníya Upanishad (1:3) também podemos encontrar uma definição semelhante:

Ó Ser Venerável, o que há de bom no usufruto dos desejos neste corpo malcheiroso e sem substância, num mero conglomerado de ossos, pele, tendões, músculos, medula, carne, sêmen, sangue, muco, lágrimas, fezes, urina, gazes, bile e catarro? O que há de bom no usufruto dos desejos neste corpo que é afligido pelo desejo, pela ira, pela cobiça, pela ilusão, pelo medo, pelo desânimo, pela inveja, pela separação em relação às coisas queridas e a proximidade das não-queridas, pela fome, pela sede, pela velhice, pela morte, pela doença, pela tristeza, pesar e tudo mais?

(trad. FEUERSTEIN, 2006, p. 462)

Entretanto, como observa Eliade (1979), historiador das religiões, “no tantrismo, o corpo humano adquire uma importância que nunca havia tido antes na história espiritual da Índia” (p. 156). Essa nova atitude se expressa sinteticamente no Kularnava Tantra (1.14), outro importante texto tântrico hindu: “dentre os 840.000 tipos de seres corpóreos, o conhecimento da Realidade não pode ser adquirido senão pelo [corpo] humano”. (trad. FEUERSTEIN, 2001, p. 462)

Com o surgimento do Tantra, surge, então, uma nova visão do corpo: a de que é um templo do divino, pois ele permite uma série de investigações, reflexões e experiências que o tornam um instrumento invalorável para a realização espiritual e a iluminação.

O Tantra é um importante marco na história do Yoga, pois trás a luz uma nova concepção do corpo, que antes disso, era considerado um obstáculo para a libertação, fonte da corrupção e inimigo do Espírito. Esta visão de corpo como um monte de coisas substanciais temporais, deu lugar a uma concepção física da morada de Deus, e o preparo do corpo (com o Hatha Yoga) tornou-se um processo alquímico para realizar a perfeição espiritual. O corpo passou a ser visto como um reflexo do macrocosmo, que contém em seu interior todos os segredos do universo. Como diz o Kulanarva Tantra (I:18): “como pode alguém vir a conhecer o propósito da vida sem possuir um corpo humano? Por esta razão, tendo obtido a dádiva de um corpo humano, poderia realizar feitos meritórios”. (trad. FEUERSTEIN, 2006, p. 462)

Rosas (2003) esclarece que ao falar de Tantrismo é importante saber que este concebe duas linhas de pensamento que possuem pontos de semelhança, mas que estão marcados por diferenças importantes. Uma das linhas é o Vama Tantra, que considera o homem sendo Shiva e a mulher como Shakti e prega que somente com a união deliberada de ambos é que se pode chegar à experiência de Iluminação. Já o Dakshina Tantra, a linha de mão direita, considera que tanto homens quanto mulheres são dotados de características femininas e masculinas em sua personalidade, e que a experiência de unidade em seu interior é responsável pela Iluminação.

Este é sempre um ponto de muita discussão e misticismo. Todos os desvios do Yoga e do Ayurveda são atribuídos hoje ao Tantra, por este ser um termo correlacionado com o sexo, a orgia e a promiscuidade. Nada mais errado.

Tantra, tal como o termo yoga, é uma palavra de muitos sentidos, muito embora nenhum deles alude ao que se considera como tantra aqui no ocidente.

No nível mais mundano, denota teia ou urdidura. Deriva do radical tan, no sentido de expandir. Esse radical também forma a palavra tantu (fio ou cordão). Enquanto um fio é alguma coisa extensiva, uma teia sugere expansão. Tantra pode também representar sistema, ritual, doutrina e compêndio. Segundo explicações esotéricas, tantra é o que expande o jñana, que pode significar conhecimento ou sabedoria. De forma geral, considera-se o Tantra como um estilo particular de ensinamentos espirituais que começou a ganhar popularidade no continente indiano cerca de 1.500 anos atrás.

Muito embora se considere o Tantra como um conjunto de técnicas inovadoras, este se considera, desde o inicio, como uma continuação dos antigos ensinamentos dos Vedas. De fato, para alguns, o Tantra é considerado o quinto Veda. Feuerstein (2001), citando o pândita Manoranjan Basu, afirma que os Tantras “são as mais antigas escrituras contemporânea aos Vedas, se não anteriores” (p.29). Feuerstein (2001) também comenta que a obra Narayaniya Tantra afirma que o Tantra deu origem aos Vedas, e não ao contrário (p. 30). Diante desses pontos, o autor diz que o que pode ser afirmado com segurança é que existe uma continuidade inegável entre os Vedas e as revelações tântricas.

A escritura tântrica (Tantra Shastra), de diálogos entre Shiva e sua esposa Parvati, ao longo dos quais importantes informações são divulgadas e verdades profundas são “des-veladas”. Shiva é tido como a Consciência Suprema e sua divina esposa, também denominada Shakti é a energia cósmica criadora. Nos casos onde Shiva é o Guru, o texto é conhecido como Ágama. No caso contrário, quando Shakti é a Guru, constitui o Nigama. Esses textos incluem ensinamentos com os tópicos seguintes: a criação do universo e sua destruição; a adoração; os exercícios espiritualizantes (Yoga); rituais e cerimônias; seis ações de purificação e meditação, todos com finalidade de promover a Libertação da alma individual.

Existem muitos textos tântricos e muitos deles podem ser encontrados já traduzidos pela internet, entretanto seu estudo não é recomendado sem um Guru, um mestre que já tenha estudado estes textos. Talvez a parte que mais nos interessa no Tantra seja a sua sistematização do pranamaya kosha, o corpo de prána ou energia sutil, indispensável para qualquer yogaterapeuta.

Mas este é um assunto para um outro post!

Namastê

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Desde ontem, quando tive um contato espiritual muito importante com uma certa mulher, ainda misteriosa pra mim, tenho refletido sobre o verdadeiro significado do Hatha Yoga. Hatha Yoga é comumente traduzido como o yoga físico, o yoga do corpo e ainda o yoga do esforço violento. A meu ver, todas essas traduções são de péssimo gosto e contribuem ainda mais para denegrir a imagem do hatha yoga.

Tenho uma visão particular do Yoga em si. Só consigo ver o Yoga como um caminho espiritual, cujas técnicas configuram num mapa para a auto-realização ou iluminação – moksha. Neste sentido, Hatha Yoga é o caminho da união de Ha e Tha, Sol e Lua, em referência às nadis Ida e Pingala, dois canais sutis muito importantes, por onde circula a energia sutil ou prana. É dito nos textos sagrados que a energia primordial (kundalini) só ascende quando Ida e Pingala (ha e tha) estão em perfeito equilíbrio. Só que num ser humano “normal” elas nunca estão em equilíbrio e isso pode ser atestado por diversos fatores.

Ida e Pingala frequentemente estão associadas ao sistema nervoso simpático e parassimpático, mas também com os lados direito e esquerdo do corpo. Assim sendo, os famosos “desvios posturais” podem, por vezes, demonstrar o hiperfuncionamento de um dos canais e frequentemente o fazem. Tenho observado isso ao longo desses anos dando aulas de yoga. Sempre faço um exame físico no aluno, para ver os vícios posturais e, com o yoga, tentar consertá-los na prática do dia a dia. Conversando com o aluno, atesto seu funcionamento psico-emocional, sempre relacionado com o hiperfuncionamento de uma das nadis, e sempre bateu. Não é uma coisa do tipo” pode ser que”, eu vi com os meus própios olhos e atestei através da minha prática como instrutora. Talvez, mais para frente, eu faça um estudo científico sobre isso, pois na psicologia isso é de muita relevância.

Pois bem. Os desvios posturais, como chamamos, têm relação com o funcionamento da psique e da emoção de uma pessoa, o que está estreitamente ligado ao funcionamento de uma ou outra nadi. Sendo assim, o trabalho do hatha yoga é equilibrar essa disfunção através de posturas psicofísicas e também através de determinados kriyas, pranayamas. As técnicas mais “sutis” servem mesmo para preparar o praticante para o despertar em si. Mas veja: o despertar não é possível enquanto não houver a união de Ha e Tha. Nada mais energético.

Ainda não falamos dos sistemas de chakras, os centros que captam, transformam e distribuem energia. Os desvios posturais também têm relação com o hiper ou hipo funcionamento de determinado chakra e isso é atestado após um estudo cuidadoso do praticante. Diversos problemas físicos (psicossomáticos) advém do funcionamento inadequado dos chakras, o que também harmonizamos através do hatha yoga (em seu sentido mais amplo, pois há abordagens que lidam diretamente com esta questão, como o Dakshina Tantra Yoga).

Então, da próxima vez que pensar em Hatha Yoga, esqueça o corpo, o esforço e concentre-se na energia e no seu fluxo desta energia dentro do seu corpo. Sinta primeiro no físico, e logo os resultados se farão presentes também na mente.

Om Shanti Shanti Shantihi

Hari OM

Om Gam Ganapataye Namah

Bom amigos, hoje vamos falar de Puja. Puja é um meio de adoração no Hinduísmo, uma prática bastante comum, feitas em cerimônias e também no dia a dia. A meu ver, puja também é uma espécie de tratamento – calma que eu explico: basicamente, através do puja diário, o devoto ou praticante liga-se conscientemente à divindade adorada, criando assim a conexão com este arquétipo, sentido sua atuação de forma mais eficaz em sua vida. É óbvio que, para tanto, você não pode assim “escolher” uma deidade, há toda uma pesquisa sobre a vida e o estado atual do praticante para que isso possa ser decidido de forma terapêutica. A Ayurveda aqui é uma grande aliada.

Mas você também pode fazer esse puja para alguma deidade que goste mais. Lembre-se que isso é uma espécie de liturgia, portanto siga as instruções dadas aqui. Essa prática me foi ensinada pelo Swami Krsnapriyananda, que muito embora apenas ensine os seus devotos, acredita que todos devem saber adorar as deidades, elas ficam realmente muito felizes (parece conversa de doido mas não é não, cultive sua relação com a deidade e perceba por si mesmo).

Antes de fazer o puja propriamente dito, é necessário um ritual de purificação para as mãos, denominado em sânscrito como Achamana. Este é um achamana bem simplificado, você só vai precisar de um copo e uma colher.Com a mão direita, jogue um pouco de água na mão esquerda enquanto repete o mantra :

“Om Bhur Bhuva Svaha”

Descarte a água. Repita novamente o mesmo processo na mão direita, e descarte a água. A partir de agora você vai purificar de forma mais intensa a mão direita. Repita este processo por três vezes: jogue água na mão direita repetindo o mantra

“Om Gangaya Namah”

E sorva (beba) a água as três vezes. Quando entoamos este mantra, trazemos a vibração do Ganges para esta água que estamos ingerindo. Faça o achamana principalmente se você ainda come carnes de qualquer tipo.

Para fazer o puja adequadamente, você precisará de um prato de puja, puja-plate-gross-neu-weiss1conhecido também como prato de arati. Ele não é nada fácil de achar, mas encomende em uma loja de sua confiança. Eu consegui o meu em Curitiba, na Terra Índia, encomendado pela minha colega  Mohini.

Faça as oferendas na seguinte ordem: incenso, fogo, flor, alimento (se houver) e água. Ofereça o incenso girando-o por três vezes em sentido horário recitando o mantra de saudação à Deidade escolhida. Repita o mesmo processo com todas as outras oferendas. Em relação ao fogo: é necessário fazer pequenos chumaços de algodão, puxando uma ponta para o alto, e embebe-la em ghee (manteiga clarificada). Eu faço isso uma única vez por mês e deixo em quantidade adequada para o mês todo. Economiza muito tempo. Caso você não saiba fazer o ghee (ensinaremos em uma nova oportunidade), pode ser uma vela, ou pedaços de vela, como preferir. Em relação à flor: bom, eu compro as minhas semanalmente, e ofereço uma por dia. Quando não tenho flores, vou até o jardim do meu prédio e pego uma folha, uma grama, enfim, algo da natureza. O alimento é opcional, mas eu gosto de oferecer sempre, afinal, esse alimento vira prasada, um alimento santificado por ter sido tocado pelos lábios do Senhor. Ao oferecer a água, tenha uma tacinha para a deidade e troque a água todos os dias, na hora do puja. Com a água “velha” você pode fazer o que quiser: beber (prasada), dar para as plantas, enfim. Depois de oferecer a água, molhe um pouco a deidade, jogue água nos quatro cantos cardeais, molhe alguns chakras que você sinta necessidade, jogue um pouco da água no topo da sua cabeça e agradeça a Deus, pois ele está em tudo e em todos, e na verdade, adorar uma deidade é adorar ao Deus único.

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tadasanaSignificado do nome:

Sama = igual, simétrico; sthitih = ficar firmemente ereto; “postura simétrica e estável”. (chamada assim na tradição de Krishnamacharya e seus discípulos.

Tada = montanha; Postura da Montanha. (chamada assim na tradição de)

Samasana = Postura Equânime. (chamada assim na tradição de Kuvalayananda)

Tadásana é comumente praticado como preparatório para as posturas em pé. Nesta postura buscamos a firmeza e estabilidade da montanha. Tadasana nos ensina a arte de parar corretamente e aumenta nossa consciência sobre o nosso corpo. Ao praticá-la, aprende-se a ficar em pé corretamente, distribuindo todo o peso harmoniosamente, sem colocá-lo, por exemplo, somente nos calcanhares, em uma das pernas ou nas bordas internas ou externas dos pés. Com isso, o corpo fica mais leve para que a mente seja capaz de atingir agilidade, firmeza e quietude. É a peça fundamental para outros ásanas. A prática dessa posição dá origem a um sentido de firmeza, força, estabilidade e equilíbrio. Para algumas tradições milenares, ela faz a ligação entre a terra e o céu.

TÉCNICA

De pé, com os pés paralelos e afastados um do outro na distância do quadril. Eleve os dedos dos pés do chão, pressionando os quatro cantos das solas dos pés uniformemente contra o solo. Sinta a ativação das pernas, elevando as patelas e contraindo as coxas, percebendo o os músculos abraçando os ossos. Mantendo a ativação das pernas, volte a colocar os dedos dos pés no chão. Encaixe o quadril, ative uddhyana bandha e perceba como a firmeza do baixo abdômen alivia a curvatura da lombar, através da criação de mais espaço entre as vértebras lombares, enquanto o sacro aponta para baixo. Alongue bem a coluna e relaxe os ombros, afastando-os das orelhas, criando espaço na porção superior das escápulas.  Sinta como a largura entre os ombros se expande, dando maior espaço para a expansão dos pulmões. Ative os braços, alongue e junte os dedos das mãos, apontando-os para baixo. Alinhe o pescoço com o resto da coluna, trazendo o queixo em direção ao chão, fazendo uma leve jalandhara bandha. Sinta o efeito da gravidade enraizando os pés no solo, ao mesmo tempo, sinta que uma força igual e contrária vem da terra e alonga o corpo em direção ao céu. Respire ao longo deste espaço criado através do alongamento do corpo na postura, sentindo a presença do eixo energético terra-céu.

BENEFÍCIOS:

– Corrige más posturas pelo alinhamento da coluna;

– Melhora o alinhamento do corpo e o tônus postural;

– Aumenta o espaço entre as articulações, agindo contra os efeitos degenerativos do envelhecimento da coluna, pernas e pés;

– Tonifica os músculos das coxas, nádegas, tornozelos;

– Melhora a consciência corporal;

– Cria espaço na cavidade abdominal e torácica, contribuindo para a saúde digestiva e também aumentando a capacidade pulmonar;

TRABALHO MENTAL E ENERGÉTICO

A quietude da montanha ativa o observador interno, sendo a postura ideal para trabalhar a presença interna. Através das qualidades de clareza, discernimento e sabedoria, que emanam do sexto chakra em equilíbrio, a vida passa a ser vivida a partir de um novo ponto de vista fundamentado na estabilidade, força e suavidade da montanha. Com a contração do ânus, energiza-se ainda mais eficientemente o Múládhára Chakra, conferindo estabilidade e enraizamento. Psicologicamente, a verticalidade nesta postura está vinculada com a projeção para o alto, o crescimento, a elevação, o despertar da espiritualidade. Podemos afirmar que o ser humano somente se completa como humano ao assumir sua postura ideal. Um queixo projetado para frente nesta postura pode indicar uma certa tendência da pessoa a ficar voltada somente para o mundo material, ou para o exterior. A coluna é como o subconsciente, de forma que a falta de alinhamento das costas pode indicar falta de contato com os conteúdos subconscientes.

FOCO ANATÔMICO

Coxas e quadril (contração consciente);

APLICAÇÕES TERAPÊUTICAS

Ciática;

Pé chato;

Correção de postura;

CONTRA-INDICAÇÕES OU CUIDADOS

Cefaléia;

Pressão baixa;

Insônia;

Dor nas pernas, quadris, ombros;

Em casos de lordose e cifose em alto grau, trabalhar o alinhamento contra uma parede;

PROPS E ADEREÇOS

– Verifique seu alinhamento ficando em pé contra uma parede. Encoste os calcanhares, quadril, escápulas na parede. Cuide para sua cabeça não encostar na parede.

– Ative a rotação interna das coxas colocando um bloco entre as pernas; perceba se terá que aumentar mais a distância entre os dois pés.

VARIAÇÕES

– Com os braços estendidos como em crucifixo, amplia-se a capacidade respiratória ao trabalhar a inspiração simultânea ao movimento;

– Com os braços acima da cabeça, idem;

– Ao entrelaçar os dedos e alongar os braços para cima, além de ampliar a capacidade respiratória, soma-se o alongamento da coluna vertebral.
POSTURAS PREPARATÓRIAS

– Pavana Muktásana;

– Adho Mukha Svanasana

– Uttanásana

APROFUNDANDO A POSTURA

– Trabalhe seu equilíbrio em Tadásana fechando seus olhos durante a execução da postura;

– Trabalhe seu equilíbrio ficando na ponta dos pés;

– Acrescente vinyasa: de tadásana inspire e simultaneamente eleve os braços pela lateral do tronco até o alto da cabeça, mantendo as palmas das mãos uma virada para a outra, e também eleve-se na ponta dos pés. Exale e retorne a tadásana.

– Para aumentar o trabalho muscular e a ativação das pernas, coloque um bloco no meio das pernas durante a execução deste vinyasa.

O Hatha Yoga surgiu de uma grande novidade advinda de uma corrente filosófica que influenciou e continua influenciando até os dias atuais, toda cultura indiana: o Tantra. O que caracterizou o estilo de Hatha Yoga é a nova concepção de corpo que o Tantra traz, de que o corpo é considerado basicamente como um objeto impuro que precisa passar por um processo alquímico para se transformar num templo divino e refletir a morada de Deus. O Hatha Yoga é, portanto, esse processo alquímico. Explica Feuerstein (2006), que o auge deste movimento ocorreu entre os séculos VIII e XII, e ficou conhecido como “o Movimento dos Siddhas“. Explica o autor:

O nome siddha significa ‘realizado’ ou ‘perfeito’ e refere-se ao adepto do Tantra que alcançou a iluminação, ou seja, a perfeição (siddhi) suprema, e possui também poderes paranormais (siddhi) de todo tipo. (…) O siddha é um alquimista espiritual que opera sobre a matéria impura, o corpo-mente do ser humano, e a transmuta em ouro puro, na essência espiritual imortal. Entretanto, diz-se que ele é capaz também de transmutar literalmente a matéria (…) (FEUERSTEIN, 2006, p. 463)

Do movimento Siddha, as escolas mais importantes foram a dos Náthas e dos Maheshvaras, que residiam ao norte e ao sul, respectivamente. De forma geral, a tradição hindu atribui a criação do Hatha Yoga à Goraksha-Nátha e seu mestre, Matsyendra-Nátha, ambos nascidos em Bengala. Feuerstein (2006), acredita que Matsyendra-Nátha tenha vivido antes da metade do século X d.C. Embora esses dois Náthas sejam considerados precursores do Hatha Yoga, o próprio Senhor Shiva é tido como criador da linhagem Nátha.

O Hatha Yoga Pradipiká (I:5-9) descreve a tradição discipular do Hatha Vidya com os seguintes mestres: Shiva, Matsyendra, Shábara, Anandabhairava, Chaurangi, Mina, Goraksha, Virupaksa, Bileshaya, Manthána, Bhairava, Siddhi, Buddha, Kanthadi, Korantaka, Suránanda, Siddhipáda, Charpati, Káneri, Pújyapáda, Nityanatha, Nirañjana, Kapáli, Vindunatha, Kakachandísvara, Alláma, Prabhudeva, Ghodácholi, Tintini, Bhánukin, Náradeva, Khanda, Kápálika e ainda afirma que há muitos outros mahasiddhas[1].

No ocidente, o Hatha Yoga surgiu na década de 1920 e é hoje o mais praticado de todos os ramos do Yoga, com dezenas de milhares de adeptos. Na viagem que o trouxe da Índia Medieval, o Hatha Yoga sofreu inúmeras transmutações. As adaptações mais significativas foram feitas na ultima década a fim de atender às necessidades dos praticantes ocidentais. A prática, tal como chegou até nós em seus primórdios, tiveram os seguintes mestres: Swami Kuvalayananda (1883-1966), Swami Sivananda (1887 – 1963), T.S. Krishnamacharya (1887-1998), Swami Shyam Sundar Goswami (1891-1978), Shri Yogendra (1897-1989), Selvajaran Yesudian (1916-1998), Swami Gitananda Giri (1907-1993), entre outros (FEUERSTEIN, 2005).

O mais influente deles foi Krishnamacharya, que ensinou seu filho T.K.V. Desikachar (Vinyoga), seus cunhados B.K.S. Iyengar (Iyengar Yoga) e Pattabhi Jois (Ashtanga Vinyasa Yoga), e Indra Devi. Todos eles vieram a apresentar diferentes estilos de Hatha Yoga e, por isso, Krishnamacharya é considerado o autor do renascimento do Hatha Yoga nos tempos modernos.

O segundo de maior influência foi Swami Sivananda, médico que renunciou ao mundo e formou numerosos discípulos, entre eles Swami Satyananda (Yoga Bihar), Swami Sivananda Radha (Hatha Yoga da linguagem Oculta), Swami Vishnudevananda (Sivananda Yoga) e Swami Satchidananda.

Enfim o Hatha Yoga se desenvolveu de determinada maneira que hoje podemos encontrar um número cada vez mais crescente de estilos de prática. As mais importantes delas foram citadas por Feuerstein (2005), que tabelamos a seguir, com a visualização de suas principais características.

QUADRO 9 – Estilos de Hatha Yoga

ESTILO DE HATHA YOGA CARACTERISTICAS PRINCIPAIS
Iyengar Yoga

(B.K.S. Iyengar)

É caracterizado pela precisão na execução de posturas psico-físicas e pelo uso de vários instrumentos auxiliadores, como faixas, blocos, etc.
Ashtanga Vinyasa Yoga

(Pattabhi Jois)

A principal característica é o vinyasa, uma série de movimentos que funciona como um pente energético que limpa o corpo entre uma postura e outra.
Bikram Yoga

(Bikram Choudhury)

Sistema composto por 26 posturas que são executadas numa seqüência padronizada numa sala aquecida a 38 a 43° centígrados.
Yoga Integral

(Swami Satchidananda)

Integra diversos aspectos do corpo-mente por meio de uma combinação de posturas, técnicas de respiração, relaxamento profundo e meditação.
Kripalu Yoga

(Swami Kripalvananda)

É um Yoga de três estágios especialmente adaptado às necessidades dos praticantes ocidentais.
Vinyoga

(T. K. V. Desikachar)

Trabalha com um “processo seqüencial”, em que a respiração é deliberadamente coordenada com as posturas.
Sivananda Yoga

(Swami Vishnudevananda)

Sua prática inclui a seqüência de Saudação ao Sol e mais uma série de 12 posturas; contém exercícios respiratórios, relaxamento e recitação de mantras.
Ananda Yoga

(Swami Kriyananda)

Sua principal característica são as afirmações ligadas às posturas e também os singulares exercícios de energização.
Kundalini Yoga

(Yogi Bhajan)

O objetivo desse estilo é o despertar da força kundalini através de posturas, controle da respiração, recitação de cânticos e meditação.
Yoga da Linguagem Oculta

(Swami Sivananda Radha)

Busca o autoconhecimento através da exploração do simbolismo intrínseco das posturas.
Yoga Somático

(Eleanor Criswell-Hanna)

Busca o desenvolvimento corpo-mente através de uma abordagem que integra os princípios yogues tradicionais e as modernas pesquisas psicofisiológicas.
Anusara Yoga

(John Friend)

É descrita como o Yoga orientado pelo coração, inspiração espiritual, fundamentada num profundo conhecimento externo e interno do alinhamento do corpo.
Tri Yoga

(Kali Ray)

Combinam o ato de fluir e sustentar posturas enfatizando movimentos de ondulação da coluna, economia de movimento e sincronização de respiração e mudrá.
Jivamukti Yoga (Power Yoga)

(Sharon Gannon e David Life)

Utiliza uma prática física vigorosa combinada com os fundamentos filosóficos igualmente fortes das tradições antigas do Yoga, Vedanta e metafísica.
Ishta Yoga

(Mani Finger)

Mescla a filosofia de outras vertentes, como o hatha, o tantra e a ayurveda.

Fonte: FEUERSTEIN, G. 2005, p. 53-55


[1] KUPFER, P., obra disponível na internet em: http://www.yoga.pro.br/artigos.php?cod=76&secao=3035, 25 de agosto de 2007, 16:20.

Traçar uma história do Yoga é uma tarefa difícil. Como afirma Campbell (1987), uma reconstrução histórica a partir dos elementos que temos disponíveis (achados arqueológicos e uns poucos textos antigos, sendo que a maioria encontra-se perdido) é em vão, pois constituem apenas hipóteses e deduções de um tempo passado. Prova disso é que ainda hoje surgem tanto novas descobertas acerca da civilização arcaica da Índia, quanto novas teorias sobre do que teria ocorrido naquele tempo. Entretanto, para podermos visualizar o contexto no qual surgiu o Yoga, aderimos à visão cronológica de Feuerstein (2006) que conta na obra “A Tradição do Yoga“, onde conferiu fases ao desenvolvimento da história do Yoga, partindo desde o tempo arcaico até a época moderna. Na obra intitulada “Uma Visão Profunda do Yoga“, este autor apresenta uma classificação histórica do Yoga a partir de seu legado literário, onde distingue quatro categorias que vai do Yoga Arcaico ao Pós-Clássico.  Pode-se aqui contemplar os diversos sentidos que o Yoga foi tomando e absorvendo ao longo do tempo a partir de sua obra sagrada.

O Yoga Arcaico, ou Proto-Yoga, corresponde ao período inicial, cuja tentativa de reconstrução histórica baseou-se nos achados arqueológicos das cidades da antiga civilização do Indo e em elementos encontrados nos hinos dos Vedas. Os objetos encontrados, por si só, não são suficientes para deduzir o tipo de Yoga praticado naquele tempo, mas, se interpretados de acordo com os hinos védicos, nos deparamos com uma civilização de cultura rica em rituais. Feuerstein (2004) diz que “(…) parece provável que o Yoga nasceu do xamanismo do tempo das cavernas. Não sabemos, no entanto, nada sobre os estágios que levaram do xamanismo ao Yoga.” (p.10). A primeira vez que a palavra Yoga aparece é no hino do Rig Veda, onde possuía o sentido de ‘aplicação’ e era um dos recursos utilizados nesses rituais. De acordo com Tinoco (obra disponível na internet[1]), o Proto-Yoga era constituído de técnicas como a meditação em sons mântricos, a concentração da mente e o controle da respiração, em virtude do cantar dos hinos sob regras rigorosas; a invocação dos deuses, posturas físicas (geralmente posições sentadas para que a iluminação fosse possível) e apreensão de uma realidade transcendental (samádhi). As escrituras desta época compreendem os quatro Vedas, bem como os textos Brahmanas e Aranyakas que foram baseados nos quatro hinos. É fato aceitável hoje que o mais antigo dos Vedas, o Rig Veda, foi composto no terceiro ou quarto milênio a.C.

O Yoga Pré-Clássico teve sua fase iniciada pela produção das primeiras Upanishads (por volta de 1.500 a.C.). Em geral, ensinam diversas versões do Sámkhya Yoga, idéia central que já era presente no Rig Veda, mas que foi desenvolvida plenamente nas Upanishads. As Upanishads são textos filosóficos cujo tema central é a natureza mais intima do ser humano, a natureza do Absoluto (Brahman) e o processo de evolução espiritual. Existem Upanishads tardias, datadas entre os séculos X e VII a.C., e Upanishads mais recentes. As que falam diretamente sobre o Yoga foram produzidas d.C. Há uma importante mudança que se destaca aqui em relação ao Yoga Arcaico: a internalização dos rituais que deu procedência a uma espécie de “tecnologia contemplativa” ou meditação. Este é um marco importante do desenvolvimento da concepção de Yoga, pois aqui temos a origem da prática com sentido controle da mente e dos sentidos ou de caminho espiritual. Das Upanishads tardias que citam o termo Yoga temos a Brihad-Aranyaka-, Chandogya- e Taittiriya Upanishads, onde se nota uma certa familiaridade com este sentido de disciplina espiritual, embora não tenha esse mesmo sentido técnico. A obra mais antiga que empregou tal acepção foi a Katha Upanishad, que delineia as principais práticas e técnicas do Yoga.  As Upanishads Svestasvatara e Maitri, mais novas em sua composição, evidenciam o estágio subseqüente na evolução do Yoga.

A Katha Upanishad (1.000 a.C.[2]) narra um diálogo entre Yama, o Deus da Morte, e Nachiketas, um menino brâhmane, onde é exposto o segredo da imortalidade cujo caminho é o Yoga. Vemos nos versos do terceiro capítulo:

Quando os cinco sentidos concentram-se junto com a mente, e quando o intelecto não se movimenta, produzindo divagações, então a pessoa alcança o Supremo Estado, uma condição de concentração serena e penetrante. (III:10)

Esse estado, caracterizado por firme controle dos sentidos é obtido pela prática do Yoga. Quem assim procede torna-se vigilante. (III:11)

(Trad. TINOCO, 1996, p. 165)

Já na Svestasvatara Upanishad (II:8-10) podem ser encontradas instruções diretas sobre a prática do Yoga:

O homem sábio mantém seu corpo firme, com as três partes eretas (cabeça, pescoço e tronco) e com a ajuda da mente, volta seus sentidos para o coração e com a ajuda da balsa de Brahman, atravessa a torrente assustadora do mundo.

O yogin que possui esforço espiritual bem controlado, consegue regular os Pránas; quando eles estão sob controle, o yogin respira pelas narinas. Então, ele, concentrado, mantém fixa sua mente como o controlador da carruagem controla os cavalos rebeldes.

O Yoga deve ser praticado dentro de uma caverna, protegendo-se dos ventos fortes, ou em local puro, plano, sem seixos e fogo, sem perturbações de barulho, seco, não agressivo e prazeroso aos olhos.

(Trad. TINOCO, 1996, p.305-306)

Na Maitri Upanishad (VI:25) vemos claramente a definição de Yoga com os propósitos acima mencionados: “A unificação (estabilização) da respiração, da mente, e dos (órgãos dos) sentidos e o abandono de todas as formas de existência, isto é chamado de Yoga“. (Trad. TINOCO, 2005, p.40)

O principal texto do Yoga Pré-Clássico é o Bhagavad Gita, que está contido no Mahábhárata, o grande épico hindu. Considerado o maior livro de Yoga, a Gita narra o diálogo entre Krishna, o Senhor Supremo, e Arjuna, um guerreiro que enfrenta um dilema diante da batalha de Kurukshetra, onde teve que lutar contra seus próprios parentes e amigos. A Gita expõe quatro “tipos” de Yoga: Sánkhya, o Yoga do discernimento; Karma, o Yoga da ação; Jñana, o Yoga do conhecimento; e Bhakti, o Yoga da devoção. Nesta época também se pode notar uma nova mudança no conceito de Yoga, que já era amplamente utilizado para designar uma disciplina espiritual que incluía diferentes caminhos para a auto-realização. Outros textos importantes contidos no Mahábhárata são o Moksha-Dharma e Anú-Gita, ambos exemplos de textos pré-clássicos.

Também faz parte desta época o épico Ramayana, que trata, sobretudo, os ensinamentos que giram em torno do valor fundamental do dharma, ou seja, da moral e da conduta virtuosa. Apresenta ensinamentos yogues sob o nome de tapas, ou “ascese”.

O Yoga Clássico inicia por volta de II d.C. e fica marcado pela compilação do conhecimento do Yoga por Patañjali em seu Yoga Sutra, marco este que vinculou o Yoga no sistema ortodoxo hindu, passando agora a ser uma escola filosófica (dárshana), cuja prática confere uma ‘visão de mundo’.  Os Sutras de Patañjali falam de um Yoga composto de oito membros, ressaltando as regras morais de conduta e enfatizando as práticas contemplativas. O Yoga é concebido como controle mental, conceito que pode ser claramente visto no sutra I:2 onde diz que “Yoga é a contenção das flutuações da consciência” (Trad. FEUERSTEIN, 2006, p. 276). A obra é um grande tratado sobre a consciência e suas modificações, fala sobre os obstáculos do caminho espiritual e o modo como podemos transpassá-los.

O Yoga Pós-Clássico é considerado uma extensão do Yoga clássico, abrange o período que vai do século II ao XIX d.C., porém caracterizado por uma visão monista. Foram produzidos os textos tântricos, que influenciaram as Upanishads que tratam diretamente sobre o Yoga, sendo que as datas de composição se situam entre os séculos VII e XVI d.C., aproximadamente, e também com a mesma influência, surge o Hatha Yoga e suas escrituras entre os séculos X e XI d.C. Além disso, foram produzidos os Puranas, os escritos vedânticos como o Yoga-Vasishtha e a literatura do bhakti marga, ou caminho devocional.

O Yoga Moderno tem sua fase iniciada por volta de 1.900 d.C. Seus mestres ou Gurus são Sri Aurobindo, do Yoga Integral, Sri Yukteswar Giri, mestre espiritual de Paramahansa Yogananda, fundador da Self Realization Fellowship em Los Angeles e difusor do Laya Yoga; Sri Ramana Mahashi (1879-1950), o mestre da montanha de Arunachala que recomendava meditar na idéia “Quem sou Eu?”; B.K.S Iyengar, mestre do Hatha Yoga; Swami Muktananda (1908-1983), siddha yogin discípulo de Swami Nytiananda e adepto do Kundalini Yoga e vários outros.


[1] Tinoco, C. A. História do Yoga, http://www.tinoco.cjb.net, 25 de outubro de 2007, 15:33

[2] Segundo a cronologia de Feuerstein, 2006.

É por isso que dizem que o Yoga é uma chave que cabe em qualquer fechadura!!!

QUADRO 5 – Os 40 tipos de Yoga

TIPOS DE YOGA

APRESENTAÇÃO

Abháva Yoga Conceito encontrado nos Puranas; é o yoga do não-ser, ou a prática yogue superior de imersão no Si Mesmo sem nenhum apoio,como um mantra.
Adhyátma Yoga É o Yoga do ser íntimo; muitos dizem ser este o Yoga característico das Upanishads.
Agni Yoga O Yoga do fogo, que provoca o despertar do poder da kundaliní por meio da ação conjunta da mente e da força vital (prána).
Ashtanga Yoga O Yoga dos oito membros codificado por Patañjali. Também é chamado de Raja Yoga, Patañjala Yoga ou Yoga Clássico.
Asparsha Yoga Yoga da intangibilidade ou do “não-contato”, o Yoga não dualista exposto por Gaupada no Mandukya Karika.
Bhakti Yoga Yoga do amor e da devoção, exposto na Bhagavad Gita, no Bhagavata Purana, no Shvetasshvatara Upanishad e em muitos textos sagrados do Vaishnavismo e Shaivismo.
Buddhi Yoga O yoga da mente superior,mencionado pela primeira vez no Bhagavad Gita.
Dhyána Yoga Yoga da meditação.
Ghatastha Yoga Yoga do “jarro” (ghata), que significa corpo; sinônimo do Hatha Yoga, como mencionado no Gheranda Samhita.
Guru Yoga Yoga relativo ao mestre, fundamental em quase todas as formas de yoga.
Hatha Yoga Yoga da força ou do vigor (relativo ao poder de kundaliní shakti).
Hiranyagarbha Yoga O yoga de Hiranyagarbha, considerado o fundador da tradição yogue.
Japa Yoga O yoga da recitação de mantras.
Jñana Yoga O yoga da sabedoria discriminativa, que é o ponto de vista das Upanishads.
Karma Yoga Yoga da ação auto-transcendente, ensinada pela primeira vez de modo explícito na Bhagavad Gita.
Kaula Yoga O yoga da escola Kaula, um tipo de Yoga tântrico.
Kriya Yoga Yoga do ritual e também a prática conjunta da ascese, do estudo e da adoração do Senhor mencionada no Yoga Sutra de Patañjali.
Kundaliní Yoga O Yoga do poder da kundaliní, que é fundamental para toda a tradição tântrica, inclusive o Hatha Yoga.
Lambika Yoga O Yoga da úvula que é deliberadamente estimulada nesta técnica yogue para aumentar o fluxo do ‘néctar’ (amrita), cujo aspecto externo é a saliva.
Laya Yoga O yoga da reabsorção ou dissolução dos elementos sutis antes da dissolução natural que vem com a morte.
Maha Yoga O grande yoga, conceito encontrado no Yoga Shikha Upanishad, onde se refere à prática conjunta de Mantra Yoga, Laya Yoga, Raja Yoga e Hatha Yoga.
Mantra Yoga Yoga dos sons sagrados que ajudam a proteger a mente; faz parte da tradição yogue desde os tempos védicos.
Náda Yoga Yoga do som interior, prática estreitamente ligada ao Hatha Yoga tradicional.
Pancadashanga Yoga Yoga dos quinze membros;
Pashupata Yoga Yoga da seita de Pashupata, exposta em alguns Puranas.
Patañjala Yoga Yoga de Patañjali, conhecida como Raja Yoga ou Yoga darshana.
Purna Yoga Yoga da totalidade ou integração, é o nome do Yoga Integral de Sri Aurobindo.
Raja Yoga O Yoga de Patañjali.
Samádhi Yoga Yoga do êxtase.
Sámkhya Yoga Yoga da intuição, que dá nome a certas doutrinas e escolas de libertação mencionadas no Mahábhárata.
Samnyása Yoga Yoga da renuncia ao mundo, contraposta ao Karma Yoga.
Samputa Yoga Yoga da união sexual (maithuna) no Tantra Yoga.
Samrambha Yoga Yoga do ódio mencionada no Vishnu Purana, que ilustra o profundo princípio yogue de que a pessoa se torna aquilo que ela contempla constantemente.
Saptanga Yoga O Yoga dos sete membros descrito no Gheranda Samhita.
Shadanga Yoga Yoga de seis membros exposto no Maitrayaniya Upanishad.
Siddha Yoga Yoga dos adeptos, conceito encontrado em alguns Tantras.
Sparsha Yoga Yoga do contato. De origem védica é mencionado no Shiva Purana, que associa a recitação de mantras ao controle da respiração.
Tantra Yoga O Yoga dos Tantras está baseado no despertar do poder da Kundaliní.
Taraka Yoga Yoga do “Libertador”, um yoga medieval baseado em certos fenômenos luminosos.
Yantra Yoga Yoga da concentração da mente em formas geométricas (yantra) do cosmos.

Fonte: Uma Visão Profunda do Yoga. FEUERSTEIN, G. 2005, p. 42-43

Abaixo segue a listagem dos textos de Hatha Yoga, conforme propôs Prof. Tinoco.

QUADRO – Textos Védicos sobre Hatha Yoga

TEXTO AUTOR DATA PROVÁVEL
Yoga Sutra Patañjali Séc. II a.C.
Upanishads do Yoga Diversos Séc. (?) d.C.
Yoga Bhasya Vyasa Séc. VII d.C.
Tattva-Vaisharadi Vacaspati Mishra Séc. IX d.C.
Goraksha-Shataka Gorakshanatha Séc. X d.C.
Yoga Varttika Vijnana Bhiksu Séc. XVI d.C.
Hatha Yoga Pradipiká Svatmarana Séc. SVI d.C.
Maniprabha Ramananda Saraswati Séc. XVIII d.C.
Shiva Samhita (?) (?)
Gheranda Samhita (?) (?)

Fonte: TINOCO, C.A. 1996, p. 113

QUADRO  – As Upanishads do Yoga

NOME

RAMO DO VEDA

TRADUÇÃO

1

YOGA CHUDAMANI

Sama Veda

Suprema Jóia do Yoga

2

MAHAVAKYA

Atharva Veda

Grande Provérbio

3

DHYANABINDU

Yajur Veda Negro

Ponto de Meditação

4

NÁDABINDU

Rig Veda

Ponto Sonoro

5

ADVAYATARAKA

Yajur Veda Branco

Libertador não Dual

6

MANDALA BRAHMANA

Yajur Veda Branco

Mandala Brahmânica

7

BRAHMAVIDYA

Yajur Veda Negro

Conhecimento de Brahman

8

TRISHIKHABRAHMANA

Yajur Veda Negro

Três Trufos

9

AMRITABINDU

Yajur Veda Negro

Gota de Ambrósia

10

AMRITA-NÁDA-BINDU

Yajur Veda Negro

Som Imortal

11

KSHURIKA

Yajur Veda Negro

Navalha

12

DARSHANA

Sama Veda

Pontos de Vista

13

PASUPATABRAHMANA

Atharva Veda

Shiva, o Senhor dos animais

14

YOGAKUNDALINI

Yajur Veda Negro

Kundaliní Yoga

15

YOGASHIKA

Yajur Veda Negro

Cume do Yoga

16

YOGATATTVA

Yajur Veda Negro

Princípios do Yoga

17

TEJOBINDU

Yajur Veda Negro

Ponto Radiante

18

VARAHA

Yajur Veda Negro

Javali

19

HAMSA

Yajur Veda Branco

Cisne

20

SHANDILYA

Atharva Veda

Nome de um Mestre

Fonte: TINOCO, C.A. História do Yoga, obra disponível pela internet[1]


[1] Tinoco, C. A. História do Yoga, http://www.tinoco.cjb.net, 25 de outubro de 2007, 15:33

Hatha significa “forte” ou “força”, significado que alude à força interior da Kundaliní. Esse ramo de Yoga é associado com Matsyendra Nátha e Goraksha Nata, considerados dois mestres perfeitos ou siddhas, e constitui um desenvolvimento medieval do yoga tântrico. A realização do Si Mesmo é atingida por meio do veículo físico e de sua matriz energética (prânica). Na verdade, é através do corpo físico que se consegue manipular essa matriz prânica, e aqui se justifica a importância que este sistema dá ao modelo de anatomo-fisiologia sutil, que veio do Tantra. As disciplinas no Hatha Yoga foram elaboradas para provocar a manifestação da Realidade última no corpo e na mente dos seres humanos. Essas disciplinas dão muita ênfase nas práticas psico-físicas e de controle do alento, mas também consideram igualmente importantes o trabalho de retração dos sentidos, concentração, meditação e fusão ou êxtase (samádhi). Também são muito importantes os processos de purificações do corpo e, por conseguinte, dos canais sutis, local onde a força vital circula. Quando a força vital é dominada através do controle da respiração (coisa que só é possível se os canais estiverem purificados), a mente também é dominada, já que mente e a respiração estão estreitamente ligados. Então, com a mente subjugada, torna-se possível o cultivo de práticas superiores que levam à fusão extática com o objeto de contemplação. Algumas autoridades afirmam que o Hatha Yoga é um mero apêndice do Raja Yoga, mas Feuerstein (2005), defende que pela sua estrutura de prática (sádhana), o Hatha Yoga constitui um caminho autônomo para a Libertação.

Encontramos uma ótima descrição para Hatha Yoga em Blay (2004):

“A técnica de integração ou unificação natural do homem mediante: a progressiva purificação do corpo, o desenvolvimento de suas potencialidades, a perfeição de seu funcionamento, e a crescente integração da mente com ele, de tal modo que, mediante a regularização do ritmo e do tônus fisiológico, determinam-se automaticamente certos estados de consciência desejados, e vice-versa, dado um estado mental determinado, o corpo reage com uma adaptação perfeita e imediata, tanto em seu funcionamento interno como externo.” (BLAY, 2005, p.31)

Pratique Yoga!

O Tridente de Shiva, chamado em sânscrito como Trishula, é a arma de Shiva com a qual Ele destrói a ignorância dos seres humanos. As três pontas representam as três qualidades (Gunas) da matéria: Inércia (Tamas), Movimento (Rajas) e Equilíbrio (Sattva). A busca do praticante começa em buscar Sattva e termina quando transcende todas as qualidades da matéria, quando, então, se atinge Moksha, a Libertação, que é objetivo final de toda prática verdadeiramente hindu.

março 2009
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Hare Rama Krishna

Hari Om. Após o final da Dvápara Yuga, Sri Nárada Muní dirigiu-se pessoalmente ao Senhor Brahma, na ocasião do início da Kali Yuga -era das trevas - e perguntou-lhe: "óh! Bhagavan (mestre) como poderei na terra ser capaz de atravessar a Kali yuga?"
No que o Senhor Brahma lhe respondeu: "óh Sadhu, as Escrituras Sagradas mantém isso em segredo e oculto, e através do qual você vencerá o Samsára na Kali-Yuga; trata-se simplesmente do ato de reverenciar o nome do Senhor Primordial, Sri Narayana (Sri Krishna) através dos Santos Nomes.

O sábio Nárada mais uma vez perguntou: "Quais são esses nomes?, "no que Sri Brahma (Hyranyagarbha) respondeu-lhe: "Os Santos Nomes do Senhor, conforme dito nos Vedas, são:

Hare Rama Hare Rama Rama Rama Hare Hare
Hare Krishna Hare Krishna Krishna Krishna Hare Hare

Estes dezesseis nomes aniquilam os maus efeitos na Kali-Yuga, e não há meio melhores do que Eles, que possam ser vistos nos Srutis. Estes dezesseis nomes destróem a imobilidade do Jíva, rodeando-o com dezesseis raios (kalas). E tal qual a branca luz do sol dissipa as nuvens escuras, atuando como um círculo mágico protetor de todas as entidades vivas existentes, e assim desvelando o Parabrahman (o Absoluto).

Kalishantarana Upanishad

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Ganesha Shatakam Strotam – Mantra Védico para Ganesha

Narada disse:

Inclinando a cabeça, eu saúdo o Senhor removedor dos obstáculos, filho da divina Gauri; seu coração é a morada de todos seus devotos; medito, neste momento, em você, para que possam ser removidos todos os obstáculos ora no meu caminho.

Nomes de Ganesha através dos quais ele deve ser lembrado:

1 – Aquele que tem a tromba curva;

2 – Aquele que tem um dente;

3 – Aquele cujo veículo é um rato escuro;

4 – Aquele que tem a face de elefante;

5 – Aquele que tem um grande abdome;

6 – O grande;

7 – O rei dos obstáculos;

8 – Aquele que tem a cor escura;

9 – Aquele que tem a lua na testa;

10 – O removedor dos obstáculos;

11- O Senhor dos ganas, forças de Shiva;

12 – Aquele cuja forma é de elefante.

Ó Senhor, para aquelas pessoas que recitam os doze nomes três vezes ao dia (ao nascer do sol, ao meio dia e ao pôr-do-sol) que não haja medo de obstáculos e que tudo seja realizado.

Para aquele que deseja conhecimento, o conhecimento é adquirido. Para aquele que deseja riqueza, a riqueza é conquistada. Para aquele que deseja filhos, filhos serão alcançados. Para aquele que deseja libertação, os meios para ela serão encontrados.

Os versos de Ganesha devem se recitados durante seis meses, e o fruto será alcançado. Haverá sucesso no espaço de um ano, não há dúvida quanto a isso.

E tendo sido escrito, aquele que copiar os versos e distribuir a oito brahmanas conseguirá todos os conhecimentos, com as bençãos do Senhor Ganesha.

Assim, completam-se os versos encontrados no Shri Narada Purana ao Senhor Ganesha, para a destruição dos obstáculos.